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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quarta-feira – 2Rs 2,1.6-14 Mt 6,1-6.16-18

XI Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

[Os herdeiros espirituais]

Nesta passagem do livro dos Reis, ouvimos o relato do último momento de Elias entre os homens. Junto a ele estava Eliseu que revela a Elias seu desejo de ser herdeiro espiritual, ao que Elias lhe responde não ser de responsabilidade dele conceder ou não este desejo. Realmente não poderia Elias decidir conceder a Eliseu uma herança espiritual, que concederia a ele uma grande parte de seu espírito. Mulher rezando

Não são muitos os que são herdeiros espirituais dos santos como Eliseu, mas existem aqueles a quem é concedido herdar o espírito daquele com quem aprendeu a conhecer, amar e servir a Deus. Ser herdeiro espiritual de algum santo é tarefa não muito simples, pois exige uma identificação existencial com o que este santo vivia, por isso ser tão difícil desejar obter o espírito de alguém. É diferente de imitar seu exemplo, onde não mudamos nosso modo de agir, apenas transformamos a intenção de nossas ações naquelas de quem tentamos imitar. Agir com o espírito de alguém é viver como ele vivia, agir como ele agia, de maneira a deixar claramente transparecer seu espírito agindo noutro corpo.

Os cristãos enxergam nos santos modelos de santidade de vida, algo a ser imitado na medida em que o espírito em que viviam todas as coisas lhes inspire a viver semelhantemente. Alguém pode desejar ser herdeiro espiritual de algum santo, mas saiba que terá um longo e exigente caminho em sua vida até atingir realmente este status.

[A vaidade na vida espiritual]

Jesus esclarece que nossas atitudes de piedade e devoção não devem ser realizadas como quem busca a recompensa neste mundo, principalmente dos homens. Quem ora para ser visto e talvez elogiado, procura a recompensa aqui, entre os homens, na forma de elogios e boa fama de piedoso. Nossa vida espiritual cristã nos pede que somente olhemos e desejemos a recompensa de Deus, e por isso não é cabível o esforço por se destacar no meio dos irmãos como o “caridoso”, o “piedoso” ou “aquele que reza”. Devemos viver estar atitudes, isto é, agir assim interiormente, ser interiormente alguém que reza (no silêncio do quarto, no escondido da mente...), aquele que faz caridade sem se preocupar se alguém esta vendo. De fato, o cristão verdadeiro é aquele que não procura fama de “cristão”, mas aquele que vive cristãmente.

Jesus nos deixa sua clara mensagem, dizendo que a recompensa que esperamos de Deus não nos vêm se alimentamos nossa vaidade e amor próprio, deixando que nossas ações sejam visíveis para serem elogiadas. O cristão atua como cristão mas sem desejar auto proclamação, sem desejar glórias, sem querer que o tenham como santo. Na verdade, até o mais santo homem sobre a terra sempre vai se denominar o mais pecador.

Muitas vezes observamos fiéis que nas celebrações aparecem com expressões tristes, como quem sofre imensamente, com imagem de quem faz jejum por longo tempo. Sem querer insinuar que o fazem de má-fé, esta atitude não seria a mais consonante com esta mensagem de Cristo. Cristo prefere um olhar mais alegre, uma oração feita em comunhão com os irmãos com alegria de estarem unidos pelo Seu amor, pois Ele não precisa olhar para a expressão do rosto para saber o que se passa no coração do ser humano.

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