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sábado, 9 de junho de 2012

20 anos de falecimento: “era só ele e eu”

Gostaria de dizer a todos os filhos:

Olhe para seu pai, este homem que esta todos os dias pensando em você, que trabalha pensando em você, que descansa pensando em você, que senta a mesa e pensa em você… olhe para ele. Sabe, ele já foi filho como você e hoje talvez nem tenha mais junto dele seu pai. Por isso, vou te pedir uma coisa, algo que não te custará muito, reze por ele, todos os dias, pois o que você não sabe a respeito de tudo que teu pai já passou, Deus o sabe. Entrega teu pai nas mãos de Deus, não te intimide  de fazer isso… é teu pai!

Neste dia, nove de junho, lembro do meu pai. A vinte anos atrás ele se afastou visivelmente de sua família, de sua esposa, de seus quatro filhos. Mas não se afastou por vontade sua, Deus o chamou para si. Não acredito que meu bom Deus pensasse egoisticamente, mas justamente pensou em nós, os que ficaram. Sabia que as dificuldades seriam muitas – e às vezes pareciam intransponíveis! – e seriam constantes, mas Ele não nos abandonaria, disto minha mãe – que mais padeceu com a ausência do esposo que a amava – sempre teve absoluta certeza.

Não tenho muitas lembranças de meu papai, contava oito anos quando ele faleceu. De certa forma, devo ter bloqueado muitas lembranças. Mas tenho uma, que sempre vou levar comigo até o dia de o reencontrar: certo dia minha mãe resolveu visitar seus parentes noutro estado mas meu pai ficaria em casa. Ele fez apenas uma exigência, que eu lhe fizesse companhia. Não lembro destes dias que passamos juntos – uma semana –, mas certamente foi o melhor momento que poderia ter tido junto de meu pai… era só ele e eu!

Após tantos anos, tenho muita reconheço o plano divino nesta permissão Dele para que meu pai se ausentasse. Noto o quanto fomos obrigados ao amadurecimento, que não substituiu a infância onde as brincadeiras eram diárias. Tenho a formação de caráter que hoje me ajuda no exercício do ministério graças ao meu bom Deus, que se utilizou de instrumentos frágeis, mas dóceis ao Seu amor, minha mãe e meu pai.

Sabendo que meu pai deveria ter também seus pecados, que era humano como sou, rezo ao meu bom Deus que possa ser misercordioso e bondoso para com sua alma, que possa lhe estender os braços e acolher no Reino Eterno, onde espero estar com ele um dia.

Pe. Valderi

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