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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tempo Pascal, como celebrá-lo? Algumas orientações litúrgico-pastorais

Pe. Cristóvão Dworak, CSsR[1]

kdworak@hotmail.com

No decorrer do Ano Litúrgico da Igreja Católica, celebramos a totalidade do Mistério de Cristo. O Ano Litúrgico nos propõe um caminho espiritual da fé, ou seja, a vivência da graça própria de cada aspecto do mistério de Cristo, presente e operante nas diversas festas e nos diversos tempos litúrgicos. O Tempo Pascal ocupa o lugar central nesta caminhada de tal maneira que a Igreja é convidada a celebrar os cinquenta dias pascais, isto é, o pentecostes,“como um grande domingo, um só dia de festa”.

Pelo que parece, nem sempre há consciência disso. Para muitos cristãos menos esclarecidos liturgicamente, passado o Domingo da Ressurreição, tudo parece voltar ao ritmo comum. Diante desta realidade bastante frequente, podemos nos perguntar: como, então, garantir que as nossas celebrações, em especial, as celebrações dominicais de missas, de cultos e outras celebrações, sejam de fato pascais a fim de consolidar a espiritualidade verdadeiramente cristã, raiz e fonte de qualquer outra espiritualidade específica (cf. SC, n. 14)? Como celebrar o “mês de maio” e o “domingo do Dia das Mães”, para que, de fato, esta dimensão pascal não desapareça ou seja totalmente silenciada?

Para isso, propomos aqui algumas sugestões que - acreditamos, poderão reforçar a dimensão pascal de nossas celebrações ao longo deste pentecostes.

  1. Antes de tudo é preciso tomar clara consciência de que nas celebrações deste tempo, como em todas as celebrações da Igreja Católica, tudo converge para o Cristo vitorioso e o Senhor Ressuscitado presente na sua Igreja. A celebração da Igreja é o momento privilegiado do encontro com Ressuscitado. O Ressuscitado está presente na assembleia reunida em seu nome. O Ressuscitado está presente na Palavra de Deus que é proclamada na comunidade. Ele está presente na Eucaristia, na qual se deixa reconhecer ao partir o pão. Por fim, esta presença alimenta a missão dos cristãos no mundo e diante dos desafios do mundo (cf. Lc 24, 13-35).
  2. É preciso revestir as celebrações de veste de alegria, de flores, de luzes. A cor celebrativa deste tempo é o branco.
  3. Valorizar o Círio Pascal, colocando-o junto da mesa da Palavra ou junto do Altar. Aos domingos poderá ser feita uma solene entrada com o Cirio no início da celebração. No Domingo de Pentecostes,o Círio poderá ser deslocado solenemente para o Batistério, onde poderá ser feito um rito para apagar o Círio pascal.
  4. É de suma importância valorizar os cantos pascais. O lugar especial neste tempo ocupa o Aleluia. É importante evitar todos os cantos que são normalmente cantados no Tempo Comum. Esta dimensão, de modo geral, torna-se um grande desafio para os grupos de canto e de música em nossas igrejas e comunidades. A espiritualidade pascal crescerá se de fato houver investimento no canto pascal!
  5. Valorizar a água e a aspersão no início da celebração. A dimensão batismal da Vigília Pascal permanecerá forte através desta aspersão, que lembra o nosso batismo e a vida nova nascida do Mistério Pascal. Por isso, a aspersão substitui o ato penitencial, conforme propõe o Missal Romano (cf. p. 1000).  Mas, aqui vale uma observação: aspersão é um ato celebrativo, por isso, deve ser evitada toda espécie de ridicularização deste gesto simbólico, tão significativo para os cristãos. A aspersão poderá ser feita nas celebrações de Missas e também nas CelebraçõesDominicais da Palavra.
  6. As homilias devem abordar a questão da ressurreição, da presença do Ressuscitado na Igreja, do Batismo e do testemunho da fé no Cristo ressuscitado. Santo Afonso lembrava aos missionários e pregadores do seu tempo, que por meio da santa pregação se difunde e se conserva a fé do povo. Por isso, os pregadores devem pregar não outra verdade, a não ser Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, com estilo claro, simples e familiar, desejosos de santificar todos os ouvintes e todo o mundo.
  7. Respeitando a postura “de ajoelhados” em determinados momentos da celebração, especialmente onde ainda existe este costume, pode ser sugerida e, implantada a postura “em pé”, durante toda a oração eucarística, que expressa a postura da condição do “ressuscitado”.
  8. Na devoção popular, o mês de maio é o “mês mariano”, e o segundo domingo de maio é o “domingo do Dia das Mães”. Diante disso é bom lembrar que o tempo pascal não pode não ser esquecido nem silenciado nestas celebrações. Não é o Tempo Pascal que está inserido na devoção mariana, mas a devoção mariana que está inserida no Tempo Pascal. Nesta matéria recorda a Sacrosanctum concilium: "Assim, pois, considerando os tempos litúrgicos, estes exercícios [de piedade popular] devem ser organizados de tal maneira que condigam com a Sagrada Liturgia, dela de alguma maneira derivem, para ela encaminhem o povo, pois que ela [a Liturgia] por sua natureza, em muito os supera" (SC n. 13). E mais ainda: "Que as festas dos Santos não prevaleçam sobre as que recordam os mistérios da salvação” (SC n. 111; cf. SC n. 103). Por isso, oDiretório sobre a Piedade popular e Liturgia (cf. n. 190-191) vem recordar que é preciso harmonizar o conteúdo do "mês mariano" com o tempo corrente do Ano Litúrgico. Assim, o Diretório sugere que as práticas de piedade deverão salientar a participação da Virgem Maria no mistério pascal (cf. Jo 19,25-27) e em Pentecostes (cf. At 1,14). Ah, sim, nada mais mariano neste tempo do que a antífona Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia... Esta antífona pode ser cantada no final de cada celebração da Missa, da Celebração da Palavra, da Liturgia das Horas e em outras celebrações. Ela também substitui a oração do Ofício Abreviado, popularmente conhecido como O Anjo do Senhor.
  9. No dia 05 de junho celebramos a solenidade de Ascensão do Senhor com liturgia própria, que precisa ser valorizada. Neste mesmo dia inicia-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e a preparação para a Solenidade de Pentecostes, que concluirá a celebração do Tempo Pascal e abrirá as portas para celebrar diversos aspectos do mistério de Cristo no Tempo Comum.
  10. Por fim, só será possível organizar melhor a celebração deste primordial tempo litúrgico se em cada Diocese, em cada Paróquia, existir a Equipe de Pastoral Litúrgica. Caberá à Pastoral Litúrgica não só cuidar da realização das liturgias através de diversas Equipes de Celebrações, mas também promover contínua formação litúrgico-musical de todo o povo de Deus, sem a qual, qualquer liturgia celebrada corre o risco de ser um ritualismo estéril e um mero espetáculo teatral.

[1] Missionário redentorista, doutorando em Ciências da Religião (PUC-SP), Mestre em Teologia Sistemática com especialização em Liturgia, e Vice-Presidente da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI).

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