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sábado, 28 de abril de 2012

O Tempo Pascal

1. Ano Litúrgico: Sequela vitae Jesu

O ano litúrgico se torna para todo fiel uma “riqueza insondável da vida de Cristo que se abre, se expõe, se desenrola no tempo diante dos fiéis” (Dicionário de Liturgia. Vb: Tempo e liturgia, pg. 1173). Cada fiel encontra no ciclo litúrgico a vivência da vida de Cristo, e vivendo deste modo, como O encontramos na liturgia, nos transformamos em co-viventes desta vida que celebramos, pois, é neste tempo litúrgico que Cristo expõe sua vida, expõe sua vivência com os homens, então é ali que, pedagogicamente, conhecemos e aprendemos de Jesus quem é Deus e como devemos ser e agir.

Olhando para o ano litúrgico como um todo, percebemos que se resume numa cronologia de mistérios da vida de Jesus Cristo, mas ficar nesta visão é perigoso, pois pode passar a ideia de que na liturgia somos apenas expectadores assistindo o filme longa-metragem da vida de Cristo em diversas partes. Sabemos que o termo liturgia em sua origem expressa um “serviço em favor do povo” (CIC 1069), mas a compreensão vivencial da vida de Cristo nos leva a incrementar este conceito com a intenção de viver com Cristo cada momento de Sua vida entre os homens. Deste modo, cada ação litúrgica não é apenas relembrar momentos e mensagens, mas é também assimilar estes momentos de tal forma que na mesma celebração e após – no quotidiano – vivamos como celebramos. É por isso que dizemos que a liturgia é atualização do mistério de Cristo, pois o que fazemos é uma presencialidade no momento de Cristo, trazido a nós pela ação conjunta – fiéis, ritual e Deus -, na qual nos inserimos no viver de Jesus.

Sequela vitae Jesu – o que vêm após Jesus –, nos provoca a agirmos com nossas ações (também pensamentos e palavras) em sequencia do agir de Cristo. Isto quer dizer que, o que vivemos na liturgia durante o ano litúrgico deve ter sua manifestação diária em nossa modo de viver. Uma atitude dissonante do Ano Litúrgico é a que não faz a pessoa agir como o que viveu durante a liturgia celebrada.

Claro que viver a liturgia celebrada depende de cada indivíduo, mas esta liturgia tem um poder sacramental, e este independe da recipiente, ou seja, a eficácia do sacramento não depende da condição de quem o recebe, por isso todos, mesmos o que participam da liturgia distraídos, desconfortados, com segundas intenções, etc., mesmo estes devem e podem agir conforme o que foi celebrado.

A tempos atrás, antes do Concílio Vaticano II, a compreensão de liturgia em muitos aspectos era mais sacramental do que vivencial. Isto notamos pelo fato de que muitos, durante a Santa Missa, rezavam o terço ao invés de participar da liturgia, mesmo que não a compreendesse pelo fato de ser realizada em latim (língua oficial da Igreja mas que nem todos a compreendem). Isto impedia que estes que participavam da Santa Missa recebessem com eficácia o sacramento da eucaristia? Certamente que não. E também não os impedia de transformar em ação na sua vida o que recebia nesta liturgia que assitia. Hoje, entre más compreensões e acertos a liturgia da Igreja mostra o aspecto vivencial da Palavra e do Sacramento sem deixar de lado a eficácia que este sacramento que recebemos exerce na vida dos fiéis.

2. O Tempo Pascal

“Os cinquenta dias depois da Páscoa são de certo modo uma festa ininterrupta que termina no Pentecostes. [Segundo Santo Atanásio, o Tempo Pascal deve ser celebrado como um "grande domingo", ou seja, um domingo com duração de 50 dias].

É o tempo do Aleluia, da liberdade dos filhos de Deus, da nova vida no Espírito, da inauguração do reino de Cristo.

Os cinquenta dias da celebração são uma celebração antecipada dos bens do céu, 'do tempo da alegria que vira em seguida, do tempo do repouso, da felicidade e da vida eterna' (Santo Agostinho)” (Missal Quotidiano, pg. 330).

Se trata de gozar da felicidade que Cristo deu ao mundo vencendo a morte que impedia o ser humano de chegar a morada eterna com Deus. Sabemos que o tempo Pascal faz parte de uma sequencia de mistérios da vida de Cristo que a Igreja celebra ao longo do ano, vem daí a importância da consciência em viver intensamente a espiritualidade de cada tempo para que sigamos a Jesus tendo sempre presente que cada momento de Sua vida é ligado ao outro necessariamente, e que não se pode separá-los tentando viver bem um e relaxando em outro sob pena de não captar e viver adequadamente nem um nem outro. Cristo é uma totalidade, assim como são os mistérios de sua vida terrena, é preciso conhecer-Lo todo, para te-Lo todo em nossa vida.

O tempo pascal é a celebração do fundamento da fé cristã, e isto São Paulo esclarece perfeitamente: “se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a nossa fé. E se Cristo não ressuscitou a nossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15,14.17). Isto porque é a Ressurreição de Jesus que autoriza toda a pregação da Igreja e as manifestações de fé dos cristãos.

“Neste período de Páscoa, celebrar a Eucaristia significa em particular: reconhecer todas as manifestações de Jesus ressuscitado em Sua Igreja; tornamo-nos instrumentos dessas manifestações, como membros do povo sacerdotal; dar graças ao Pai pela contínua presença de Jesus ressuscitado entre nós” (Missal Quotidiano, pg. 330).

2.1. O Tempo Pascal e a Cruz

Neste tempo para muitos surge uma reflexão duvidosa. Se neste período pascal celebramos o fundamento de nossa fé, porque damos tanto valor a Cruz?

Esta dúvida é válida enquanto amadurecimento interior, pois nos faz exercer um esforço espiritual e intelectual para não separarmos a cruz da ressurreição. De fato, a Cruz é fundamental para nós, cristãos, visto que sem ela não receberíamos os méritos de Cristo que Ele conquistou para a humanidade com toda a Sua Paixão. Ela é mais do que sinal do sofrimento é o adorável lenho onde depositamos nossa esperança, pois nela repousou o autor de toda e qualquer esperança. Digo que vale enquanto amadurecimento interior, porque não se sustenta uma dúvida como esta de outra forma. A Ressurreição exige a cruz, assim como nascer exige a morte: se o grão de trigo que cai na terra não morrer, fica infecundo; mas se morrer, produz muito fruto (Jo 12,24). Estas palavras de Cristo são entendidas de duas formas, mas com o mesmo significado: [1] para fazer brotar a vida é necessário que algo suma ou morra, este algo nas palavra de Cristo é a semente que dá lugar a vida manifestada através do broto e da árvore subsequente. O próprio Cristo é a semente que vêm ao mundo e morre, para que assim floresça a vida. [2] Também vemos estas palavras de Cristo como imagem do batismo onde somos imergidos na água para morrermos, isto é, terminar com a vida de pecado, para emergirmos destas águas como o broto que surge na terra manifestando uma nova vida.

A Cruz de Cristo é altar onde ofereceu o supremo e definitivo sacrifício, mas ela é também passagem, ou seja, assim com Cristo não ficou na Cruz, também os cristão não devem ficar na cruz; depositar sua fé somente na cruz e no sofrimento é algo incompleto. Nossa fé deve ser depositada na Ressurreição de Cristo, pois esta é a realidade que Cristo nos mostrou e que nos prometeu.

Deste modo, veneramos a cruz como instrumento necessário para chegar a ressurreição, assim como sabemos que para chegar a calmaria da vida é preciso enfrentar as tempestades.

2.2. Como celebramos o Tempo Pascal

Em cada domingo neste período se celebra diversos modos da presença e manifestação do Senhor ressuscitado na sua Igreja:

  • No segundo domingo da Páscoa a aparição do Senhor no meio dos seus consagra o ritmo dominical da sua presença no meio da assembléia festiva dos fiéis: o domingo, festa primordial, dia do Senhor ressuscitado, se torna sinal semanal da Páscoa. (Jo 20,19)

  • No terceiro domingo reconhecemos o Senhor na fração do pão: ele está presente no meio de nós através dos sinais sacramentais. (Lc 24,35)

  • No quarto domingo o bom Pastor nos manifesta o mistério da presença do Cristo nos pastores da sua Igreja. (Jo 10,11)

  • No quinto domingo a caridade fraterna é vista como a manifestação de Jesus ressuscitado; através do amor que une os membros da Igreja, os homens reconhecerão o amor com que Cristo os ama. (Jo 13,34-35)

  • No sexto domingo Jesus promete o seu Espírito como princípio da vida pascal da Igreja e de todo cristão; a ação do Espírito da verdade constrói interiormente o templo espiritual. (Jo 14,23.26)

  • No dia da Ascensão (sétimo domingo), Jesus, antes de subir ao Pai, envia ao mundo suas testemunhas; elas e todo povo profético manifestarão Jesus Cristo Salvador. (Mc 16,15.19)

  • Em Pentecostes: o Espírito Santo realiza a plenitude da Páscoa de Cristo por meio da Igreja. Impelidos pela força de Jesus ressuscitado e pela fé, os Apóstolos partem para sua missão no mundo. (Jo 20,21-23)

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