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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Adoração da Cruz [II]

Que um lenho ao outro vencesse, com arte Deus decretou,

e a salvação nos viesse pela cruz que ele abraçou,

de novo a vida irrompesse onde o pecado brotou.

Da árvore que favoreceu a queda do ser humano no pecado, desobedecendo a Deus, vemos surgir uma outra donde a vitória sobre este mesmo pecado brotou. É a cruz de Cristo, que saida de uma árvore como a do pecado, vence o mesmo mal que fez do homem seu escravo. Era conveniente que por um lenho também viesse a libertação do ser humano. Esta vitória esplêndida é antes de mais, decretada por Deus, pois Ele é consciente de sua força contra as do pecado, mesmo que prefira contar com o auxílio humano.

A obediência de Cristo ao abraçar a cruz de morte, é o contraste da desobediência dos primeiros pais. Este pecado por muitas vezes parece ofuscado pela intorpecência da consciência moral diante de uma sociedade que age no desvalor das virtudes e da moralidade, em favor do egoísmo materialista e edonista. A desobediência é por tantas vezes, cultivado dentro das famílias, na relação dos pais com seu filhos. Isto acontece por muitos gestos e atitudes de seus membros, mas algo que contribui muito para isso é a idéia de paridade entre pais e filhos, que é defendida especialmente pela mentalidade de que os pais não devem ser superiores aos filhos, mas “amigos”. Sabemos que amizade é sinônimo de igualdade em tudo, onde não há razão para superioridade moral ou intelectual de nenhum “amigo”. Os pais devem aprender que são “pais”, pois exercem uma missão hierarquica dentro de suas casas. Deste modo a obediência é desenvolvida nas crianças desde cedo, ficando-lhes mais fácil obedecer ao próprio Deus.

Quando do tempo sagrado, a plenitude chegou,

pelo seu Pai enviado, o Filho ao mundo baixou:

de um corpo a Deus consagrado a nossa carne tomou.

O evangelho de João nos diz que chegado o tempo determinado por Deus, o Verbo rebaixou-se até os homens com a missão de reeducá-los para Deus e conquistar para eles a redenção. Nada pode ser maior e mais sublime do que este fato que até aos anjos assombrou, ver o próprio Filho de Deus nascer em natureza humana, mas sem deixar Sua natureza divina. Uma verdade que não pode ser contestada, visto ter sido Ele mesmo quem o disse a todos que o ouviram: tu o disseste (que sou o Filho de Deus). Digo-vos mais, que vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus (Mt 26,64). Sou Rei. Nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade (Jo 18,37). Através de Suas palavras cremos no que lemos no prólogo do evangelho de São João: No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus (Jo 1,1-2a).

Este Verbo Divino tomou nossa carne mortal para completar perfeitamente Sua missão redentora. A necessidade em assumir nossa natureza esta em que foi a mesma natureza a corrompida pelo pecado, portanto, se fazia necessário resgatá-la desde si mesma.

Na manjedoura ele chora, o rei eterno dos céus;

enfaixa-o Nossa Senhora, que pobres panos os seus!

Por frágeis laços embora, cativo o corpo de Deus.

Olhando para este rebaixamento do Filho, sempre passamos os olhos pela imagem de Seu milagroso nascimento, e nisto encontramos Maria e José. Pessoas escolhidas por Deus para colaborarem com o plano salvífico colocado em curso. Na pobreza de Maria e de José, Jesus encontrou o ambiente livre das influências desmedidas do mal que facilmente agem nos ambientes onde a riqueza é ostentada com grande gáudio. Sem menosprezar o esforço humano, que através do próprio esforço pode consquistar muitas coisas, Deus revela a todos que prefere viver entre os mais humildes pois encontra neles o espírito mais manso e sensível ao Seu amor.

No evangelho Jesus declara como ao rico é difícil ingressar no Reino dos Céus, muito pelo motivo das riquezas que sufocam seu espírito, o deixando inerte aos apelos de Deus. A pobreza não é troféu, nem garante entrada direta ao Céu, mas é o espírito que consegue, mesmo na pobreza ou na riqueza, viver em Deus e Dele haurir a sabedoria para viver honestamente.

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