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quinta-feira, 8 de março de 2012

SEGUNDA ESTAÇÃO: Jesus é carregado com a cruz

Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo para o Pretório e reuniram junto d'Ele toda a companhia. Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um manto encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana. Ajoelharam-se diante d'Ele e escarneceram-n'O dizendo: “Salve, ó rei dos Judeus!” Depois, cuspiram n'Ele e pegaram na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n'O para O crucificarem.

Do Evangelho segundo João 19,17

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quantas vezes os seus rituais e as suas grandes palavras, verdadeiramente, não passam de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que lhes incumbe por força do seu cargo, ou seja, colocar-se ao serviço do bem.

(Via Sacra de 2005 por Cardeal Joseph Ratzinger)

Esta atitude de muitos poderosos traz somente o sangue à terra, a dor estampada nos rostos de muitos que injustiçados como o Cristo, vêem o bem que fizeram se tornar argumento de condenção. Como recriminar aqueles que estão nesta situação ao bradarem com voz rouca, “que justiça é essa?!”. Essa não é a justiça de Deus, muito menos aquela fundada na verdade das coisas e do ser.

Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. O seu cetro é justiça (cf. Sal 45/44, 7).

O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que sofre por nós e conosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira.

(Idem.)

Jesus esta com a cruz as costas, e junto esta o mundo com seus pecados. Ele o quis assim, mesmo parecendo suportável para o Filho de Deus este fardo é enorme e duro. O peso da cruz não é medido por quilos e gramas, é medido por almas que perdidas, sem conseguir encontrar o caminho para o Pai, se recostam na cruz, sobem nela na esperança e fé de que quem a leva pode os conduzir definitivamente ao Reino da felicidade eterna. Esta esperança não é tola nem infundada, é uma esperança que foi depositada no único realmente capaz de mudar o destino do homem pecador. Mesmo que peque mil vezes, tendo me arrependido mil vezes, posso encontrar a paz e o caminho para o Pai, graças as dores de Cristo ao carregar esta cruz que agora lançam sobre seus ombros.

Somos carregadores de cruzes e às vezes elas parecem se multiplicar. Estas cruzes que recebem tantos nomes diferentes merecem um tratamento diferente daquele que costuma-se dar. Elas podem nos ajudar a compreender a própria natureza humana na dimensão da suportabilidade da dor e das angústias e favor de um bem maior. Como Cristo, devemos levar estas cruzes mirando a vida eterna e a recompensa que este ato de amor através deste sacrificio pode me fazer merecer.

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