Destaque:

A retrospectiva de Brás Cubas

Tenho grande apreço por Machado de Assis, pois acredito que sua contribuição para a Literatura Brasileira foi muito além de incrementar ...

Você escolheria a Monarquia como melhor sistema de governo para o Brasil?

segunda-feira, 12 de março de 2012

Indulgências

Compreenda-as, e aproveite-as. Podem ser entradas para tua salvação.
Os ensinamentos da Igreja Católica a respeito das indulgências não são muito conhecidos por parte dos fiéis católicos. O tema das indulgências também não é muito utilizado como pregação para o ensinamento dos fiéis na Igreja. Por isso, o desconhecimento é generalizado. Por ser um assunto um tanto difícil de ser explicado e compreendido, os católicos acabam não conhecendo essa fonte de graças divinas e não se apropriam das indulgências e nem as alcançam para os seus fiéis falecidos.
Para compreender a doutrina das  indulgências é preciso compreender a malícia do pecado. Todo pecado é uma ofensa ao Deus justo e santo (João Paulo II). Seja o pecado cometido diretamente contra Deus, seja o pecado cometido contra o próximo que é filho de Deus, seja o pecado cometido contra si mesmo ou contra a natureza criada por Deus.
Além de ser uma ofensa ao Deus-Trindade, que é amor, todo pecado deixa consequências, sequelas, raízes, marcas espirituais, e/ou psíquicas, e/ou emocionais, e ás vezes, até físicas em quem o comete. É fácil de se comprovar isso.
Quanto ao pecado, que sempre ofende a Deus e causa prejuízo ao pecador, pode ser “pecado grave, mortal” ou um pecado “leve, venial”. O pecado grave se chama “mortal” porque “mata, interrompe” o estado de amizade com Deus. Rompe o relacionamento com Deus. Rompe [1º] porque a matéria, o assunto do pecado é uma coisa muito grande, muito importante, muito grave. [2º] Porque a pessoa sabe que aquele ato é pecado mortal, grave. [3º] Porque o pratica livre e voluntariamente. Neste caso, com essas três condições, o pecador rompe radicalmente seu relacionamento com Deus, perde o estado de graça santificante e incorre nas “penas eternas”, nas penalidades eternas. Se a pessoa morrer em estado de pecado mortal será condenada à pena eterna no inferno (prisão perpétua… no inferno). Quando o pecador comete pecados mortais, mas se arrepende, se decide a não mais cometê-los, e se confessa arrependido, recebe o perdão do pecado e a “pena eterna” é suspensa, é perdoada. Mas permanecem as sequelas do pecado,e por causa delas, permanecem as “penas temporais” que precisam ser remediadas, purificadas, perdoadas.
O pecado venial ou leve ocorre quando o ato pecaminoso é de pouca monta, o assunto é matéria leve. Quem comete este tipo de pecado, ofende a Deus, mas não interrompe sua amizade com Ele. No entanto, incorre em “penas temporais” (prisão temporária… no Purgatório). Ao se arrepender dos pecados leves e ao realizar algum ato penitencial para pedir perdão a Deus, de maneira especial pela Confissão, recebe o perdão, a absolvição da “culpa”, mas podem permanecer sequelas, marcas, raízes, e por isso fica sujeito a penas temporais.
As sequelas dos pecados
Todo pecado, além de ofender ao Deus justo e santo, deixa marcas, sequelas, raízes ou problemas no pecador. Exemplos: Alguém fez um pequeno furto. Cometeu um pecado venial. Mas o sucesso no furto deixa na pessoa um tendência purgatorio ind psicológica a repetir o furto. Ao repetir outros furtos, sua tendência tende a crescer e pode levar a pessoa a se tornar um ladrão. Eis aí a sequela, a tendência viciosa que merece penas temporais. Um homem adulterou por uma primeira vez. Pecado grave. Ocorreu, porém, que seu adultério deixou marcas fortes de uma experiência sexual adulterina. Esta experiência o levará a cometer outros adultérios. Pode até viciar-se. Pensemos que após vários adultérios, se tenha arrependido, tenha pedido muito perdão a Deus e se confessado. Recebeu o perdão das “penas eternas”, mas permanece nele a tendência a voltar ao adultério. Essa sequela, essa força do pecado merece penas temporais (alguns dias de cadeia… no Purgatório). Elas precisam ser removidas. Outro exemplo. Um jovem iniciou um namoro de frequentes relações com a namorada. Pecado de fornicação, grave, que lhes causam “penas eternas”. Essas relações vão deixar nele sequelas de inclinação para tal pecado. Se ele terminar o namoro com ela, e iniciar outro, irá sentir uma forte necessidade de manter relações com a nova namorada. Mas se se arrepender e se confessar contritamente, recebe o perdão dos pecados, mas as sequelas, a força psicológica permance nele. Ele merece penas temporais por causa das sequelas dos seus pecados.
Resumindo: “As penas eternas” devidas por pecados mortais só são tiradas, perdoadas, por um arrependimento perfeito de amor a Deus, seguido por uma Santa Confissão. “As penas temporais” devidas: 1º por pecados veniais não perdoados; 2º por pecados veniais perdoados, mas que deixaram sequelas; 3º por pecados mortais perdoados, mas que deixaram sequelas… Todas essas “penas temporais” são remidas, canceladas, perdoadas: a) ou por confissões bem feitas motivadas por amor a Deus. b) Ou por atos penitenciais muito bem realizados no amor a Deus. c) Ou por obras de caridade realizadas com a finalidade de “cancelar” suas penas temporais. d) Ou por atos de ascese, como jejuns, esmolas, sacrificios espirituais, participações na Santa Missa, orações mais prolongadas, tudo feito com a intenção explícita de receber a “purificação” das penas temporais. e) Ou pelas INDULGÊNCIAS alcançadas.
Indulgências
Penso que agora fica mais fácil compreender a indulgência. Ela é um “indulto”, um “perdão” recebido de Deus, por meio da Igreja, um perdão das “penas temporais” devidas por causa dos pecados veniais  ou das sequelas dos pecados mortais perdoados. Para compreender melhor, lembremos o “indulto de Natal” dado aos presos de bom comportamento. Por casusa da Festa do Natal, presos que estariam quase no fim de sua pena, por causa do seu bom comportamento recebem o perdão do tempo que ainda faltaria a cumprir, e são libertados. Isto é “indulto – indulgência – espiritual”.
“Indulgência, portanto, é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto, em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. (CIC, 1471).
Vejamos essa explicação do Catecismo: [1º] Indulgência é a remissão, é o perdão, é o indulto das penas temporais devidas pelos pecados perdoados; [2º] que o católico, batizado, não excomungado, pode receber; [3º] por meio da ação da Igreja, que é a “comunicadora” da redenção, e como tal, por sua autoridade concedida por Jesus, distribui e aplica as missa ind indulgências; [4º] usando o tesouro espiritual acumulado por Jesus com sua morte e ressureição, e pelas dezenas de milhares de Santa Missas celebradas a cada dia, bem como pelos méritos dos Santos que estão nos Céus e os que se encontram ainda na terra.
Utilizando uma comparação bem humana, podemos dizer: Pela morte redentora de Jesuse pela santidade dos Santos, bem como também por toda ação espiritual da Igreja, “criou-se” um grande tesouro espiritual cheio de “vales espirituais”. A Igreja foi encarregada de administrar esse tesouro divino e de poder tirar esses “vales” para “pagar” o indulto das “penas temporais” devidas pelos fiéis, por causa de seus pecados. Portanto, as indulgências são “os vales espirituais”, que um católico retira do tesouro da Igreja para “pagar” o perdão das penas temporais devidas por ele. A Igreja, como administradora, ensina o que fazer para “se poder retirar os vales espirituais” a fim de “pagar” o indulto, o perdão, a purificação dos pecados veniais não perdoados e das penas temporais por causa das sequelas dos pecados.
As indulgências (os vales…) podem ser adquiridas em próprio favor. Há indulgências que podem ser também aplicadas às santas Almas do Purgatório.
Condições para receber um Indulgência Plenária (uma vez ao dia)
  1. confessar-se e rejeitar todo pecado. (Ou estar em estado de graça, consciente).
  2. participar da Missa e comungar com o desejo de receber a Indulgência (uma Missa e Comunhão para cada indulgência).
  3. rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
  4. realizar uma destas atividades:
    1. Via Sacra na igreja diante dos quadros,
    2. rezar o terço em família diante de um oratótio,
    3. realizar uma adoração a Jesus sacramentado por meia hora,
    4. fazer uma leitura meditada da Sagrada Escritura por meia hora.
__________________________________________________
Catecismo da Igreja Católica. nn. 1471 a 1479
Cf. Pe. Alírio J. Pedrini, scj. Indulgências Espirituais. In: Revista Brasil Cristão. Ano 15, n.176, Março 2012. Pg 12-14.

Nenhum comentário: