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domingo, 4 de março de 2012

II Domingo da Quaresma


Gn 22,1-2.9-13.15-18 Rm 8,31-34 Mc 9,2-10
Pe. Valderi
A obediência de Abraão é característica principal de sua fé em Deus. Esta obediência nasce da confiança e da certeza de que Deus conhece o melhor para seus filhos.
A obediência pela fé é também traço da vida cristã, em realidade ela existe a partir de uma necessidade de nossa fé em depositar a confiança plena em Deus, pois Ele conhece nosso interior e sabe do que o ser humano necessita para sua vida. Por isso a vênia a tudo o que Ele fala e assim a tudo que nos pede. A obediência se torna assim, manifestação da minha fé em Deus, assim como Abraão que demonstrou o quanto cria nas palavras de Deus a ponto de não exitar em sacrificar seu filho. Em nossa vida temos várias momentos de agir como Abraão, ou seja, manifestar nossa fé absoluta em Deus através da obediência a seus preceitos, algo que não é muito difícil de aparecer, basta pensarmos naqueles palavras de Cristo fazei o bem aqueles vos odeiam (Lc 6,27), por exemplo.
Esta obediência não é sinônimo de opressão ou repressão da liberdade. Quando se trata de obedecer a Deus Pai, nossa obediência não fere nossa liberdade que Ele mesmo nos deu, mas dirigi-a, orientá-a a tomar decisões que a plenificam livrando-a de nos tornar escravos de outros coisas ou ideias, estes sim que restringem nossa liberdade nos forçando a agir de maneira involuntária.
Muitos pensam que obediência e liberdade são duas palavras antônimas, o que é um engano profundo, porque a obediência é uma manifestação da liberdade, já que só homem interiormente livre pode optar responsavelmente por obedecer. Quando Jesus se "fez obediente até à morte de cruz" (cf. Fil 2,8), estava encerrando um tempo de escravidão do homem ao pecado, à lei farisaica, e ao medo do morte, e abrindo para este o caminho da perfeição da obediência.
(Comunidade Vida Nova: http://blog.cancaonova.com/vidanova/)
Deste modo, a obediência não é um atentado a nossa sagrada liberdade, antes é consequência natural daquele verdadeiramente livre das influências escravizadoras de nosso tempo.
Uma outra consequência bela e necessária deste uso pleno da liberdade na obediência é a observância não somente a Deus, mas também a Sua Igreja, pois ela é a que porta Sua palavra e seus ensinamentos sendo depositária fiel do Evangelho de Cristo. Para nós, a Igreja merece nossa atitude obediente, estar sempre pronto a ouvi-la e atender a seus pedidos, pois se trata da instituição que Cristo deixou-nos para orientar em Seu nome todos os povos no caminho da vida e do amor, da justiça e da paz.
Pode parecer-nos cruel este ato de obediência realizado por Abraão, sacrificar seu filho por vontade de Deus, mas temos que olhar além da crueza desta cena, olhar para a atitude confiante de Abraão, sua fé convicta não o deixava pensa que Deus houvesse pedido isso simplesmente por capricho ou como castigo por algum pecado, talvez ele pensasse no desígnio misterioso que Deus deveria ter para pedir tal coisa. Mas Deus intervem para mostrar que aquele que é obediente nunca será prejudicado por agir assim, isto é, confiar absolutamente nas palavras de Deus.
Deus quis testar Abraão? É mais adequado pensar que o Senhor pretendia mostrar a ele justamente que sua fidelidade na obediência não era em vão, que nunca Deus deixa de zelar pelo bem daqueles que Lhe são obedientes pela fé. Disto nós temos que  nutrir nossa vida, de convicção e confiança em Deus para nos ser mais fácil esta atitude de obediência a Sua palavra e a Sua Igreja.
Paulo nos diz que não temos motivos para desistir ou desanimar nesta luta que travamos contra nós mesmos e nossas tendências ao pecado, pois Deus está a favor daquele que de coração sincero quer viver Sua vontade, e isto nos fortalece neste tempo de quaresma, onde cada um tenta lutar e resistir as tentações de vaidade, egoísmo, soberba, e todos estes vícios que nos afastam da Vontade de Deus para nós, também resisti as investidas do mal para nos levar a perdição. Se Deus é por nós, quem será contra nós? (v.31). Quem terá força o suficiente para nos vencer se estamos com Deus a nosso favor?
Teremos Deus a nosso lado, dando-nos forças para vencer tudo que possa nos levar ao erro, se mantivermos nosso coração reto diante dos olhos de Dele. E isto nos faz lembrar de Abraão que antes era comentado, pois ele mantinha-se fiel em sua fé em Deus e mesmo o próprio Senhor lhe pedindo algo inimaginável foi obediente, comprovando ao Altíssimo que nada podia diminuir ou abalar sua fé.
O evangelho deste domingo nos apresenta a cena da transfiguração do Senhor, fato histórico e místico e que nos traz três importantes considerações:
Nesta cena evangélica aparece com Cristo dois personagens do Antigo Testamento, Moisés e Elias. Figuras decisivas para a história do povo de Israel e que por isso gozavam de intocável prestigio. Pois estes dois aparecem junto a Cristo e com isto se tornam testemunhas de sua divindade dando maior crédito ainda para as palavras e ações de Cristo. Não que Cristo necessitasse deste acréscimo para corroborar sua atuação divina, mas se torna necessário a medida que estavam também presentes ali discípulos de Jesus, e é a eles que este testemunho serve.
Estes mesmos discípulos que ali estavam, Pedro, Tiago e João, acabaram se tornando também testemunhas ocular da manifestação prévia do Cristo Ressuscitado. De fato, este evento deixou nestes discípulos uma grande marca de verdadeira alegria por ver o Messias mostrando-se tal como é, e até exclamam: Mestre, é bom ficarmos aqui (v.5), o que eles não compreendem é que este momento para Cristo é apenas fortalecimento para Ele antes de começar o caminho do calvário.
São Tomás de Aquino nos fala a respeito da transfiguração e de como ela era necessária aos discípulos:
“Para trilharmos bem um caminho, é necessário termos um conhecimento prévio do fim. Assim, o arqueiro não lança com acerto a seta, senão mirando primeiro o alvo que deve alcançar (...) E isso sobretudo é necessário, quando o caminho é difícil e áspero, a jornada laboriosa, mas belo o fim” (3,q.45,a.1,c).
Ora, para efetivar a Redenção com a morte na Cruz, e para formar a Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo ia submeter os apóstolos a provas duríssimas. Era muito conveniente, portanto, que fizesse conhecer experimentalmente, pelo menos a três deles, os fulgores de sua glória. Desse modo, não só se sentiriam robustecidos para enfrentar os traumas de sua Paixão, como também mais facilmente ajudariam seus irmãos a solidificar a Santa Igreja, e fortaleceriam os fiéis ao longo dos tempos.
(Mons. João Clã Dias. A Transfiguração do Senhor e nossa santificação. In: www.joaocladias.org.br)
Por fim, Deus Pai dá Ele mesmo testemunho a respeito de Jesus, Este é o meu Filho amado, escutai o que Ele diz (v.7). Deus mesmo manifesta a real identidade de Cristo querendo não deixar dúvidas a respeito de Jesus. Além disso, pede que escutemos o que Seu Filho nos fala, Sua palavra é palavra do Pai e por isso palavra que pede nosso assentimento e nossa obediência confiante de que assim, não teremos porque temer qualquer tentação ou investida do maligno.
Assim seja.

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