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segunda-feira, 5 de março de 2012

Casar na Igreja: procure um padre de verdade, ou será enganado

A cada dia contado na história da Igreja de Cristo se desenrola algum evento que marca a glória ou a vergonha desta instituição divina mas que é formada por humanos - as vezes - mais pecadores que santos. Restringindo-me a lugares que visito, sou surpreendido por fatos que desgraçadamente forçam-me a escrever impulsionado pela minha indignação humana e principalmente cristã católica.
Nestes dias tomei conhecimento de algo extremamente triste para mim e seriamente preocupante. Ao visitar alguns conhecidos numa cidade próxima da região metropolitana de São Paulo, fui convidado a assistir um vídeo de "casamento" que era realizado em um salão de festas [1]. Ali se encontrava além do juiz de paz para o casamento civil [2] alguém desconfortável - via-se pelo olhar! - um homem vestido com túnica e casula [3] tendo ao lado dois jovens - diria que com mais de vinte anos pela aparência deles - também vestidos com vestes litúrgicas, túnica preta a semelhança de  batina com roquete (sobrepeliz) [4]. Em sua "atuação" manuseava um ritual, que acredito ser o manual de casamento usado pelos sacerdotes nos CASAMENTOS na igreja [5], pois realizou a maioria dos gestos e palavras que o sacerdote então faz num legítimo casamento [6].
Vamos por parte:
[1] Muitos tendem a querer utilizar salões de festas para casamentos, o que num sentido prático pode ser bem razoável, mas isto serve para uma outra etapa da realização do casamento, ou seja, a recepção, janta, almoço coquetel, etc., mas NUNCA para realizar um casamento religioso. Isto não é capricho do sacerdote que se nega a realizar tal casamento em sítios, fazendas, salões, piscinas ou outra parte, isto é norma da Igreja e é preciso que todos saibam que o padre é obrigado a obedecer sob pena de graves repreensões de seu prelado. O templo é local de qualquer encontro e ritual religioso que tem por fim a realização de algum sacramento. E casamento é sacramento.
[2] Nestes locais que foram citados é permitido a realização do CASAMENTO CIVIL, ou seja, aquele em que somente é necessário o juiz de paz com as testemunhas.
[3] Aqui começa o mais estranho e triste para mim. Este senhor que todos me disseram ser padre, presente naquele local, com a intenção de "apenas" abençoar o casamento, vestido como se fosse realizar um casamento legítimo na igreja. Ora, alguém acredita que este senhor não sabe que todos ali irão pensar que este casamento valeu para a Igreja? A simples presença do sacerdote em um ambiente assim, sendo que um dos noivos teria um impedimento para contrair novo casamento religioso, já demonstra ao povo - que as vezes carece de formação - que na Igreja as coisas acontecem pela vontade de cada padre... que normas e leis canônicas são enfeites. Além disso, a imagem que passa é de mercenarismo de muitos padres, consagrados para santificar o povo e não engordar os bolsos! Este senhor cometeu uma falta grave a meus olhos, pois pastoralmente trabalhou contra a Igreja que batalha todos os dias para formar seus fiéis na reta doutrina dos sacramentos. [4] Acrescentaria a má utilização das coisas sagradas para a Igreja como as vestimentas litúrgicas, pois as utilizou para um ato NÃO LEGÍTIMO, apenas engodo para os fiéis que depositam sua confiança na figura do sacerdote.
[5] A utilização de um ritual oficial da Igreja para tal "atuação" foi realmente trágico, pois revelou - no mínimo - a má formação deste senhor. Utilização de livros sagrados e oficiais da Igreja são apenas permitido para realização de sacramentos e sacramentais, o que não aconteceu nesta situação que poderíamos imaginar que fosse apenas uma "benção" mas que se revestiu de "sacramento".
[6] Realmente o ponto mais grave recaí sobre a dimensão pastoral que isto causa, e isto senti na pele ao longo da apresentação do vídeo, pois os próprios noivos me perguntaram várias coisas a este respeito e acabei me sentindo um "estraga festa", pois não pude esconder ou camuflar a verdade. Esta gente, via com a fé simples que têm, benção de Deus sobre esta união - algo que jamais quero censurar aqui -, mas ao mesmo tempo via a legitimidade do casamento religioso. A mãe da noivo certa hora comenta assim: "mas ele fez todos os gestos e falou todas as palavras que o padre fala...". Pois é, sobre isto que insisto. Já não penso que este senhor agiu ingenuamente, trato-o como mercenário que age com má fé, pois os gestos e palavras, as vestimentas e todo o discurso transformaram aquele casamento civil num pesudo-casamento religioso.
Infelizmente senhores agindo da mesma forma que este devem existir por vários lugares, cabe aos bispos detecta-los e urgentemente os repreender suspendendo-os se necessário e se realmente forem sacerdotes, caso não, denunciá-los as autoridades policiais, pois cobrar por algo gratuito e agir em falsa identidade é o quê?
Nossa fé é clara e pela bondade infinta de Deus temos a Igreja que nos orienta com suas normas e leis que nos fazem trilhar o caminho da vontade de Deus com os passos certos, sem desvios ou "jeitinhos" que somente nos enganam fazendo a caminhada ser mais árdua e laboriosa.

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