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sábado, 11 de fevereiro de 2012

VI Domingo do Tempo Comum

Lv 13, 1-2.44-46 1Cor 10,31-11,1 Mc 1,40-45

Pe. Valderi

Estimados irmãos.

Nesta liturgia da palavra encontramos o tema da lepra, esta doença que era muito mais grave e comum neste tempo de Jesus. Os judeus viviam sob as normas oferecidas por Moisés a respeito dos leprosos, vendo nestas pessoas alguém impuro para entrarem no templo. Por isso, eram condenadas a ficarem a distância do templo e das pessoas até que pudessem estar curadas.

Leproso Isto acontecia principalmente pela visão que tinham naquele tempo de que o pecado cometido agia de forma mais visível no corpo, fazendo com a pessoa tivesse algum mal como doença ou desgraça familiar a medida que cometia algum pecado. Quanto mais grave o pecado, mais terrível era a doença ou a dificuldade. A lepra era uma das doenças mais terríveis para eles, pois desfigurava a pessoa no corpo e por causa da atitude da sociedade de isolamento e repúdio desta, desfigurava também sua dignidade. Por isso era tido como consequência de algum pecado gravíssimo, culpa de alguém próximo – como pais ou avós – ou da pessoa mesma.

A lepra desfigurava o corpo e a dignidade. Era de fato, o mais terrível castigo que alguém ainda vivo poderia ter.

Jesus apresenta o quanto estavam errados ao agirem desta forma e ao mesmo tempo dá ao homem leproso sua vida e dignidade de volta.

Ouvindo este homem leproso falar, se queres tens o poder de me curar, Jesus vê nele aqueles que conseguem mediante a dor e o sofrimento enxergar a sua divindade. Realmente, a sofrimento nos faz limpar os olhos e ver o que antes não víamos, assim o leproso consegue enxergar em Cristo a pessoa que pode lhe curar. E não é pouco, pois a lepra era tida como doença incurável, então ao reconhecer em Cristo o poder para lhe curar da lepra, reconhece Nele o poder que somente Deus pode ter.

Jesus e o leproso Nesta cura vemos que a intervenção de Deus é para restaurar não somente o corpo de alguém enfermo, mas também restaura sua dignidade dando a ele novo ânimo para viver. Em realidade hoje precisamos muito mais que Deus restaure a dignidade a muitas pessoas do que propriamente restaure seus corpos por alguma doença. Aquelas pessoas rebaixadas, humilhadas ou que se fizeram humilhar, e estão sentadas a margem da vida, como mendigos vendo a vida se esvair sem qualquer sentido, estes Cristo quer e precisa restaurar em suas dignidades feridas por si mesmos ou pelo mundo.

Cristo não faz o povo descumprir a lei mosaica, mas faz o povo lê-la de forma mais clara, pois para o povo de coração endurecido do tempo de Moisés era necessário que também se fizesse penitência para livrar-se da lepra, e então fizessem o ritual de purificação. O apelo a penitência é notado também neste episódio, tanto na primeira leitura como no evangelho, o leproso sabe da obrigação de espiar através da penitência os pecados. Isto nos mostra que também é necessário a verdadeira disposição de coração, do arrependimento e penitência dos pecados cometidos para junto com o corpo a alma ficar pura.

Para nós caríssimos irmãos, nos deve consolar o fato de que, se estamos com nossa dignidade machuca ou até mesmo rebaixada ao chão, temos em Cristo aquele que pode nos reerguer novamente. Isto nos requer antes um exercício no coração, de arrependimento e verdadeira penitência para que Deus possa ver nossa sincera disposição.

Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado, e em cuja alma não há mais falsidade. (Sl 31,2)

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