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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sexta-feira após Cinzas

Is 58, 1-9a Mt 9,14-15
Pe. Valderi
Hoje, primeira sexta-feira da quaresma, temos o dia que tradicionalmente se opta por fazer o jejum ou abstinência de algum alimento que normalmente seria o principal de nossas refeições. Este jejum deve ser praticado com a consciência clara a respeito de seu significado. O jejum deve ser encarado como uma forma de piedade que nos faz sentir o sofrimento que Cristo passou em sua agonia, mas também a privação que muitos irmãos nossos passam, nas ruas ou em suas casas.
Primeiramente a dor de Cristo se faz mais viva em nós quando sentimos algo no corpo que o faz se incomodar, o jejum de carne ou outro alimento igualmente apetitoso a nosso paladar, nos facilita esta experiência de sofrimento. Não que iremos sofrer com apenas uma abstinência de carne, mas este simples gesto nos traz a mente os padecimentos de Cristo e isto já pode ser o suficiente para nos movermos até mais próximo de nossa total conversão a Cristo.Jejum
Depois, este jejum nos aproxima ou nos faz recordar de nossos irmãozinhos que carecem deste alimento que por piedade nos abstemos. Não se trata apenas de lembrar piedosamente deles, mas de agirmos em prol destes, isto é quaresma, momento de ação movida pela fé. Sabemos qual caridade devemos fazer e a quem devemos fazer, então porque ainda exitamos?
Deus falou ao povo de Israel sobre qual o verdadeiro jejum que o agrada: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição... repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos (vv.6-7). O jejum de que hoje falamos é desfigurado de qualquer sentido cristão se não é feito pelo espírito da caridade, mesmo aquele jejum que faço em casa, longe dos outros olhos, mas não longe dos olhos de Deus.
O jejum também é sinal de espera pelo noivo que esta por vir. Por isso Jesus responde no evangelho aos discípulos de João dizendo que como poderiam estar jejuando enquanto o noivo esta com eles? Era comum naquele tempo, como nos informam alguns pesquisadores, os convidados de uma festa de casamento não tocarem em nada dos alimentos enquanto o noivo não aparecesse na festa, ou seja, enquanto esperavam apenas vigiam sua vinda. Jesus é o noivo, e os discípulos são os primeiros convidados para esta boda. A igreja espera ansiosa o retorno do Noivo que partir com a promessa de sua segunda vinda. Por isso, fazemos o jejum, na espera do noivo que há de vir.
O jejum se torna tristeza pela ausência do noivo, mas também motivo de vigilância ansiosa por seu retorno. Retorno que deve nos encontrar prontos e penitenciados, ou seja, com o coração sereno por ter realizado as obras possíveis em vista do convite para a festa eterna das bodas.
Ouçamos as palavras inspiradoras do papa São Leão Magno: o que todo cristão deve fazer em qualquer tempo, agora deve fazê-lo com mais atenção e com mais devoção.

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