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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Lourdes: História da Aparição

1ª Aparição - 11 de fevereiro de 1858. Quinta Feira, um dia como outros. Era inverno; às 11 horas da manhã quando Bernadete observou que tinha acabado a lenha. Seu pai estava ainda deitado. Não tinha trabalho. Economizava as forças para outro dia. 0 tempo não era convidativo para sair de casa. Chuviscava e havia nevoeiro. Logo apanhou sua capa, chamou sua irmã Antonieta Peyret (companheira de Bernardette) e convidou Joana Abadie, uma moça robusta e forte, para acompanhá-las.

A mãe proibiu: "Bernadete, não".

Ela pensava no frio que fazia e que poderia trazer conseqüências à asma de sua filha. Mas ela insistiu carinhosamente, dizendo-lhe que teria cuidado para não se molhar e que iria com o capuz branco e o chale. A mãe concordou.

Saem as três meninas no afã de cumprirem a tarefa, passam pela pradaria do Paraíso, a ponte do canal que movimenta o moinho Savy, entram na pradaria do senhor La Fitte e chegam na ponta de areia do rio Gave. À esquerda levanta-se uma rocha íngreme com uma gruta na base. É a chamada gruta Massabieille . Embora é chamada de gruta, na verdade ela é constituída de uma acentuada concavidade na rocha. A água do canal que movimenta os moinhos, banha-lhe o lado esquerdo e segue em direção ao Gave.

Joana passa para o outro lado do canal com o pequeno feixe de lenha na cabeça. Antonieta faz o mesmo, levando a lenha na mão. Como já do outro lado as duas se manifestaram dizendo que a água do canal estava muito gelada, Bernadette permaneceu ali, sem saber o que fazer, com receios de pisar na água fria, por causa da asma, lembrando-se das recomendações de sua mãe.

Enquanto as duas corriam pela praia do Gave a procura de lenha, ela depois de procurar sem êxito, um lugar melhor para atravessar, sentou-se na margem do canal, em frente à gruta, tirou uma das meias e preparava-se para tirar a meia do outro pé, quando de repente, ouviu um barulho, "como se fosse um sopro de vento". Não vê nada.

Olhou para trás e observou que as folhas das árvores não se moviam.

Apareceu uma "luz suave" que iluminou profusamente todo aquele lugar sombrio e no meio dela, surge uma SENHORA maravilhosa, aparentando a  idade de 16 a 18 anos, estava de pé, vestida de branco; o véu que cobria a cabeça descia até os pés; em redor da cintura tinha uma estreita faixa azul; no braço direito levava um terço; mantinha as mãos juntas e, nos pés, via-se duas rosas douradas.

Abre os braços num gesto de acolhimento, como quem convida à aproximar-se. Ela fica espantada. É como se tivesse medo, "não para fugir explica melhor, mas pela emoção do inusitado e adorável encontro". Esfregou os olhos diversas vezes, para inteirar-se que não era um sonho e que realmente estava diante de uma visão encantadora, que lhe sorria afetuosamente.

Então conta, Bernadette:

- "Coloquei a mão no bolso e encontrei o terço. Queria fazer o Sinal da Cruz, mas não pude levar a mão até a cabeça. A mão caiu-me. 0 espanto apossou-se de mim mais fortemente, a minha mão tremia.

A visão fez o Sinal da Cruz. Então tentei a segunda vez. E então pude. Logo que fiz o Sinal da Cruz, a grande comoção que sentia desapareceu. Pus-me de joelhos e rezei o terço na presença dessa linda Senhora. A Visão fazia passar as contas do Seu Terço com os dedos, mas não mexia os lábios. Quando acabei o terço, ELA fez um sinal para aproximar-me. Mas não ousei. Então desapareceu de repente".

Depois do extraordinário acontecimento, Bernadete sentiu uma imensa felicidade que envolveu completamente a sua alma de uma deliciosa satisfação que lhe tirava todas as forças, para qualquer iniciativa.

Atravessou o canal sem dificuldades, as águas estavam ligeiramente "aquecidas". Sentou-se numa das grandes pedras que se encontravam na entrada da gruta e permaneceu silenciosa e pensativa.

Voltam suas companheiras com uma boa provisão de lenha e começam a dançar e pular na entrada da gruta, para comemorar o êxito da missão.

Não gostando de vê-las assim, para distraí-las pergunta:

- "Não viram nada"?

- "E tu, que é que viste"?

Ela compreende o mistério que acabava de acontecer e sente que terá que guardar este segredo, e por isso muda de assunto:

- "Sois umas enganadoras. Vocês disseram que a água do canal estava fria, achei-a agradável, estava morna".

Antonieta e Joana não a levaram a sério, porque quando atravessaram o canal, a água estava tão gelada, que do outro lado tiveram que esfregar os pés, fazendo massagem para aquecê-los.

Bernadette sentindo necessidade de falar, de contar aquela maravilhosa experiência, em duas palavras narra tudo a Antonieta. Mas a irmã não acredita e pensa que Bernadette está querendo incutir-lhe medo. Pega a lenha e também acelera o passo para casa.

Mas o caso dá para pensar, porque o acontecido é por demais singular.

Antonieta apesar de ter prometido, em casa, na primeira oportunidade, "bate com a língua nos dentes" e conta tudo à sua mãe. Luiza fica assustada "e quer saber toda história e muito direitinho", por isso convoca a filha. Entre o susto e o medo, ela quase nada falou. Sua mãe a repreende por tal comportamento e o pai, que ainda estava deitado, acrescenta que não quer os olhares dos outros caçoando de ninguém da família.

À noite, na hora das orações, chorou muito, estava bastante comovida com tudo o que lhe havia acontecido. Sua mãe faz-lhe outras perguntas, mas ela nada respondeu.

Entretanto, no dia seguinte ela sente-se atraída a voltar à gruta. A mãe não lhe deixa e imperiosamente ordena: "Para o trabalho". Ela obedece. 

Na tarde de sábado, dia 13, decide ir confessar-se. Conta tudo ao padre Pomian, que silenciosamente ouviu o depoimento. Depois perguntou-lhe, se podia contar ao Abade Peyramale. Ela consentiu.

2ª Aparição - 14 de fevereiro. No domingo dia 14, depois da Missa, as suas colegas resolvem ir a sua casa, pedir consentimento para que ela voltasse à Massabieille pois desejavam ver também o que ela tinha visto. A mãe não permitiu. Todavia depois de muita insistência das meninas, mandou que conversassem com o pai, que estava tratando dos cavalos de João Maria Cazenave.

Com muito jeito conseguiram autorização para se ausentarem somente por um tempo de 15 minutos. E como tinham receios de ser alguma aparição maldosa, decidiram levar um frasco com água benta. Dividíram-se em dois grupos e foram para a gruta.

Ela chegando primeiro com o seu grupo, ajoelhou-se e começou a rezar o terço, enquanto as suas companheiras ficaram de pé ao seu lado.

Na segunda dezena sua face mudou. Seus olhos brilharam fortemente e ela falou para as colegas:

- "Hei-la! 0 terço está no braço... ELA olha para nos".

As companheiras não viram nada. Rapidamente Bernadette apanha o frasco com água benta que estava nas mãos de Maria Hillo e asperge com vigor na direção do vulto, ao mesmo tempo em que o esconjurava:

- "Se vem da parte de Deus, fique, se não, pode ir embora"

Afirmou posteriormente:

- "Quanto mais eu a regava, mais Ela sorria e gastei todo o frasco".

A seguir entrou em êxtase. Empalidece, não ouve mais o que as outras dizem.

As amigas assustadas observam as suas reações.

Suas companheiras acabaram por ficar preocupadas e por isso chamaram Nicolau, o moleiro do moinho de Savy, para retirá-la dali. Mas não foi fácil, porque parecia que ela tinha uma barra de ferro amarrada ao corpo, porque o seu peso aumentou consideravelmente; com muito esforço transportou-a nos braços pelo caminho, enquanto ela mantinha um sorriso nos lábios e os olhos fixos num ponto do Céu.

As meninas foram para as suas casas e as notícias chegaram até Lourdes.

Segunda-feira dia 15, foi um dia terrível porque além de sofrer críticas, suas colegas caçoaram dela.

Mas houve pessoas que se interessaram pelo caso da gruta como Madame de Millet. Decidida a conhecer a verdade, Madame de Millet conquistou Luiza, mãe de Bernadette, dando-lhe trabalho e convenceu-a deixar sua filha voltar à gruta, em sua companhia.

3ª Aparição - 18 de fevereiro de 1858. As 5 horas da manhã de quinta-feira dia 18, Madame de Millet em companhia de Antonieta Peyret encontraram-se com Bernadette, que ainda estava dormindo. Depois participaram da primeira Missa e desceram para a gruta. Antonieta levou consigo caneta e tinteiro do pai, e também papel, para a Visão escrever o seu nome.

Mal começaram a rezar o terço, a vidente murmurou:

- "ELA aí está"!

Terminado o terço, Antonieta entrega-lhe a caneta e o papel. Inocentemente Maria Bernarda leva aqueles instrumentos em direção à Aparição e lhe faz a solicitação combinada:

- "Quer ter a bondade de escrever o seu nome"? A Aparição aproximou-se dela, passando por uma fenda no nicho e da conversa de ambas, nunca se soube nada.

Mais tarde ela contou que, sorrindo, a Aparição lhe disse "que não era preciso escrever" e pediu-lhe que voltasse ali:

- " Quer ter a amabilidade de vir aqui durante 15 dias"?

Foi a primeira vez que ouviu a maravilhosa voz da DAMA, e consentiu imediatamente em voltar à gruta para encontrá-la.

Foi nesta mesma ocasião que a Visão lhe falou:

- "Não prometo tornar-te feliz neste mundo, mas no outro".

No caminho de volta, pensativa Madame de Millet interrogou :

- "E se fosse a Santíssima Virgem Maria"?

As noticias espalharam-se. São formuladas as mais diversas hipóteses sobre o que vai acontecer durante a quinzena de Aparições. A expectativa é coletiva.

4ª Aparição - 19 de Fevereiro. - A vidente ouviu um tumulto de vozes selvagens que parecia saírem da terra e que foram estourar como uma grande explosão, sobre o rio Gave. As vozes mostravam muita revolta e raiva (eram demônios). Um deles gritou mais forte: "Bernardette, salva-te! Vai embora daqui! Vai embora daqui!" A jovem, assustada, pediu ajuda à Aparição. A Virgem MARIA logo se virou para aquela direção, fazendo um semblante ameaçador e tudo cessou imediatamente.

5ª Aparição - 20 de fevereiro - A Virgem MARIA ensinou como fazer bem o sinal da Cruz. A partir deste momento, muitas testemunhas  disseram  que  Bernardette

fazia sempre o sinal da Cruz de modo digno, respeitoso e cheio de fé!

Nossa Senhora ensinou pacientemente, palavra por palavra, uma oração só para Bernadette, que ela devia repetir todos os dias.

6ª Aparição - 21 de fevereiro – A vidente escreve: “A Senhora desviou durante um instante de mim o seu olhar, que alongou por cima da minha cabeça. Quando voltou a fixá-lo em mim, perguntei-lhe o que é que a entristecia e Ela respondeu-me:

A Virgem MARIA disse:

- "Reza pelos pecadores pelo mundo tão revolto."

Depois da Aparição do domingo, dia 21, o comissário Jacomet, levou-a para um minucioso interrogatório no qual certificou-se da simplicidade e da sinceridade da menina e ficou sabendo de outros detalhes da Aparição, apesar de intencionalmente querer confundi-la e forçá-la a não voltar à gruta.

Ela contou assim:

- "A DAMA usava um vestido branco, apertado na cintura por uma fita Azul, um véu branco na cabeça que descia até a altura do busto. 0 vestido era longo e cobria os pés, deixando aparecer só as extremidades, com uma rosa amarela em cada pé, da mesma cor da corrente do terço que trazia na mão direita. Olhava com suavidade e tinha os olhos completamente azuis".

0 interrogatório terminou quando populares conseguiram colocar o pai Francisco Soubirous na sala do Comissário para proteger a filha.

7ª Aparição - 23 de fevereiro.

A Vidente, caminhando de joelhos e beijando o chão, vai do lugar onde se encontrava até à gruta. Nossa Senhora comunica-lhe um segredo que a ninguém podia revelar.

8ª Aparição - 24 de fevereiro.

Na quarta-feira, dia 24, a quantidade de pessoas era maior e já ofereceu uma certa dificuldade para ela chegar ao seu local na entrada da gruta. Haviam cerca de 300 pessoas ávidas de presenciarem algum fato novo. Algumas eram curiosas, mas a maior parte estava postada respeitosamente, em contrita oração, na certeza de que estavam na presença da Mãe de Deus.

Terminada a reza do terço, Bernadete avançou dois passos, arrastando-se de joelhos e prostrando-se com a face na terra beija-a atendendo ao pedido da Aparição, num gesto de penitência. 0 povo não entendeu. Mas depois ela explicou que a Aparição tinha falado uma palavra nova.

A Santíssima Virgem disse estas palavras:

“Reza a Deus pelos pecadores!

Penitência! Penitência! Penitência!

Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores!"

9ª Aparição - 25 de fevereiro

No dia seguinte, a movimentação ao redor de Massabieille começou cedo. Desde as duas horas da manhã as pessoas procuravam localizarem-se nos melhoras lugares.

No momento em que Maria Bernarda chegou, havia mais de 350 pessoas.

Como de costume, rezou o terço em êxtase, depois entregou a Eléonore Pérard, que estava a seu lado, a vela acesa que sempre levou nos seus encontros com a Aparição, dando-lhe também seu capuz. A seguir, sobe de joelhos a pequena declividade até o fundo da gruta. De trecho em trecho faz uma parada e beija o chão. Bem em baixo do nicho, onde encontrava-se a Visão, para e conversam.

A Senhora disse-me:

“Vai beber à fonte e lavar-te nela”

A seguir arrasta-se de joelhos até o rio Gave. Lá, qualquer coisa a detém e ela volta, agora de pé, para o interior da gruta. Abaixa-se e arranha o chão com as mãos e depois cava, como se quisesse fazer um buraco. 0 orifício encheu-se de lama que ela recolhe e passa no rosto, tentou três vezes pegar água, na quarta vez conseguiu.

A Senhora também disse-me:

“Come daquela erva que ali está!”

E comi ervas de folhas cheias de amebinos que cresceram no fundo da gruta.

Terminada a Aparição, volta com o rosto todo lambuzado de barro, causando de certa forma, consternação ao público.

A todos que lhe perguntava explicou:

- "A DAMA mandou eu beber água na fonte e lavar-me nela. Não vendo água, fui ao Gave. Mas ELA fez-me sinal com o dedo para ir debaixo da rocha. Depois de cavar, encontrei um pouco de água como se fosse lama, tão pouca que apenas pude tomar alguma na cova da mão. Três vezes a joguei fora, de tal modo estava suja. Na quarta vez pude. Depois recolhi e comi um pouco de ervas. ELA pediu-me que fizesse isto pelos pecadores".

A tarde, algumas pessoas voltaram à gruta e entre elas Elèonore Pérard. Observaram o buraco que Bernadete cavou, estava uma poça de água lamacenta. No meio dela Eléonore espetou um pau. Apercebeu o ruído da água que corria. Algumas pessoas tentam bebê-la: a água jorra com mais força e vai ficando mais clara, à medida que cavam para recolhê-la.

Começam então a compreender a mensagem:

"uma fonte de água que lavará a alma suja dos pecadores, dos que se arrependem de seus desacertos, daqueles que têm fé em Deus, produzindo o milagre da conversão e da cura dos males".

A notícia espalhou-se. Todos querem beber da água da fonte que brotou no terreno árido do fundo da gruta. Outros a recolhem e levam para seus parentes necessitados. Muitos comentários surgiram e as noticias de curas ouve-se por todas as partes.

Neste mesmo dia é interrogada pelo Procurador Imperial, senhor Dutour, que a exemplo de Jacomet, tentou por todos os meios dissuadi-la a não voltar à gruta, dizendo que aquilo era ilusão . Tudo em vão, permaneceu tranqüila ao lado de sua mãe e até achou momentos para rir, quando o senhor Dutour mostrando-se nervoso, com a caneta na mão não achava o buraco do tinteiro.

Em face do interrogatório, Bernadette responsavelmente antes de tomar qualquer iniciativa foi ouvir a opinião de seus parentes sobre a proibição imposta pelo senhor Dutour de voltar à Massabieille. Sua tia Bernarda falou:

- "Eu no seu lugar ia"!

Sem dizer uma palavra, apanhou seu capuz e seguiu para a gruta. Lá encontravam-se mais de 600 pessoas. Foi rezado o terço e feito alguns exercícios de penitência, mas "Aquerò" como ela chamava a Aparição, não veio.

10ª Aparição - 27 de fevereiro . Nesta visita, a Virgem Imaculada tornou a mandar beijar o chão em penitência pelos pecadores.

11ª Aparição - 28 de Fevereiro. A Senhora sorriu e não respondeu quando a Vidente lhe perguntou o nome.

Mais de 1.150 pessoas presenciaram diversas práticas de penitência e a reza do terço em êxtase. É como dizia:

- "É por penitência, por mim primeiro, pelos outros depois".

12ª Aparição - 1º de março. Na Aparição manda a Bernadette rezar o terço pelas suas contas e não pelas duma companheira, Paulina Sans, que lhe tinha pedido para usar as suas.)

No dia seguinte, segunda-feira, 1º de março, a multidão foi calculada em 1.500 criaturas e viam-se pessoas de todas as classes. Para a curiosidade geral, desponta entre elas a batina preta do Padre Dêsirat. Ele não é de Lourdes e não sabe da proibição imposta ao clero pelo Abade Peyramale . Sua presença causa sensação e em poucos momentos vê-se na primeira fila, com sua miopia compensada por óculos de grossas lentes, numa posição bem próxima da vidente. A descrição que ele faz dos fatos diz tudo:

"0 sorriso ultrapassa toda a expressão humana. 0 artista mais hábil, o ator mais consumado, nunca poderá reproduzir-lhe o encanto e a graça! Impossível imaginar. 0 que mais me tocou foi a alegria e a tristeza que se lhe desenhavam no rosto. Quando um destes fenômenos sucedia ao outro, era com a rapidez do relâmpago. No entanto nada de brusco: uma transição admirável.

Eu tinha observado a criança quando ela chegou e se dirigia à gruta. Tinha-a observado com escrupuloso cuidado. Que diferença entre o que ela era e o que eu vi no momento da Aparição! Respeito, silêncio, recolhimento por toda a parte. Ó, como era bom estar lá! Eu julgava-me no vestíbulo do Paraíso".

Foi também neste mesmo dia, quando ocorreu a 12ªAparição em que aconteceu o primeiro dos sete milagres escolhidos pelo Bispo e considerado realmente como "Obra de Deus".

"Catarina Latapié, proveniente de uma queda de um carvalho, na qual subira para tirar bolotas para os porcos, teve o braço deslocado e dois dedos da mão direita dobrados e paralisados. 0 fato aconteceu em outubro de 1856 e o médico só conseguiu consertar o seu braço, mas os dedos não tiveram jeito. E isto a impedia de fazer o seu trabalho, não a deixava tricotar e nem fiar, estava sendo a sua ruína.

Apesar de encontrar-se grávida de 9 meses, saiu a pé de sua casa na noite do dia 28 de fevereiro, para Lourdes, distante 7 quilômetros, levando os seus dois filhos mais novos.

Assiste a Aparição do dia 1º de março e faz fervorosas preces a Deus por intercessão de Nossa Senhora, pedindo a sua cura. Terminada a aparição, sobe até o fundo da gruta e mergulha a mão na fonte que tinha formado, cujas águas deslizavam mansamente formando um pequeno regato que corria para o Gave.

Um estremecimento acompanhado de uma grande suavidade invadiu todo o seu ser. Ela sentiu de repente, voltar a flexibilidade aos seus dedos. Vibrou de alegria e chorou de satisfação. Emocionada iniciou os seus agradecimentos pela graça alcançada, quando súbitamente sente uma violenta dor nas entranhas, como prenúncio do próximo nascimento de mais um filho. Num gesto ligeiro e contrito, ajoelha-se e com as mãos postas suplica:

- "Virgem Santa, Vós que acabais de me curar, deixai-me chegar em casa"!

Levantou-se, pegou nas mãos de seus filhos e seguiu para sua casa em Loubajac. Assim que chegou, mal teve tempo de chamar a parteira, deu à luz um sadio garoto que recebeu o nome de João Batista e que mais tarde tornou-se sacerdote".

13ª Aparição - 2 de março, eram mais de 1.650 pessoas em Massabieille. Com maior dificuldade Bernadete chegou ao "seu local".

Na Aparição a Senhora disse:

- "Vai dizer aos sacerdotes que tragam o povo aqui em procissão e Me construam uma Capela".

Por essa razão, mais tarde em companhia das tias Bernarda e Basília , foram encontrar-se com o Abade Peyramale, para levar-lhe a notícia.

0 Senhor Abade era um homem severo, de caráter íntegro e muito exigente na observância do direito e da ordem. Já tinha ouvido os comentários sobre Bernadette e as Aparições na gruta, assim como as notícias de curas e os comentários maldosos do jornal local. Não se decidira sobre os fatos, mesmo porque não dispunha de elementos que lhe oferecesse condições de optar. Intimamente aceitava com simpatia a possibilidade da Aparição ser verídica, em face dos muitos comentários favoráveis. Mas na sua posição, não podia considerar comentários e nem indícios, era preciso haver alguma coisa sólida, que se mostrasse de modo concreto, para que pudesse apreciar os acontecimentos. E apesar de possuir um coração bondoso e paternal, o momento exigia que procedesse com cautela, até com rudeza, se fosse necessário, para deixar aparecer a verdade transparente.

- "És tu que vais à gruta"?

- "Sim, Senhor Abade".

- "E dizes que vês a Santíssima Virgem"?

- "Eu não disse que era a Santíssima Virgem".

- "Então quem é essa Senhora"?

- "Eu não sei".

- "Ah, tu não sabes! Mentirosa! E no entanto esses que fazes correr atrás de ti dizem e o jornal imprime, que tu pretendes ver a Santíssima Virgem. Então o que é que tu vês"?

- "Qualquer coisa que parece uma Senhora".

- "Ora essa! Uma Senhora! Uma procissão"!

Aborrecido olha para as duas tias que a acompanha e lembra-se que elas conceberam antes de se casarem, e desabafa:

- "Que desgraça ter uma família destas que faz a desordem na cidade! Desapareçam daqui imediatamente"!

As três saíram o mais depressa que puderam e imaginem o tamanho do "apuro"... Disse Bernadete:

- "Não me apanham mais a vir à casa do Senhor Abade" !

Mas, logo que caminharam alguns passos, lembrou-se que não tinha transmitido toda a mensagem ao Senhor Abade. Esquecera-se de falar na "Capela". Quis voltar, mas as tias protestaram:

- "Não contes comigo! Tu põe-nos doentes"!

Depois de muito procurar, conseguiu que Dominiquette Cazenave a acompanhasse. Marcaram uma entrevista para às 19 horas. Estavam lá além do Abade Peyramale os Padres Péne, Serres e Pomian (o confessor dela). Transmite a segunda parte do recado:

- "Vai dizer aos sacerdotes para construírem aqui uma Capela".

- "Uma Capela? Como para a procissão? Estás certa disso" ?

-"Sim, senhor Abade, estou certa".

- "Ainda não sabes como ela se chama"?

- "Não , Senhor Abade".

- "Pois bem, é preciso perguntar-lhe".

Depois de responder mais algumas perguntas dos outros padres, despediu-se, e com sua acompanhante voltou para casa.

No dia seguinte mais de 3.000 pessoas a aguardavam na gruta. A multidão rezava ansiosa desde muito cedo. Mas a Visão não apareceu. E como nos dias 22 e 26 de fevereiro, regressou perturbada.

Todavia, neste mesmo dia, mais à tarde, voltou à gruta e desta vez encontrou-se com a Visão.

Ao regressar à cidade, foi conversar com Peyramale:

- "Senhor Abade, a Senhora sempre quer a Capela ".

- "Perguntaste-lhe o nome"?

_ "Sim, mas ela apenas sorriu".

- "Troça valentemente de ti". - Faz uma pausa e depois diz: - "Pois bem, se ela quer a Capela que diga o seu nome e faça florir a roseira da gruta. E então nós mandaremos construir uma Capela e não será muito pequena, será muito grande".

14ª aparição - 3 de março. A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entradecer e deu explicação.

“Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a.”

15ª Aparição - 4 de março. No segundo mistério do primeiro terço, Bernadette começa a ver Nossa Senhora. Acabou esse terço e rezou outros dois, refletindo ora alegria, ora tristeza.

      Durante esta quinzena, Nossa Senhora comunicou à menina três segredos e uma oração com esta ordem:

“Proíbo-te de dizer isto, seja a quem for.”

Era aguardado com grande expectativa porque era o último da quinzena de aparições. A polícia pediu reforço policial de d'Argelès e de Saint Pé, cidades vizinhas de Lourdes, para ajudar na manutenção da ordem, no sentido de evitar qualquer excesso. A estimativa era para mais de 8.000 pessoas ao redor da gruta. Para que Bernadette, pudesse chegar ao local, fizeram uma passarela de madeira, que lhe facilitou o acesso. Ela veio acompanhada de sua prima Joana Véderè, que tinha 30 anos de idade e ficaram juntas perante a Aparição.

Ajoelharam e começaram a rezar o terço. Quando iniciavam a terceira Ave Maria da segunda dezena, entrou em êxtase.

A multidão com o olhar acompanhava tudo e apreciava a beleza do Sinal da Cruz que ela fazia.

0 comissário Jacomet tirou o seu caderninho de Notas e escreveu "34" sorrisos e "24" saudações em direção a gruta.

Terminada a Aparição, apagou a vela e, indiferente a presença de toda aquela gente, tomou o caminho de sua casa.

Muitos ficaram desapontados e perplexos, porque esperavam algum milagre ou alguma revelação. Não aconteceu nada, visualmente. No ar ficaram muitas perguntas e uma grande expectativa: será que terminaram as Aparições?

Maria Bernarda foi encontrar-se, com o Senhor Abade e dar-lhe notícias do "encontro".

- "Que te disse a Senhora"?

- "Perguntei-lhe o nome... Ela sorriu. Pedi-lhe para fazer florir a roseira, ela sorriu outra vez. Mas ainda quer a Capela".

- "Tu tem dinheiro para fazer essa Capela"?

- "Não, Senhor Abade".

- "Eu também não . Diz à Senhora que lhe dê".

Peyramale estava desconsolado por não ter obtido nenhuma informação segura, sobre a Aparição. Ela também, mas sem poder fazer nada, voltou triste para casa.

No dia 18 de março é submetida a um severo interrogatório e declara:

- "Não penso ter curado quem quer que seja e de resto não fiz nada para isso. Não sei se voltarei à gruta".

Mas independentemente das aparições continuarem ou não, a afluência era cada vez maior. Diariamente muitas pessoas iam lá para rezar, para recolher água da fonte ou para bebê-la. Todos acreditavam que quem esteve lá foi a Santíssima Virgem. As velas multiplicavam-se no dia 18 eram 10 ; no dia 19 havia 21 velas; já no dia 23, colocaram no nicho das aparições, uma imagem de gesso da Virgem Maria, doada por um senhor, Felix Maransin

Do dia 4 de março quando ocorreu a última aparição, ou seja a 15ª, até o dia 25 do mesmo mês, Bernadete procurava levar uma vida normal, ao lado de seus familiares no "cachot". Mas foi impossível, porque era solicitada para interrogatórios, por visitantes que faziam filas intermináveis à porta de sua casa, querendo conversar, abraçá-la e pedir-lhe que tocasse com as mãos em objetos que levavam. Eram pessoas que buscavam graças e outras que vinham contar milagres alcançados pela bondade e o carinho intercessor de Nossa Senhora.

Não tinha mais sossego. Às vezes quase perdia a paciência:

- "Tragam-me todos ao mesmo tempo".

De outras vezes, cansada, precisando de repouso. queria isolar-se:

- "Fechem a porta à chave"!

E jamais aceitou e não deixou que nenhum de seus familiares aceitassem gratificações em dinheiro ou presentes, por qualquer razão que fosse:

- "Isso queima-me! Por favor, não façam isso"!

Quando perguntavam-lhe se a Dama voltaria, simplesmente dizia que não sabia. Só podia afirmar que ELA queria sempre uma Capela e que os sacerdotes fossem em procissão à gruta.

16ª Aparição - 25 de março. Na manhã da festa da Anunciação a Revelação: 

“Eu sou a Imaculada Conceição”.

No despertar daquele dia 25 de Março de 1858, Bernadette sentiu-se novamente  'pressionada' para ir à gruta. Era uma força estranha que nascia em seu interior, que não sabia explicar. Mas era muito cedo e seus pais lhe aconselharam esperar o dia clarear. Às 5 horas da manhã já pôs-se a caminho. Depois de rezar o terço em êxtase, levantou-se e caminhou em direção à Aparição e conversaram:

- “Mademoiselle, quer ter a bondade de me dizer quem és, se faz o favor”?

“Aqueró” sorriu, não respondeu.

Ela insiste na solicitação, a segunda e a terceira vez, obtendo como respostas um sorriso carinhoso e modesto da Visão.

Mas Bernadette tinha a necessidade de saber o nome DELA, precisava levar esta notícia ao Senhor Abade, porque caso contrário, ele não construiria a Capela. Por isso, com mais amor e decisão insistiu uma quarta vez suplicando que ELA dissesse o seu nome.

Desta vez a Aparição não sorriu mais, ficou séria.

As mãos que estavam unidas afastaram-se estendendo sobre a terra e depois novamente juntas à altura do peito, levantou os olhos ao Céu em sinal de profunda humildade e obediência a Deus e disse:

- “EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO”.

Dito isto, desapareceu.

Bernadette retornou a si e para não se esquecer das palavras, repetiu-as várias vezes em seguida, tropeçando nas letras que mal sabia pronunciar. Fugiu das perguntas de todos e correu para a casa do Senhor Abade Peyramale. Lá chegando, antes mesmo de cumprimentá-lo gritou:

- ' Que soy era Immaculada Councepciou' (no seu dialeto patois de Lourdes) 'Eu sou a Imaculada Conceição'.

0 Abade ficou perplexo. Não sabia se sorria ou ocultava o seu júbilo, procurando num último esforço, certificar-se do óbvio:

- 'Pequena orgulhosa, tu és a Imaculada Conceição'!

- 'Não, não, não eu'.

Peyramale sente que está diante de uma grande revelação: 'A Virgem é concebida sem pecado'.

Apesar de ter sido decretado em 8 de dezembro de 1854 , o Dogma da Imaculada Conceição de Maria não era aceito por todos os católicos, principalmente por alguns teólogos que defendiam a universalidade da redenção e do Pecado Original. Isto é, atribuíam a Nossa Senhora o mesmo privilégio que teve João Batista, de ter a santificação antes do nascimento. Mas não aceitavam a imunidade do Pecado, isto é, não aceitavam que Maria Santíssima fosse preservada do Pecado Original, mesmo considerando a sua condição especial de Mãe do Redentor.

Por este motivo o Abade explodia intimamente de satisfação e se preocupava em saber da realidade. Pela santíssima vontade de Deus, a partir daquele momento Nossa Senhora deixava realçar com todo brilho, a sua grandeza notável e ilimitada, porque ELA própria confirmava que teve uma Conceição Imaculada. Por isso Peyramale se debatia:

- 'Uma Senhora não pode usar esse nome! Tu enganaste sabes o que isso quer dizer'?

Maria Bernarda diz que não, abanando a cabeça.

- 'Então como podes dizê-lo, se não compreendes o que é'?

- 'Repeti todo o caminho'.

No silêncio que se seguiu, Peyramale ficou pensativo com um suave sorriso nos lábios. Bernadete interrompe o silêncio e diz:

- 'ELA sempre quer a Capela'...

0 Abade no íntimo deve ter respondido que não só uma Capela, mas uma monumental Basílica. A partir daquele momento a DAMA estava dispensada de fazer qualquer milagre, de fazer florir a roseira selvagem da gruta. Era ELA, a Mãe de Deus, a Nossa Querida Mãe que veio visitar-nos com o objetivo de revelar-nos um grande mistério divino e pedir penitência ao mundo, para que todos rezassem pela conversão dos pecadores e tivessem uma conduta responsável e digna. Peyramale estava emocionado. Tentava esconder sua alegria e por isso, para salvar as aparências, falou com ela:

- 'Vai para casa, falaremos outro dia'.

Os dias passaram e o clero com muita alegria e vibração comemorou a revelação do grande mistério.

Dia 6 de abril Bernadette, sentiu-se novamente 'pressionada' para voltar à gruta. Aquela força estranha e agradável a impulsionava para Massabieille. Como já havia passado das 15 horas, foi encontrar-se com o Padre Pomian no confessionário. Algumas pessoas que a observava, se incumbiram de espalhar os boatos. A cidade ficou na expectativa de algum acontecimento.

17ª Aparição - 7 de abril. Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou-lhe pela mão atingindo-lhe os dedos.

      - Meu Deus, ela queima-se! - gritam várias pessoas.

      - Deixem-na estar! ordena o Dr. Dozous.

      Bernadette não se queimou.

        No dia seguinte, quarta-feira da Páscoa, antes do sol nascer já encontrava-se na gruta, acompanhada inicialmente por uma centena de pessoas que logo aumentou para 1.000, quando iniciou a reza do terço.

        Nas primeiras AVE MARIA da primeira dezena, entrou em êxtase. 0 Doutor Dozous, que vinha estudando o seu caso, surge no meio da multidão pedindo passagem, pois queria estar ao lado dela, para presenciar suas reações fisionômicas. E abrindo passagem entre o povo que contritamente rezava dizia:

        - 'Não venho como inimigo, mas em nome da ciência. Corri e não posso me expor às correntes de ar. Só eu posso verificar o fato religioso que aqui se dá, deixem-me prosseguir este estudo'.

        Neste dia, ela utilizava uma grande vela que se apoiava no chão. Foi fornecida por uma pessoa que tinha alcançado uma graça. Com sua mão tentava proteger a chama da vela, da corrente de ar. Mas no transe em que se encontrava, não posicionou corretamente a mão esquerda em forma de concha sobre o pavio aceso, de modo que a chama da vela passava por entre os seus dedos.

        - 'Mas ela queima-se' - gritaram da multidão.

        - 'Deixe estar' - pediu Dozous.

        Ele não acreditava naquilo que seus olhos viam, os sorrisos de Bernadete, os Sinais da Cruz, feitos com tanta graça , sua fisionomia séria em vários momentos compartilhando duma tristeza da Visão e a chama da vela que passava por entre seus dedos, sem queimá-los, sem provocar dores.

        Terminado o êxtase, examinou as mãos da vidente e não encontrou o menor sinal de queimadura. Para testar a sua sensibilidade, acendeu a vela e sem que ela percebesse, aproximou a chama de sua mão. Ela gritou e protestou: 'Está querendo me queimar'? Dozous, homem de atitudes extremas, viu crescer repentinamente em seu coração uma fé gigantesca. Da mesma forma que seu caráter explosivo o levava muitas vezes a defender suas convicções abertamente e com decisão, espalhou a novidade com disposição, convencido que estava diante do sobrenatural na gruta de Massabieille.

        No 'Café Francês' que era o ponto de convergência para os 'bate-papos' também para os 'mexericos', Dozous proclamou com segurança e fartos argumentos, a existência do extraordinário em Lourdes. Em dado momento, ele assim expressou-se:

        - 'É um fato sobrenatural para mim, ver Bernadete ajoelhada diante da gruta, em êxtase, segurando uma vela acesa e cobrindo a chama com a mão esquerda, sem que pareça sentir a mínima impressão do contato com o fogo. Examinei-a. Não encontrei nem o mais ligeiro sinal de queimadura' .

        Mas continuava a existir também os descrentes, aqueles que não aceitavam os fatos e caçoavam dos freqüentadores da gruta. Eles atuaram sobre os administradores pedindo providências contra 'aquilo' que chamavam de 'palhaçada'. 0 Prefeito resolveu proibir o acesso a gruta. Mandou retirar todos os objetos religiosos que tinham sido colocados lá.

        Os pais e amigos de Bernadete, para evitar complicações, a enviaram para Cauterets, a titulo de tratar de sua asma. Contudo a sua ausência em nada influiu no fervor das almas piedosas, que se manifestavam claramente e todos os dias. Eram organizadas procissões, cânticos e orações com a maior participação possível. Por outro lado, alguns procuravam dotar a gruta de certo conforto, colocando na fonte de água um bacia com três torneiras, para facilitar a utilização. Pedreiros, carpinteiros e funileiros trabalhavam gratuitamente e com desprendimento, melhorando o acesso, colocando uma tábua furada para receber as velas, empregando os seus esforços com o objetivo de tornar a gruta um recanto aprazível de devoção mariana.

        As autoridades vendo que não conseguiam nem acabar e nem diminuir a freqüência das visitas à gruta, decidem fechá-la. No dia 15 de junho o Prefeito mandou fazer uma barreira constituída por uma paliçada de madeira, que isolava a área da gruta.

        O povo, no dia 17, destruiu a paliçada. As barreiras são reconstruídas no dia 18 e são demolidas pelo povo na noite do dia 27. Tornam a serem reconstruídas no dia 28 de junho, para novamente serem demolidas na noite do dia 4 de julho.

        No dia 8 de Julho a Igreja intervêm oficialmente, pela primeira vez, pedindo tranqüilidade ao povo e respeito às autoridades.

        No dia 10 foram levantadas as barricadas novamente. Bernadete mantinha-se distante eindiferente a toda esta movimentação. Nas oportunidades que surgiam, recomendava obediência e desaconselhava que arrebentassem a paliçada na gruta.

18ª Aparição - 16 de julho. Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja.

Ao entardecer sente que Deus a chama para a gruta, como das vezes anteriores, e lá chegou por um caminho que ninguém suspeitou. Foi em companhia de sua tia Lucilia, camuflada com um capuz emprestado; mas não pode aproximar-se devido à sebe, e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto.

Junto à cerca de tábuas que isolava a gruta, encontrava -se um grupo de pessoas, que de joelhos e silenciosamente rezavam. Ela ajoelhou e acendeu sua vela. Duas congregadas marianas que a reconheceram, juntaram-se a ela e à sua tia, em silêncio. Apenas começara o terço, as suas mãos afastaram-se comovidas, numa saudação de alegria e surpresa. Nossa Senhora estava lá. A sua face iluminou-se e suas feições adquiriram uma indescritível formosura.

A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe.

Terminada a reza do terço, pelo seu rosto podia-se ver estampada a felicidade que brotava de seu íntimo, a alegria de mais uma vez ter-se encontrado com a MÃE de DEUS. Ela não comentou nada. No caminho de regresso, apenas disse:

“Não via o rio, nem as tábuas - explicará ela mais tarde. Parecia-me que entre mim e a Senhora, não havia mais distância que das outras vezes. Só via a ELA. Nunca a vi tão bela”

Foi o último adeus da Senhora até ao céu.

Aconteceu como se fosse uma visita de despedida, Nossa Senhora sempre bondosa, cheia de carinho e atenção, desceu à terra mais esta vez, para o derradeiro adeus à sua amiga.

Qual é a mensagem que se desprende das 18 aparições de Lourdes?

“O elemento principal - responde Laurentin, grande teólogo da Virgem - é a manifestação de Maria na sua Imaculada Conceição... O resto é em função deste primeiro elemento e pode também resumir-se numa palavra: “em contraste com a Virgem sem mancha, o pecado...”  Mas, inimiga do pecado, Ela é também amiga dos pecadores, não enquanto estão ligados às suas faltas ou se gloriam delas, mas enquanto se vêem esmagados pelo sofrimentos físicos e morais, conseqüência do pecado.

         Reduzida à sua expressão mais simples, poderíamos sintetizar desta forma a mensagem de Lourdes: A Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores.

 

Fonte: Derradeiras Graças

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