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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Testemunha muda da ressureição do Senhor

Durante aquela noite, Cristo havia vencido a morte, ressucitando por Seu próprio poder. Ao retomar a vida, Seu corpo glorioso ficara miraculosamente marcado na Santa Síndone, onde já havia sinais anteriores do Preciosíssimo Sangue emanado das chagas de Sua Paixão.

Com efeito, na parte interna desse sagrado tecido, que estava em contato com o Corpo, podemos ver hoje, impressa de forma inexplicável e com incrível nitidez, a figura de um homem morto por crucifixão. Não sinais de pigmentos corantes nem de marcas de pincel. Pelo contrário, as fibras de linho encontram-se parcialmente desidratadas em minúscula profundidade, adquirindo deste modo diferentes tonalidades (Aqueles que defendem ser a Santa Síndone uma falsificação medieval não conseguiram, até a presente data, reproduzir a suposta “falsificação”, condição necessária para tornar verossímil sua tese. Também não lhes foi possível explicar, de forma satisfatória, qual teria sido a técnica utilizada para estampar a imagem do Redentor no Sagrado Tecido). E a milagrosa imagem assim estampada reflete a dolororíssima Paixão de um Varão que, na força da idade, suportou padecimentos que desafiam a capacidade humana  de sofrer (Há numerosos estudos científicos sobre a Santa Síndone ao alcance de qualquer pessoa, entre os quais o livro de BARBERIS, Bruno y BOCCALETTI, Massimo. Síndone – imagine su un crocifisso, editado este ano em Milão pela San Paolo [Paulinas], no qual estão baseadas algumas das afirmações feitas neste artigo. Pode-se também consultar o site do STURP [www.shroudstory.com], um grupo de cientistas que, desde 1978, analisa o milagroso tecido sob diversas perspactivas).

De adequadas proporções, com um metro e oitenta três centímetros de altura, ampla fronte, cabelos abundantes caindo ordenadamente até os ombros, uma nobre barba dividida em duas partes, espessas sobrancelhas, bigode cerrado – possuía todas as características de um homem bem constituído.

Ressalta logo em seu rosto a marca de um violento golpe que lhe quebrou o septo nasal e causou grande inflamação em toda a face direita (Estando ele na casa de Caifás, “um dos guardas presente deu uma bofetada em Jesus dizendo: ‘É assim que respondes ao sumo sacerdote?’”[Jo 18,20]. Para alguns exegetas, o termo grego mais que uma bofetada queria indicar um golpe com um bastão ou uma vara, capaz de romper o tapique nasal). Notam-se também as marcas do terrível tormento da flagelação, aplicada por dois algozes romanos, usando o pior dos açoites – o flagrum –, composto por três tiras de couro com bolas de metal nas pontas. Para aplicar-Lhe esse suplício, ataram o réu a uma coluna de pouca altura, expondo Suas costas aos golpes de látego. Há sinais de mais de 120 vergastadas na parte posterior do corpo, além de 70 outras nos braços, na parte dianteira das pernas e no peito.

Sobre Sua cabeça foi colocado um entrançado de ramos espinhosos, com pontas de quatro a seis centímetros. Uma delas atravessou a sobrancelha esquerda, a ponto de quase impedir a abertura da pálpebra.

As grosseiras cordas com que O ataram deixaram marcas nos Seus pulsos e povoaram Sua cintura com coágulos de sangue, especialmente na parte das costas. Os ombros se apresentam escoriados, por haver suportado,  durante um longo percurso, o peso de um áspero madeiro. Nos joelhos, nos peitos dos pés e no nariz há sinais de violentas batidas na terra, que abriram novas feridas. Nota-se em uma de Suas mãos a marca das feridas provocada pelos cravos, das quais jorrou sangue em abundância, correndo pelos braços até os cotovelos. E os pés, pregados um sobre o outro, mostram-se quase totalmente banhados em sangue, inclusive na parte das plantas.

JOSÉ MANUEL JIMÉNEZ ALEIXANDRE. Arautos do Evangelho, nº 103, julho de 2010, pgs 20-21.

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