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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Saramago, com asas sem querer voar

Motivado pelo meu grande apresso pela obra deste escritor e sempre tendo um sentimento de indignação por saber que tinha todos as qualidades para alçar vôo a Deus, escrevo uma reflexão sobre a produção literária e a chance perdida por Saramago.De infância pobre José Saramago sempre demonstrou forte inclinação a vida de escritor, passando por uma experiência como jornalista, sempre escrevendo conseguiu chamar a atenção para sua obra. As vezes abordava temas controversos ou que demonstrava a desorientada concepção que tinha sobre temas religiosos, principalmente, mas sem deixar de escrever de modo excelente. Mesmo livros como O evangelho segundo Jesus Cristo e o recente Caim, apesar de seu conteúdo que manifesta grande desconhecimento dos meandros da teologia e da história da Igreja, seu modus literário cativa as mentes para o mundo dos textos. O grande mérito de Saramago, sem nenhuma objeção foi levar consigo a língua portuguesa ao destaque no cenário literário mundial, dito isto, não vejo vejo nenhum exagero em o igualar a Salinger – falecido também este ano, escritor de O Apanhador do Campo de Centeio – principalmente no talento inegavelmente explícito.
Este lugar de destaque de Saramago o levou inevitavelmente ao sucesso almejado pela maioria dos escritores. Nunca tivemos um escritor de língua portuguesa, depois Camões e Padre Antonio Vieira, com tanta aclamação no mundo literário, algo que culminou em um Prêmio Nobel de Literatura em 1998.
Com tanta aprovação pelo percurso sofrido e com tanto talento não posso pensar em outra coisa a não ser o de como este escritor teve oportunidade para alçar vôo até o nível dos magnos escritores e como teve a possibilidade de alcançar o mundo divino a que estes magnos escritores podem chegar. Saramago poderia se igualar a Agostinho, por exemplo, talvez não em santidade e sabedoria teológica, mas em abertura a inspiração divina para aliar a seus textos. Nada seria mais glorioso a Saramago se pudesse contar com aquela inspiração divina que somente os tementes a Deus podem obter, jamais o ateus.



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