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Bom escritor, mas não homem de Deus!

Não posso deixar de manifestar meu desapontamento com a igreja católica em Portugal ao vir a público expressar um sentimento de pesar pela morte deste escritor que nunca escondeu de ninguém seu agnosticimo arraigado sem falar de sua adesão as ideologias comunistas, aliás, ele se dizia comunista (confira vídeo abaixo de entrevista a Edney Silvestre da Rede Globo) e o queria sê-lo até a morte.

Não nego seu imenso talento como escritor, sua habilidade com as narrativas. Serei sempre um dos primeiros a dizer a grande justiça que foi realizada ao darem a ele o Nobel de Literatura. Eu mesmo li várias de suas obras e se cruzar com alguma que ainda não tenha lido com certeza o lerei.

Apesar disso, minha coerência não deixa que “incense” ou “santifique” quem sempre acusou a Igreja Católica de manipuladora da verdade e consequentemente dos milhões de fiéis pelo mundo através de sua doutrina tenteciosa!

Como todos os que partem deste mundo, rezo pelo encontro com o Senhor e a paz eterna sem “colocar” ninguém no céu muito menos no inferno.

Abaixo nota do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) de Portugal.

***

Igreja expressa pesar pela morte de José Saramago (http://www.snpcultura.org/pcm_igreja_expressa_pesar_pela_morte_jose_saramago.html)

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura. José Saramago ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres.

Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença.

Lisboa, 18 de Junho de 2010

Também em:

José Saramago: «grande criador da língua portuguesa» (http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=80214)

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, “grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura” – lê-se num comunicado do referido secretariado que tem como director o Padre e poeta Tolentino Mendonça.
Falecido hoje (dia 18 de Junho), na ilha espanhola de Lanzarote, o único português galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, contava com 87 anos de idade. O comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura realça que José Saramago “ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres”.
O cristianismo e o texto bíblico “interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária”. E acrescenta: “Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar”. “O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos” – lê-se
Nascido em Azinhaga, Golegã, a 16 de Novembro de 1922, José Saramago foi um profícuo escritor. «Terra do Pecado»; «Levantado do Chão»; «Memorial do Convento»; «O Ano da Morte de Ricardo Reis»; «A Jangada de Pedra»; «O Homem Duplicado», «Ensaio Sobre a Lucidez»; «As Intermitências da Morte», «A Viagem do Elefante», e «Caim» são algumas das obras saídas da pena deste Nobel português.


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