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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

OCASO

“Última chamada para o Võo 765 com destino à Curitiba”. Através deste som suave e firme foi que me acordei como que atraso para sair de casa para o trabalho de manhã. Era o meu vôo. Esperava-o ansioso, pois não via a hora de poder estar numa praia de Florianópolis sentindo aquele sol que fazia a pele arder, aquele ventinho suave que ficava mais forte em dias de tempo nublado com os grãos de areia beliscando a pele.

Embarquei no avião a espera de dias emocionantes e reflexivos!
Reflexivos porque acabara de brigar definitivamente com minha namorada e disto resultou uma definitiva separação. Fazia quatro anos que estávamos juntos. Esperava depois de tantos anos sendo cúmplices um do outro, o casamento. Tinha certeza que ela era o amor de toda a minha vida.

Descobri uma coisa que no fundo já sabia: os seres humanos erram, e acabam descobrindo seus erros.
Que bom, um quiosque junto a areia da praia! Tudo perfeito, poderia tomar um cervejinha com os olhos na imensidão do mar, com pensamento tão distante quanto o horizonte que se desenhava a minha frente.

Olho para o lado e vejo que um menino tenta fazer um castelo na areia. ‘Mas que bobo’, pensei. Um castelo de areia pode ser tão frágil, no entanto é um visualização de algo que vi em algum lugar ou visualização de algo que pensava ver ou ser real.

Algo tão concreto como o casamento pode ser uma visualização. Pode ser de uma vida feliz e estável, fincada sobre uma rocha, firme.

Mas como os castelos de areia são frágeis. Basta encostar o pé que eles desmoronam! A visualização do casamento desmorona com um simples toque, assim o percebi, assim o aprendi. Por quê? Porque nesta visualização ao contrário do castelo de areia sempre tem uma outra pessoa, um outro ego, um outro orgulho, uma outra mentalidade.

Estava terminando minha terceira cerveja e via o sol querendo descansar no já familiar horizonte. Tenho mais alguns dias na praia… sempre verei o ocaso.

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