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domingo, 8 de novembro de 2009

CMC: Livro I – Parte I – Capítulo I – Artigo III [n. 36]

36. 2. A imputabilidade diminue na medida em que certas idéias e imagens se apoderam da razão do doente de tal maneira que ele não possa pensar mais em outras coisas ou somente com muita dificuldade, o que paralisa inteiramente o livre arbítrio ou ao menos o limita fortemente. A causa por que certas idéias ocupam totalmente a razão é talvez a mesma força delas que elimina da consciência todas as outras idéias ou provêm de que elas não cheguem à tona da consciência ou não aflorem senão de fugida e imperceptivelmente.

O idiota, por exemplo, ao incendiar uma casa pensa, às vezes, unicamente no prazer que lhe proporcionará a vista das chamas, sem se lembrar sequer do dano e do pecado. – Acontece que o homem doentiamente melancólico veja apenas seus próprios temores e como única saída deles o suicídio; não se lhe apresentam no momento reflexões morais opostas. Ao caráter volúvel, de inconstância patológica, poderão vir na hora da tentação, idéias morais opostas, mas antes de elas exercerem verdadeiro influxo, são recalcadas por outras representações. – Psicopatas de sensibilidade muito embotada não se impressionam com atos de crueldade aos quais não reconhecem a malícia de que na realidade se revestem. – O psicopata fantástico e de tendências megalomaníacas é influenciado desmedidamente por tudo aquilo que favorece a sua mania e suas idéias; só estas lhes merecem atenção ao passo que todas as idéias contrárias desaparecem mais ou menos do plano da consciência. – No homem morbidamente irritável, os afetos, por exemplo de ira, medo, podem-seintensificar a tal ponto que o infeliz não tenha senão uma idéia, a que  corresponde a seus afetos, e sem mais refletir passa a realizá-la. – Psicopatas sem vontade, por vezes, não se resolvem a uma coisa ou não a realizam porque não tem consciência bastante nítida do seu dever. A razão disso pode estar ou na sensibilidade que, por falta de energia, não salienta suficientemente este dever, ou nos, sentimentos de antipatia que dominam por completo a consciência.

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