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sábado, 7 de novembro de 2009

CMC: Livro I – Parte I – Capítulo I – Artigo III [nn. 29-35]

29. VI. As doenças mentais. São afecções mórbidas do cérebro ou do sistema nervoso que influem prejudicialmente sobre a razão e a vontade.

Doenças funcionais são as que se manifestam pela alteração das funções orgânicas sem que se possa verificar alteração patológica nos próprios órgãos. – Doenças nervosas orgânicas são aquelas que deixam na substância nervosa vestígios de um processo patológico, por exemplo, amolecimento cerebral.

30. 1. Alguns fenômenos de doenças mentais.

  • A neurastenia é uma fraqueza constante do sistema mervoso que o faz sucessivamente sujeito a impressões, acompanhada de cansaço prematuro.

Os neuratênicos sentem as impressões de fora e o cansaço interior com uma força desproporcionada com a realidade. Muitas vezes julgam sofrer de diversas doenças ainda que seu corpo se ache em estado de perfeita saúde. A depressão psíquica perturba também a atividade da vontade à qual falta, em consequencia dos sentimentos de mal estar, a força para se resolver (abulia) ou para pôr por obra o resolvido (inércia).

31.

  • A história  consiste numa excitabilidade doentia, em virtude da qual certos estados psíquicos, veladamente relacionados com o instinto sexual, podem influir extraordinariamente sobre o procedimento exterior e os movimentos do corpo.

Os histéricos ou reagem de modo anormal, ou não reagem de todo ou muito pouco em presença das mais fortes excitações. A consequência é a anomalia na vida afetiva.  É característica do histérico a excitabilidade afetiva: explosões de raiva desmedida revezam-se com alegre expansão. – O egaísmo e a mania de se fazer notar e valer são muito avultados, como também a propensão para mentir e roubar e, não raro, para a libertinagem. O sacerdote deve usar de toda a prudência no trato com os histéricos.

32.

  • A obsessão é um estado psíquico contra o qual a vontade é incapaz de reagir de modo que o obsesso é coagido a pensar ou agir de tal ou tal maneira.

Há imagens, sensações, olhares, dúvidas e atos que se tornam obsessão. A esta categoria pertencem as diferentes manias como por exemplo, a cleptomania, bem como os instintos irresistíveis.

33.

  • A hipocondria é um estado doentio causado por molestos sentimentos de depressão e por certo mal estar do organismo a que uma fantasia angustiada atribue importância excessiva.

O hipocondríaco julga-se assaltado de todas as doenças possíveis: nas fezes procura tênias, no escarro bacilos de tuberculose, de simples excrescência na língua faz um cancro, na erupção subcutânea suspeita sífilis, na pressão da cabeça indícios de paralisia cerebral. A hipocondria pode degenerar a tal ponto que o doente chegue às conclusões mais grotescas: de ter um rã no corpo, de lhe faltar o intestino ou o cérebro. É natural que daí resultem estados de angústia; o doente alarma-se sobremaneira, fica sujeito a convulsões e tem tendências para o suicídio.

34,

  • A melancolia é uma constante tristeza anormal causada por uma sensibilidade que se deixa impressionar por estimulos insignificantes de desgosto que não impressionaram homens normais.

Não se confunda a melancolia-doença com a melancolia-temperamento. Os melancólicos são incapazes de se alegrarem, pois que tudo lhe causa tristeza, até as palavras de conforto e as tentativas de animá-los. Acresce que as imagens da fantasia se sucedem lentamente e sem espontaneidade. As associações de idéias realizam-se mal e a memória não fornece as recordações que se desejam. – A vontade, posta em face de inúmeros obstáculos, dificilmente chega a tomar uma resolução e mais dificilmente ainda a realizá-la. Às vezes falta todo o sentimento tanto de alegria como de desgosto, estabelecendo-se uma verdadeira apatia. Doentes neste estado queixam-se não de aridez interior, de incapacidade de amar os seus, de orar, de se arrepender.

Os entraves psíquicos podem assumir proporções tais que tolham todo o movimento do corpo. – Os sentimentos de angústia que sempre acompanham a melancolia, podem levar o doente a correr de cá e de lá, a roer as unhas, a fazer gestos de desesperado, a arrancar cabelos, a gemer, suspirar, lamentar-se, gritar, chegando até ao frenesí. – Conjuntamente nascem na mente do enfermo idéias maníacas, por exemplo, de levar ou ter levado vida ímpia, associando-se às vezes também idéias hipocondríacas. Podem-se ademais originar alucinações e ilusões: o doente vê o demônio, ouve vozes ameaçadoras, etc. Doentes neste estado propendem muito para o suicídio porque a morte se lhes afigura como meio de escapar à angustia ou como expiação de culpa: são pensamentos que cruzam o cérebro como relâmpagos e extinguem todas as idéias contrárias. Os melancólicos geralmente escondem seus planos de suicídio. As formas mais pronunciadas de melancolia fazem parte das verdadeiras doenças mentais.

35.

  • Depressões psicopáticas são estados de fraqueza intelectual ou moral.

Acontece que a inteligência de um ou outro psicopata seja notável, mas ela não deixa de ter seu cunho de anormal. Em geral porém é inferior. Os psicopatas descuidam-se nas suas ações criminosas das regras mais elementares da prudência e prestam-se a outros somo instrumentos para empresas perigosissímas. – Além disso, o afeto obscurece o juízo: o castigo tomam-no como ódio. uma discussão em regra é preconceito contra eles. São incapazes de atenção prolongada e por isso as imagens da fantasia são indecisas e a memória falha. Sob a atividade febril da fantasia e da autosugestão, facilmente se formam recordações falsas a que os psicopatas se aferram obstinadamente. Não raro porém trata-se de mentiras propositadas. – A vontade não tem nem força nem perseverança; o que decide tudo, são as inspirações do momento. – A vida afetiva anda sujeita a maiores perturbações ainda. A-par-de uma suscetibilidade, por exemplo, num caráter muito colérico, encontra-se sensibilidade inteiramente embotada, com suma indiferença e completa passividade. O mais grosseiro egoísmo alia-se a raros sentimentos de delicadeza, a a escrupulosidade ao laxismo, a dureza à emoção. A maior parte dos psicopatas propende a deformações morais. Sem dúvida, distinguem entre o bem e o mal, mas falta-lhes todo o senso de moralidade e dificilmente experimentam sentimentos de simpatia, gratidão, amor, arrependimento, conveniência e tato; são insensíveis a louvores e repreensões. Seu interesse está limitado ao que os toca de perto: seus prazeres sensuais. Saí sua brutalidade para com a família e a sociedade, a ausência de constrangimento, sua incúria.

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