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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SACERDÓCIO: NO SER, DEUS E O PRÓXIMO

Retomando neste texto o que já falava em um texto anterior (Sacerdócio, mistério), tentarei traçar com mais detalhes o que penso sobre este tema.
Em verdade dizia que após ter lido atentamente algumas reflexões que fez o então cardeal Ratzinger a um grupo de seminaristas, percebi com mais clareza este aspecto do objetivo ministerial do sacerdócio, ou seja, ser “operário de Deus” na imensa vinha do Senhor. Mas, mais do que apenas este aspecto junto um segundo que encontro no CEC (1547), estar a serviço do próximo.
Uma pessoa se encontra inevitavelmente nesta condição: estar presente com o corpo que não significa que está presente com a alma. Ao falar disso, é claro que abrimos brecha para falar de “estar” num sentido profundo, mas nos atendo ao ponto em questão, no imenso campo que abrange a salvação trazida por Deus – e nem vamos entrar neste “por que tem que haver salvação?” – vemos e sentimos a obrigatoriedade de manifestar esta salvação, por causa de nós mesmos, de nossa natureza tão “material”. Deus estendeu sua salvação a toda à criação, mas nós somos incapazes de por nós mesmos percebê-la, sequer saber aonde a encontramos, ou ainda entender que podemos a encontrar! Neste sentido, Deus tem a sua vinha, ela esta ali, parada com os seus frutos que caem de maduro esperando algo, ou melhor, alguém. Aí que percebemos, através de nossa necessidade de visualizar a salvação, o quanto que é necessário alguém para colher estes frutos maduros e distribuí-los ao mundo. Desta forma, o mundo para ver a salvação estendida sobre ela e querendo a abraçar, nos chega a figura de alguém do nosso meio, como nós, para ser canal visível disto que nos é invisível. Claro que, teologicamente, os sacramentos em si são os sinais visíveis da graça de Deus que é invisível. Mas sem estes canais – pessoas – não teríamos, ou mesmo não seria possível os sacramentos (falamos do sacramento da ordem mais adiante como priori para o sacerdote). Assim, é fundamentalmente primeira esta compreensão – ou atitude – da pessoa que se sente chamada por Deus ao sacerdócio, ser homem-sacerdote por Deus.
De outra forma, o ser da pessoa chamada ao ministério sacerdotal deve ter esta característica para não estar quebradiça no seu ser, e então prejudicar sua realização como este homem-sacerdote: a serviço do outro, do próximo. Este é o segundo aspecto que percebemos – grosso modo – neste ministério. Como todos são sacerdotes no sacerdócio comum que provem do sacerdócio de Cristo, todos gozam de capacidades para obterem a salvação. Mas em meio ao mundo em o ser humano vive encontramos muitas barreiras para se chegar a esta salvação, até mesmo para se chegar aos meios de salvação! Diante disso a atuação desse homem-sacerdote vai não somente contemplar a Deus em sua magnitude e muitos outros atributos; ele vai se atirar no “mundo” para encontrar o coração do outro e assim mostrar onde este encontra a salvação, onde pode encontrar os meios, onde pode encontrar Deus. Indo de encontro ao homem do nosso tempo, esta pessoa chamada ao ministério sacerdotal percebe que além de homem-sacerdote por Deus tem que assimilar o homem-sacerdote ao próximo.


Pax Christi

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