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domingo, 16 de agosto de 2009

O sacerdote e a Santa Missa – IV*

Offerimus pro ecclesia tua sancta catholica (Cânon Romano).

Recordamo-nos da imagem da Igreja que o Cânon revela. O sacerdote celebrante a ela se refere na presença de Deus: Offerimus pro ecclesia tua sancta catholica (Cânon Romano). Quer dizer: o sacerdote oferece, representado a Igreja universal. É, por conseguinte, o órgão da “Igreja católica”. O sacerdote deve estar consciente de que a graça especial da Santa Missa não lhe foi concedida particularmente para ele próprio, mas em favor da Igreja. Nisto se manifesta bem lúcida a antiqüíssima sentença: Nemo fit sibi sacerdos: Ninguém se faz sacerdote para si próprio. A mesma verdade proclama São Paulo: todo o sumo sacerdote é instituído em favor dos homens (Hb 5, 1).
No mesmo sentido devemos compreender a palavra seguinte: “Una cum”. Só a uniao na caridade com o Papa, com o Bispo e com o episcopado universal dá ao sacerdote o direito de celebrar o grande ágape. Em qualquer circunstância, o celebrante é representante da hierarquia universal. Já na ordenação sacerdotal o Bispo o incutiu, dizendo aos ordenados: “sois escolhidos para auxiliares dos Bispos católicos... Para nosso auxílio, por eleição dos irmãos, sois promovidos às ordens sacras” (Pontifical Romano de Ordenações Presbiterais, Exortação). No prefácio da ordenação sacerdotal, o Bispo declara-os sacerdotes auxiliares nas fraquezas dos antístites, sem os quais, não podem estes cumprir sua tarefa; declara-os colaboradores, estabelecidos pela providência, “que ocupam o segundo graus do sacramenmto da Ordem”. Cada sacerdote, também o regular, celebra sua Missa em nome do Bispo e está no altar como legado do Papa. Todo o sacerdote, na celebração da Santa Missa, é procurador das missões e toma a peito os interesses da Igreja nas terras remotas das missões. O Bispo coloca nas mãos do neo-sacerdote o sagrado cálice dizendo: “accipe potestatem offere”. Espiritualmente se renova esta cena em cada Santa Missa. Ainda que o poder de oferecer se derive, independentemente do caráter sacerdotal, o direito de oferecer baseia-se na união com a hierarquia.
Ao entender-se a palavrinha “pro” no sentido de “representado”, não podemos esquecer o sentido próprio de interceder. (...)
“Nemo fit sibi sacerdos”. O sacerdote, na celebração eucarística, representa a Igreja universal e suplica por toda a Santa Igreja.
Nisto descobrimos uma definição do sacerdócio: Ele é a mão da Igreja! (...) O sacerdote em sua função sacerdotal, por si próprio, não é nada; é NINGUÉM! Só na união com a Igreja ele cresce, sobressaindo-se aos outros. Toda a dignidade e toda a glória da Igreja nele se concentram, na hora da celebração da santa Missa. Por si só, o sacerdote continua pequenino. Seu valor vem da união com a Igreja. É a mão suplicante e ofertante da Igreja.
(...) Por conseguinte, o sacerdote está na linha divisória entre a felicidade do céu e o sofrimento desta terra. Na celebração eucarística ele se encontra no meio, entre este mundo e o além (...).


Pax Christi

*Cf. Meditando a Santa Missa, de Theodor Schnitzler. Ed. Paulinas, 1964. Págs. 262-264.

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