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domingo, 21 de junho de 2009

Diferente do que aprendi na escola...

Li recentemente um ensaio escrito em 1942 por Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica que se refugiou no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial: Américo. Neste pequeno livro, Zweig parte de uma pergunta muito simples, que aprendemos a responder no colégio: por que o continente onde nasci chama-se América?
Nossos professores nos ensinaram que tudo se deve a uma carta de Américo Vespúcio. Mas a coisa se complica quando se tenta entender a importância de Vespúcio nesta história: uma carta, por mais bem elaborada que seja, não justifica semelhante honra. Pela lógica, o continente deveria chamar-se Colômbia, já que todos sabemos que fora descoberto (ou melhor, redescoberto, porque vikings e fenícios haviam andado por aqui antes) pelo genovês Cristóvão Colombo, com dinheiro fornecido pelos soberanos espanhóis. Ao tentar entender por que as coisas se passaram desta maneira, Zweig vai se dando conta de uma enorme teia de mal-entendidos, que permitiram a imortalidade a Américo Vespúcio. O que ocorreu, exatamente? Vespúcio fez três viagens ao novo continente entre 1499 e 1502, e em cada uma delas escreveu algo a respeito de suas experiências. Entretanto, uma destas cartas, intitulada Novo Mundo foi um dos maiores best-sellers de sua época. A recém-nascida imprensa com tipologia móvel encarregou-se de divulgar as novidades para toda a Europa (livre de direitos autorais, diga-se de passagem). E geógrafos da cidadezinha de Saint Dié, na França, pela primeira vez desenharam a costa deste novo mundo com o nome de "América", usando o nome do autor da carta como o possível descobridor do novo continente.
Numa Europa feudal, que havia saído derrotada das Cruzadas, a promessa de um Novo Mundo teve o efeito de uma bomba: um milagre, uma chance dada às pessoas de voltar a sonhar, de voltar seus olhos ao sol poente e saber que o mundo reservava um tesouro, além das águas, para aqueles que tivessem coragem de superar os seus próprios limites. A imortalidade de Américo Vespúcio, por ser uma das maiores consagrações jamais recebidas por um homem na história da humanidade, teve também seu lado obscuro. Como era de se esperar - uma vez o novo continente batizado - pessoas começaram a propagar que Vespúcio havia "roubado" a glória de Colombo. Ele não passava de um charlatão, que tinha conscientemente propagado uma mentira. Abria-se, assim, uma espécie de duelo acadêmico entre Colombo e Vespúcio, que duraria dois séculos. Vespúcio passava de "descobridor" a "vilão", até que em torno de 1700 foram descobertas cartas trocadas entre ele e Colombo, completamente alheios à polêmica criada por outros. Lendo o texto de Zweig, imagino: quantas vezes somos arrastados a situações que não procuramos, que terminam sendo impossíveis de controlar, sendo esclarecidas apenas depois de já não estarmos mais aqui?

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