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domingo, 26 de abril de 2009

Anotações em meu diário inexistente

A cerimônia do chá
No Japão, participei da conhecida "cerimônia do chá".Entramos num pequeno quarto. Admiramos a tigela. O chá é servido, e nada mais. Mas tudo é feito num cerimonial único, no qual uma prática cotidiana se transforma num momento de comunhão com o Universo. Explica Okakusa Kasuko: - A cerimônia é a adoração do belo e do simples.Todo seu esforço concentra-se na tentativa de atingir o Perfeito através dos gestos imperfeitos da vida cotidiana. Se um mero encontro para beber chá pode nos transportar até Deus, é bom ficar atento para outras dezenas de oportunidades que a vida nos oferece. Pedindo esmolas Faz parte do treinamento dos monges zen-budistas uma prática conhecida como takuhatsu - a peregrinação para mendigar. Além de ajudar os mosteiros que vivem de doações e forçar o discípulo a ser humilde, esta prática tem ainda um outro sentido: purificar a cidade em que o monge se encontra.Isto porque - segundo a filosofia Zen - o doador, o pedinte, e a própria esmola fazem parte de uma importante cadeia em equilíbrio. Aquele que pede, assim o faz porque está precisando. Contudo aquele que dá, age desta maneira também, porque está precisando.A esmola serve como a ligação entre as duas necessidades, e o ambiente da cidade melhora, já que todos puderam realizar ações que precisavam ter acontecido.
Culpando os outros
Todos nós já escutamos nossa mãe dizendo a nosso respeito: "meu filho fez isto porque perdeu a cabeça, mas, no fundo, é uma pessoa muito boa". Uma coisa é que nos culpemos pelos erros de atos impensados. A culpa não nos leva a lugar nenhum. Outra coisa, porém, é nos perdoar por tudo o que fazemos. Agindo assim, nunca seremos capazes de corrigir nosso caminho. Existe o bom senso, e devemos julgar o resultado de nossas atitudes, e não as intenções que tivemos ao realizá-las. No fundo, todo mundo é bom, mas isto não interessa. Disse Jesus: "é pelos frutos que se conhece a árvore". Diz um velho provérbio árabe: "Deus julga a árvore por seus frutos, e não por suas raízes". O poder da palavra
De todas as poderosas armas de destruição que o homem foi capaz de inventar, a mais terrível - e a mais covarde - é a palavra. Punhais e armas de fogo deixam vestígios de sangue. Bombas abalam edifícios e ruas. Venenos terminam sendo detectados. Mas a palavra destruidora desperta o Mal sem deixar pistas. Crianças são condicionadas durante anos pelos pais, artistas são impiedosamente criticados, mulheres são sistematicamente massacradas pelos comentários dos maridos, fiéis são mantidos longe da religião, por aqueles que se julgam capazes de interpretar a voz de Deus. Procure ver se você está se utilizando esta arma, e ver se estão utilizando esta arma em você. E não permita nenhuma das duas coisas.
"Ser como o rio que flui" - coleção de colunas publicadas neste espaço, a venda em todas as livrarias. paulo@paulocoelho.com.br

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