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terça-feira, 24 de março de 2009

Pe. Inácio - Jornal NH

Como o senhor avalia a posição conservadora da Igreja sobre o uso de métodos para evitar a gravidez, como a camisinha, que também previne doenças como a AIDS, o anticoncepcional e cirurgias como a laqueadura e vasectomia?
Fique à vontade para qualquer outro comentário. Obrigado. Adair Santos, Jornal NH/ABC Domingo (51) 3065-8087

A Igreja analisa a luz do Evangelho as novas idéias e estilos de vida que se propõem, de maneira que estes valores essenciais para a saúde e o bem-estar da sociedade sejam preservados.

Os programas de assistência econômica à promoção da esterilização e anticoncepção são afrontas à dignidade da pessoa e da família. A resposta às questões ligadas ao crescimento demográfico deveria perseguir-se mais com o respeito tanto dos costumes sexuais como da ética social, promovendo uma maior justiça e uma autêntica solidariedade, de maneira que se respeite a dignidade da vida em todas as circunstâncias, começando pelas condições econômicas, sociais e culturais.

Estas políticas ameaçam enterrar a compreensão cristã da natureza e dos fins do matrimônio. Segundo o desígnio do Criador, o laço sagrado do matrimônio simboliza a nova e eterna aliança estabelecida com o sangue de Cristo. Único e indissolúvel por natureza, tem de permanecer aberto à geração de nova vida, na qual os cônjuges cooperam na obra criadora de Deus.

A promoção dos genuínos valores familiares é mais urgente que nunca. Fidelidade no matrimônio e abstinência fora dele são os únicos modos seguros de limitar uma expansão maior do contágio que se verifica. O preservativo como meio de prevenção, entre outras coisas, não assegura a imunização ante o contágio.

A Igreja recorda dois preceitos para orientar a consciência dos fiéis: o amor conjugal, ou seja, a sexualidade orientada ao matrimônio, que implica que todo ato que acontece fora do contexto sacramental não possa ser apreciado, e a proteção da vida.

Em uma palavra, é preciso ter em conta tanto o sexto como o quinto mandamento.
Um artigo publicado em «Science» sobre a experiência de Uganda na África, diz que este país optou pela estratégia da educação e de um comportamento baseado na castidade e na fidelidade conjugal. Isto produziu uma queda no índice de contágios.

A Igreja não se prende à maior ou menor eficácia da camisinha. Ela defenderia a mesma opinião ainda que os preservativos fossem absolutamente seguros. As suas razões, ligadas a princípios, são outras. A primeira parte da própria natureza e das finalidades da relação sexual. Esta tende tanto à união sexual e afetiva do homem e da mulher como à sua natural decorrência: a procriação.

Luc Montagnier, descobridor do HIV, na IV Reunião Internacional da AIDS em 1989, indica como deveriam ser as campanhas contra a AIDS: “É preciso educar a juventude contra o risco da promiscuidade e do vagabundeio sexual”. Isto foi dito pelo cientista descobridor do HIV, e não por um padre. A segunda, porque toda e qualquer campanha que se tem feito nesta linha, tende a incentivar a promiscuidade e o sexo precoce. Não faz nenhuma advertência, simplesmente incita a usar a camisinha, fomentando com isso uma relação eventual e insegura.

Evitar o pior não justifica consentir no que é mau. Evitar a AIDS é ótimo, mas fomentar a promiscuidade é péssimo. Não estaremos utilizando um inibidor para a AIDS – a camisinha – que, em última análise, pode vir a se tornar causa desta mesma doença?

A Igreja não entra no mérito científico da eficácia profilática do preservativo, simplesmente constata e torna transparentes as pesquisas científicas existentes. Mais de meia centena desses estudos apontam uma percentagem significativa de ineficácia. Perguntamos: o Ministério da Saúde ignora estas pesquisas, ou quer deixar a população na ignorância simplesmente para assegurar o êxito das suas campanhas?

O vírus do HIV é sabidamente muito esperto para vencer todo tipo de barreiras. Só não consegue nada contra aquelas pessoas que vêem na AIDS um sinal dos tempos: todos precisam ser mais responsáveis em seus comportamentos, mormente os sexuais, dom precioso de Deus, mas que deve ser administrado com sabedoria.

Para a Igreja a laqueadura e a vasectomia violam os direitos fundamentais da pessoa, seja de forma voluntária ou imposta pelas autoridades civis, não importando que se faça por argumentos demográficos, eugênicos (por tratar-se de uma pessoa enferma, com probabilidades de transmitir alguma enfermidade hereditária, enferma mental, etc.), ou penais (como castigo). É sempre imoral e ilícita.

Como já disse o Papa Bento XVI tantas vezes: “Os não que a Igreja pronuncia nas suas indicações morais e sobre os quais por vezes a atenção da opinião pública se detém de modo unilateral, na realidade são grandes sim à dignidade da pessoa humana, à sua vida e à sua capacidade de amar. São a expressão da confiança constante de que, não obstante as suas debilidades, os seres humanos são capazes de corresponder à altíssima vocação para a qual foram criados: a de amar”.

Pe. Inácio José Schuster
Vigário Judicial da Diocese de Novo Hamburgo e do Tribunal Eclesiástico Regional Sul 3 de Porto Alegre

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