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domingo, 15 de março de 2009

Conversando sobre sexo - final

As anotações abaixo foram feitas em uma conversa com J. em 1986.
- Já que precisamos mudar nossa atitude com relação ao sexo, qual seria o primeiro passo? - "Eu já disse: a entrega. As pessoas pensam que antes de permitir que elas tenham qualquer prazer, precisam resolver todos os seus problemas. Não é bem assim. Muitas vezes nós os resolvemos quando estamos alegres, e aceitamos o prazer como uma bênção. No ato sexual existe algo interessante: somos extremamente generosos, e a nossa maior preocupação é justamente com o parceiro. Achamos que não vamos conseguir dar o prazer que ele merece - e a partir daí nosso prazer também diminui, ou desaparece por completo".- Isso não é uma demonstração de amor? - "Depende. Na verdade, é um ato de culpa, de achar sempre que estamos aquém das expectativas dos outros. Numa situação como essa, a palavra "expectativa' precisa ser banida. Se estivermos dando o melhor de nós mesmos, não há por que nos preocupar. É preciso ter a consciência de que quando dois corpos se encontram, eles estão entrando juntos num território desconhecido. Transformar isso numa experiência cotidiana é perder a maravilha da aventura. Se, entretanto, nos deixarmos guiar nesta viagem, terminaremos descobrindo horizontes não imaginados".- Há alguma chave?- "A primeira é: você não está sozinho. Se a outra pessoa o ama, está sentindo as mesmas dúvidas que você, por mais segura que possa parecer.
"A segunda: abra a caixa secreta de suas fantasias e não tenha medo de aceitá-las. Não existe um padrão sexual, e você precisa encontrar o seu, respeitando apenas uma proibição: a de jamais fazer algo sem o consentimento do outro. "A terceira: dê ao sagrado o sentido do sagrado. Para isso, é preciso ter a inocência de uma criança, e aprender a aceitar o milagre como uma bênção. Seja criativo, purifique sua alma através de rituais que você mesmo inventa - como criar um espaço sagrado, fazer oferendas, aprender a rir com o outro, para quebrar as barreiras da inibição. Entenda que o que está fazendo é uma manifestação da energia de Deus."A quarta: explore o seu lado oposto. Se você é homem, procure às vezes pensar e agir como mulher - e vice-versa."A quinta: entenda que o orgasmo físico não é exatamente o único objetivo de uma relação sexual, mas uma conseqüência, que pode ou não acontecer. O prazer nada tem a ver com o orgasmo, mas com o encontro. "A sexta: identifique seus medos, e compartilhe-os com o seu parceiro. "E, finalmente, a sétima: permita-se ter prazer. Assim como você está ansioso para se dar, a outra pessoa também quer o mesmo. Quando dois corpos se encontram, se ambos querem dar e receber, os problemas desaparecem".

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