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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Como o povo árabe foi criado

Em um dos seus raros escritos, o sábio Sufi Hafik comenta que o caminho do ser humano na terra está cheio de contradições e desafios, que só podem ser superados na medida em que cada um aceita ser o único responsável por suas decisões: "Só os ignorantes procuram imitar o comportamento dos outros. Os homens inteligentes não perdem seu tempo com isto, e desenvolvem suas habilidades pessoais; sabem que não existem duas folhas iguais numa floresta de cem mil árvores. Não existem duas viagens iguais no mesmo Caminho".
Segundo outros sábios, Deus também busca a diversidade em tudo que faz. E foi isso que inspirou Alejandro Dolina a associar a história da areia a uma das lendas da criação do povo árabe. Diz ele que, assim que terminou de construir o mundo, um dos anjos advertiu o Todo-Poderoso que esquecera de colocar areia na Terra; grave defeito, se considerarmos que os seres humanos estariam privados para sempre de caminhar junto aos mares, massageando seus pés cansados e sentindo o contacto com o chão.Além disso, o fundo dos rios seria sempre ríspido e pedregoso, os arquitetos não poderiam usar um material indispensável, as pegadas dos namorados seriam invisíveis; disposto a remediar seu esquecimento, Deus enviou o Arcanjo Gabriel com uma enorme bolsa, para que derramasse areia em todos os lugares que julgasse necessário.Gabriel fez as praias, o leito dos rios, e quando voltava para o céu trazendo o material que havia sobrado, o Inimigo -sempre disposto a estragar a obra do Todo-Poderoso - conseguiu fazer um furo na bolsa, derramando todo o seu conteúdo. Isso aconteceu no lugar que é hoje a Arábia, e quase toda a região se transformou num imenso deserto.Gabriel, desolado, foi pedir desculpas ao Senhor, por ter deixado que o Inimigo se aproximasse sem ser visto. E Deus, em Sua infinita sabedoria, resolveu recompensar o povo árabe pelo erro involuntário do seu mensageiro. Criou para eles um céu cheio de estrelas, como não existe em nenhum outro lugar do mundo, para que sempre olhassem para o alto.Criou o turbante, que - debaixo do sol do deserto - é muito mais valioso que uma coroa. Criou a tenda, permitindo que as pessoas se movessem de um lugar para o outro, sempre descobrindo novas paisagens ao redor, e sem as obrigações aborrecidas de manutenção de palácios. Ensinou o povo a forjar o melhor aço para a espada. Criou o camelo. Desenvolveu a melhor raça de cavalos. E lhe deu algo mais precioso que estas e todas as outras coisas juntas: a palavra, o verdadeiro ouro dos árabes. Enquanto os outros povos modelavam os metais e as pedras, os povos da Arábia aprendiam a modelar o verbo. O poeta passou a ser sacerdote, juiz, médico, chefe dos beduínos. Seus versos possuem poder: podem trazer alegria, tristeza, saudade. Podem desencadear a vingança e a guerra, unir os amantes, reproduzir o canto dos pássaros. E conclui Alejandro Dolina: "Os erros de Deus, como os de grandes artistas, ou dos verdadeiros enamorados, desencadeiam tantas compensações felizes, que às vezes vale a pena desejá-los".

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