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domingo, 7 de dezembro de 2008

Histórias sobre os excluídos


O discípulo embriagadoUm mestre zen tinha centenas de discípulos. Todos rezavam na hora certa - exceto um, que vivia bêbado. O mestre foi envelhecendo. Alguns dos alunos mais virtuosos começaram a discutir quem seria o novo líder do grupo, aquele que receberia os importantes segredos da Tradição.
Na véspera de sua morte, porém, o mestre chamou o discípulo bêbado e lhe transmitiu os segredos ocultos. Uma verdadeira revolta tomou conta dos outros. - Que vergonha! - gritavam pelas ruas. - Nos sacrificamos por um mestre errado, que não sabe ver nossas qualidades. Escutando a confusão do lado de fora, o mestre agonizante comentou:- Eu precisava passar estes segredos para um homem que eu conhecesse bem. Todos os meus alunos eram muito virtuosos, e mostravam apenas suas qualidades. Isso é perigoso; a virtude muitas vezes serve para esconder a vaidade, o orgulho, a intolerância."Por isso escolhi o único discípulo que eu conhecia realmente bem, já que podia ver seu defeito: a bebedeira".O mestre não sofre com os maus discípulos?Um discípulo perguntou a Firoz:- A simples presença de um mestre, faz com que todo tipo de curioso se aproxime, para descobrir algo do que se possa beneficiar. Isto não pode ser prejudicial e negativo? Isto não pode desviar o mestre do seu caminho, ou fazer com que sofra porque não conseguiu ensinar o que queria?Firoz, o mestre sufi, respondeu:- A visão de um abacateiro carregado de frutas desperta o apetite de todos que passam por perto. Se alguém deseja saciar sua fome além da sua capacidade, termina comendo mais abacates que necessário, e passa mal. Entretanto, isto não causa nenhum tipo de indigestão ao dono do abacateiro."O caminho precisa estar aberto para todos; mas Deus se encarrega de colocar os limites de cada um".Isaac é necessárioCerto rabino era adorado por sua comunidade; todos ficavam encantados com o que dizia. Menos Isaac, que não perdia uma chance de contradizer as interpretações do rabino, apontar falhas em seus ensinamentos. Os outros ficavam revoltados com Isaac, mas não podiam fazer nada. Um dia, Isaac morreu. Durante o enterro, a comunidade notou que o rabino estava profundamente triste.- Por que tanta tristeza? -comentou alguém. - Ele vivia colocando defeito em tudo que o senhor dizia!- Não lamento por meu amigo que hoje está no céu -respondeu o rabino. - Lamento por mim mesmo. Enquanto todos me reverenciavam, ele me desafiava, e eu era obrigado a melhorar. Agora que ele se foi, tenho medo de parar de crescer.

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