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domingo, 2 de novembro de 2008

Palavras de sabedoria


Kazantzakis e Deus Durante toda a sua vida, o autor grego Nikos Kazantzakis (Zorba, A Última Tentação de Cristo) foi um homem absolutamente coerente. Embora abordasse temas religiosos em muitos de seus livros - como uma excelente biografia de São Francisco de Assis - sempre considerou a si mesmo como um ateu convicto.
Pois é deste ateu convicto, uma das mais belas definições de Deus que eu conheço: "Nos olhamos com perplexidade a parte mais alta da espiral de força que governa o Universo. E a chamamos de Deus. Poderíamos dar qualquer outro nome: Abismo, Mistério, Escuridão Absoluta, Luz Total, Matéria, Espírito, Suprema Esperança, Supremo Desespero, Silêncio. Mas nós a chamamos de Deus, porque só este nome -por razões misteriosas - é capaz de sacudir com vigor o nosso coração. E, não resta dúvida, esta sacudida é absolutamente indispensável para permitir o contacto com as emoções básicas do ser humano, que sempre estão além de qualquer explicação ou lógica".Ben Abuyah e o prendizadoO rabino Elisha ben Abuyah costumava dizer: "Aqueles que estão abertos às lições da vida, e que não se alimentam de preconceitos, são como uma folha em branco, onde Deus escreve suas palavras com a tinta divina". "Aqueles que estão sempre olhando o mundo com cinismo e preconceito, são como uma folha já escrita, onde não cabem novas palavras"."Não se preocupe com o que já sabe, ou com o que ignora. Não pense no passado nem no futuro, apenas deixe que as mãos divinas tracem, a cada dia, as surpresas do presente".Begoña e o ritmo- Faltou algo em sua palestra sobre o Caminho de Santiago -me diz uma peregrina, assim que saímos da Casa de Galicia, em Madrid, onde minutos antes eu acabara de dar uma conferência.Deve ter faltado muita coisa, pois minha intenção ali era de apenas compartilhar um pouco minha experiência. Mesmo assim, convido-a para tomar um café, curioso em saber o que ela considera como uma omissão importante. E Begoña - este é seu nome - me diz:- Tenho notado que a maioria dos peregrinos seja no Caminho de Santiago, seja nos caminhos da vida, sempre procura seguir o ritmo dos outros. "No início de minha peregrinação, procurava ir junto com meu grupo. Me cansava, exigia de meu corpo mais do que podia dar, vivia tensa, e terminei tendo problemas nos tendões do pé esquerdo. Impossibilitada de andar por dois dias, entendi que só conseguiria chegar a Santiago se obedecesse meu ritmo pessoal"."Demorei mais que os outros. Tive que andar sozinha muitos trechos, mas foi só porque respeitei meu próprio ritmo que consegui completar o caminho. Desde então aplico isso a tudo que preciso fazer na vida: respeito o meu tempo".

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