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domingo, 8 de abril de 2007

Segunda virtude cardinal: esperança

Para o dicionário: s. f. tendência do espírito para considerar algo como provável; a segunda das virtudes teologais; expectativa; suposição; probabilidade.

Nas palavras de Jesus: Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? (Mateus, 6: 26-30)

Para os antigos gregos: Em um dos clássicos mitos da criação, um dos deuses, furioso com o fato de Prometeu roubar o fogo e com isso dar independência ao homem, envia Pandora para casar-se com seu irmão, Epimeteus. Pandora traz consigo uma caixa, a qual foi proibida de abrir. Entretanto, da mesma maneira que Eva no mito cristão, sua curiosidade é mais forte: levanta a tampa para ver o que contém, e neste momento todas as desgraças e males do mundo saem dali e se espalham pela Terra. Apenas uma coisa fica lá dentro: a Esperança, única arma para combater os males que se espalharam.

As quatro maiores esperanças da humanidade:

1] A vinda do Messias (no caso do Cristianismo, o retorno de Cristo, e no caso do Islã e do Judaísmo, a primeira vinda); 2] A cura do câncer; 3] A descoberta de vida extraterrestre; 4] a paz universal (fonte: pesquisa sobre as mais esperadas manchetes de jornal, 1996).

Uma história real: Aos cinco anos de idade, Glenn Cunninghan (1909-1988) sofreu sérias queimaduras nas pernas e os médicos não tinham esperanças de sua recuperação. Todos achavam que ele estava condenado a passar o resto da vida na cadeira de rodas.

Glenn Cunningham não deu ouvidos aos doutores e saiu da cama na semana seguinte.

“Os médicos viam as minhas pernas, mas não o meu coração. Agora vou correr mais rápido que qualquer pessoa”.

Em 1934, bateu o recorde mundial de 1.500m com 4m06s. Foi homenageado como atleta do século no Mandison Square Garden.

Em uma história hassídica (tradição judaica): No final dos quarenta dias de dilúvio, Noé saiu da arca. Desceu cheio de esperança, acendeu incenso, olhou a sua volta, e tudo que viu foi destruição e morte. Noé reclamou:

“Todo-Poderoso, se conhecias o futuro, por que criastes o homem? Só para ter o prazer de castigá-lo?” Um perfume triplo subiu até os céus: o incenso, o perfume das lágrimas de Noé e o aroma de suas ações. Então veio a resposta:

“As preces de um homem justo sempre são ouvidas. Vou te dizer porque fiz isto: para que entendesses tua obra. Tu e teus descendentes usarão a esperança, e estarão sempre reconstruindo um mundo que veio do nada. Desta maneira, dividiremos o trabalho e as conseqüências: agora ambos somos responsáveis.”

As quatro maiores esperanças do indivíduo:

1] o encontro com o bem-amado; 2] ausência de problemas financeiros; 3] ausência de doenças; 4] imortalidade (fonte: livro das Listas, Irving Wallace, 1977).

Esperando ser lembrado: O grande califa Alrum Al-Rachid resolveu construir um palácio que marcasse a grandeza de seu reino. Ao lado do terreno escolhido, havia uma choupana. Al-Rachid pediu ao seu ministro que convencesse o dono - um velho tecelão - a vendê-la para ser demolida. O ministro tentou, sem êxito; de volta ao palácio, sugeriram que simplesmente expulsassem o velho do lugar.

“Não”, respondeu Al-Rachid. “Ela passará a fazer parte do meu legado ao meu povo. Quando virem o palácio, dirão: ele foi grande. E, quando virem a choupana, dirão: ele foi justo, porque respeitou o desejo dos outros.”

(na próxima semana: Amor)

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