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domingo, 4 de fevereiro de 2007

Quarto pecado capital: Ira

Segundo o dicionário: substantivo feminino, do latim Ira.  cólera; zanga; indignação; raiva; desejo de vingança.

Para a Igreja Católica: a ira não atenta apenas contra os outros, mas pode voltar-se contra aquele que deixa o ódio plantar sementes em seu coração, e neste caso normalmente é levado ao suicídio. Precisamos entender que o castigo e a execução do mesmo pertencem a Deus.

No “Verba Seniorum” (A Palavra dos Antigos): Dois sábios, que viviam na mesma ermida no deserto do Saara, conversavam um dia: “vamos brigar para que não nos afastemos do ser humano, ou terminaremos por não compreender direito as paixões que o torturam”, disse um deles.

“Não sei como começar uma briga.”

“Pois façamos o seguinte: eu coloco este tijolo aqui no meio, e você me diz: é meu. Eu responderei: não, este tijolo é meu. Então começaremos a discutir, e terminaremos brigando.”

E assim fizeram. Um disse que o tijolo era dele. O outro contestou, dizendo que não. “Não vamos perder tempo com isto, fique com este tijolo”, disse o primeiro. “Sua idéia para a briga não foi muito boa. Quando percebemos que temos uma alma imortal, é impossível discutir por causa de coisas.”

Em estudo de laboratório: Janice Williams acompanhou por seis anos 13.000 homens e mulheres com idade entre 45 e 64 anos e, tomando o comportamento como base, descobriu que as pessoas que se irritam intensamente, e com freqüência, têm três vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com mais serenidade (Williams, 2000).

Isso ocorre porque, a cada episódio de raiva, o organismo libera uma carga extra de adrenalina no sangue. A alta concentração de adrenalina aumenta o número de batimentos cardíacos e, simultaneamente, torna mais estreitos os vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial. A repetição desses episódios pode gerar dois problemas em geral associados ao infarto: alteração do ritmo cardíaco e uma súbita dilatação das placas de gordura que, porventura, estejam nas artérias. (Fonte: Ballone G.J. - Raiva e Ódio, emoções negativas)

Na música popular brasileira: Mas enquanto houver força em meu peito eu não quero mais nada / Só vingança! Vingança! Vingança! aos santos clamar/ Você há de rolar como as pedras que rolam na estrada / sem ter nunca um cantinho seu pra poder descansar. (Lupicínio Rodrigues)

Nas palavras de William Blake: Eu tinha raiva do meu amigo: comentei isso com ele, e a raiva passou. Eu tinha raiva do meu inimigo: não comentei isso com ele, e a raiva aumentou.

No ódio ao estrangeiro (xenofobia): “Todos os países do Oeste estão infiltrados por muçulmanos. Alguns deles são até mesmo capazes de conversar amavelmente, enquanto aguardam o momento de nos assassinar. Dizem que os eventos de 11 de setembro (2001) aconteceram por causa de um choque de civilizações. É mentira: um choque de civilizações requer duas civilizações distintas, e esse não é o caso. Existe apenas uma civilização: a nossa.” (Declarações dos dirigentes do Partido Dinamarquês do Povo - DPP semeando o ódio e o novo fascismo, que a Europa e o mundo inteiro assistem crescer sem tomar sérias providências)

Comentário do Tao Te King: Todas as armas são instrumentos do mal, não sendo em absoluto instrumentos do sábio príncipe. Ele as usa somente quando premido pela necessidade. A calma e o repouso são o que ele valoriza; a vitória pela força das armas lhe é indesejável.

Considerá-la necessária é sinal de que o homem tem prazer com a matança de outros homens, e aquele que se compraz com tal matança não poderá dirigir um império.

Quando quisermos enfraquecer alguém, devemos primeiro fortificá-lo. Se pretendermos derrotá-lo, devemos primeiro elevá-lo. Se tencionarmos despojá-lo, devemos primeiro dar-lhe presentes. Este é o chamado sutil discernimento.

Assim, os submissos e os fracos conquistarão os duros e fortes.

(próxima semana: Gula)

paulocoelho@paulocoelho.com.br

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