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domingo, 21 de janeiro de 2007

Os sete pecados capitais: Soberba

Os sete pecados capitais eram oito, elaborados no início do Cristianismo pelo monge grego Evágrio do Ponto, e definindo as principais inclinações negativas do ser humano (curioso que na lista de Evágrio, o pecado mais grave é a gula...). Todos eles eram capazes de levar-nos ao inferno. No século VI, o papa Gregório fez a primeira reforma da lista, incluindo inveja, mas fundindo orgulho e vaidade. No século XVII a lista foi novamente reformada, e melancolia deixou de ser pecado, sendo substituída por preguiça. Chegamos então à lista que hoje nos serve de base, e que servirá de base às próximas sete colunas. Irei abordar cada um dos pecados conforme as suas muitas definições.

Segundo o dicionário: substantivo feminino, soberba vem do latim superbia. Significa altivez, orgulho, arrogância, presunção.

Segundo a Igreja Católica: o amor próprio que vai além dos limites, e que coloca acima do amor de Deus. Vai contra o primeiro mandamento (Amai a Deus sobre todas as coisas), e foi esta paixão que provocou a rebelião dos anjos e a queda de Lúcifer.

Em uma história zen: o grande mestre de Tofuku notou que o mosteiro estava agitado. Noviços corriam de um lado para o outro, empregados faziam fila para recepcionar alguém.

“O que está acontecendo?’’, quis saber.

Um soldado aproximou-se do mestre, e deu-lhe um cartão onde se lia: “Kitagaki, o governador de Kioto, acaba de chegar e pede uma audiência’’.

“Não tenho nada a tratar com esta pessoa,” disse o mestre.

Minutos depois o governador se aproximou, pediu desculpas, riscou o cartão, e entregou-o de novo ao mestre.

Estava escrito:” Kitagaki pede uma audiência’’.

“Seja bem-vindo’’, disse o mestre zen de Tofuku.

Em um porta-aviões: MISSÃO CUMPRIDA (faixa colocada no USS Lincoln no dia 1 de maio de 2003, quando o presidente Bush anunciou o final das grandes operações militares no Iraque. Naquele dia, o número de soldados americanos mortos era de 217. No dia que escrevo esta coluna, a conta passou de 2.700).

Para o rabino Adin Steinsaltz: “Quando alguém procura descobrir quem é, usando coisas secundárias como termo de comparação, encontra uma série de conchas vazias - que dependem uma das outras para fazer sentido’’.

“Não é correto definir-se como amigo de fulano, filho de beltrano, executivo em tal cargo, realizando esta ou aquela tarefa. Porque tudo que iremos descobrir através deste método são aspectos de nós mesmos - aspectos geralmente sombrios e incompletos, de alguém que está tentando tornar-se visível à custa dos outros.’’

“A única relação possível é com o Senhor; a partir daí, tudo começa a fazer sentido, e nos abrimos para um significado maior.’’

Segundo Santo Agostinho: A soberba não é grandeza, é inchaço. O que incha parece grande, mas na verdade é uma doença.

Conselho do Tao Te King: É melhor não encher totalmente um vaso do que tentar carregá-lo se estiver cheio.

Quando afiamos demasiadamente uma faca, seu gume não se conservará.

Quando o ouro e o jade enchem um salão, seus donos não poderão manter a segurança.

Quando a riqueza e as honrarias conduzem à arrogância decerto o mal virá logo a seguir.

Quando fizermos o nosso trabalho e o nosso nome começar a celebrizar-se, a sabedoria consiste em recolhermo-nos à obscuridade, assim que a tarefa terminar.

(Semana que vem: Avareza)

paulocoelho@paulocoelho.com.br

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