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segunda-feira, 16 de maio de 2005

O filósofo que falava como os animais

Quase não conhecemos a história de Esopo, embora se diga que nasceu em torno do século VI A. C., e foi escravo de um homem chamado Jadmon (ou Janto de Samos). Suas fábulas, reunidas por Demétrio em 300 A. C., nos dão uma visão complexa e completa do comportamento humano.

Um dos eventos mais traumáticos desta década, a guerra do Iraque, me fez lembrar a famosa parábola do lobo e do cordeiro: como Bush estava decidido a invadir de qualquer maneira o país, procurou todos os pretextos possíveis - armas de destruiçao massiva, programa nuclar em desenvolvimento, ligaçoes com a organizaçao terrorista Al-Qaeda. Quando Hans Blix (Unmovic) e Mohamed ElBaradei (IAEA) afirmaram, nos tensos encontros do Conselho de Segurança da ONU, que não havia nenhum indício que comprovasse tais alegações, Bush resolveu dar as costas às Nações Unidas, e a invasão aconteceu assim mesmo. Mesmo agora, quando as buscas pelas tais armas de destruição massiva terminaram sem resultados, Bush saiu-se com uma espécie de “mas ele estava tentando fabricar”, e a coisa ficou por isso mesmo.

Na parábola de Esopo, o lobo observa o cordeiro, e precisa de um pretexto para devorá-lo. Resolve acusá-lo de estar poluindo a água, e o cordeiro explica: “Mas o senhor está na parte de cima do rio”.

“No ano passado agrediste meus pais” insiste o lobo, e o cordeiro garante que nem sequer havia nascido na época.

“Você é um mestre na arte de tentar convercer aos outros, mas são apenas desculpas”, diz mais uma vez o lobo, desta vez matando sua presa. Evidente que Saddam Hussein está longe de ser um cordeiro, mas a metáfora é sempre válida - quem está decidido a fazer qualquer mal, sempre irá encontrar um argumento para justificá-lo. A seguir, os animais discutem o comportamento do homem:

1) Jamais peça ajuda a quem está acostumado a ferir: a raposa saltava um despenhadeiro, escorregou, e agarrou-se em um espinhal para evitar a queda. Sentindo o sangue escorrer de suas patas, reclamou: “Pedi sua ajuda, e me feriste”. “A culpa é sua”, disse o espinheiro. “Não sabe que eu nasci para machucar quem chega perto?”

2) Se não consegues o que queres, não culpes os outros: a raposa estava morrendo de fome quando viu um galho de uvas. Tentou alcançá-lo, mas quando viu que todos os seus intentos eram inúteis, seguiu adiante comentando consigo mesma: “Com certeza, aquelas uvas estavam verdes”.

3) O que hoje é o ideal, amanhã pode ser mortal: duas rãs, morrendo de sede, descobriram um poço cheio d’agua. Estavam prestes a saltar lá dentro, quando uma preveniu a outra: “Querida irmã, estamos com sede porque a terra está seca. Este poço também vai secar, e depois que bebermos a água, como vamos conseguir voltar à superfície?”. Na mesma hora, decidiram que era melhor continuar com sede que buscar uma solução aparentemente fácil.

4) Não permita que tuas vitórias impeçam de conhecer teus limites: o mosquito disse ao leão: “Sei que você e’mais forte que eu, mas eu posso deixá-lo louco”. E durante todo o dia, picou-o no nariz, ridicularizando as grandes garras e os dentes poderosos, que não podiam fazer nada para evitar o tormento. Contente por ter vencido o mais poderoso de todos os animais, o mosquito saiu dali louco para contar sua vitória, mas logo foi capturado e morto por uma frágil teia de aranha.

5) É melhor deixar que o mal se afaste, do que tentar controlá-lo: o leão entrou na fazenda de um lavrador, que imediatamente fechou a porteira. Enquanto ia até uma fazenda vizinha pegar emprestado uma espingarda para matá-lo, o leão devorou os carneiros, matou alguns bois, e conseguiu entrar na casa principal. Ao voltar, o lavrador viu que sua família estava ameaçada de morte, e resolveu abrir a porteira da fazenda para que o animal pudesse escapar. E ainda teve que ouvir a recriminação da mulher: “Por que manter por perto coisas que você não pode dominar?”.

6) As lutas inúteis servem apenas para alimentar os espectadores: um leão e um javali chegaram ao mesmo tempo em uma lagoa, e começaram a discutir sobre quem devia beber primeiro. Quando se preparavam para um combate de morte, viram que abutres e hienas se aproximavam. O javali disse para o leão: “Beba primeiro, e beberei depois. Prefiro ter meu orgulho ferido, que servir de espetáculo para aqueles que vivem de olhar, criticar, e alimentar-se dos corajosos”.

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