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terça-feira, 22 de março de 2005

Da comunidade com os homens

O título desta coluna é também o título de um hexagrama do I Ching, o livro chinês das mutações humanas: a comunidade com os homens sempre traz boa fortuna. A seguir, algumas histórias a respeito.

Descendo da carruagem    

O rabino Elimelekh havia feito uma bela pregação naquela cidade, e voltava para sua terra natal. Para homenageá-lo e mostrar gratidão, os fiéis resolveram seguir a carruagem de Elimelekh até que ela saísse da cidade.

Em dado momento, o rabino parou a carruagem, pediu que o cocheiro seguisse adiante sem ele, e passou a acompanhar o povo.

“Belo exemplo de humildade”, disse um dos fiéis ao seu lado.

“Não existe qualquer humildade no meu gesto”, respondeu Elimelekh. “Vocês aqui fora estão fazendo exercício, cantando, bebendo vinho, confraternizando uns com os outros, arranjando novos amigos, tudo por causa de um velho rabino que veio falar sobre a arte da vida. Então, deixemos minhas teorias seguirem naquela carruagem, porque eu quero participar da ação.”

O bosque e suas árvores

“Todos os mestres dizem que o tesouro espiritual é uma descoberta solitária. Então por que estamos juntos?”, perguntou um dos discípulos.

“Vocês estão juntos porque um bosque é sempre mais forte que uma árvore solitária”, respondeu o mestre. “O bosque mantém a umidade, resiste melhor a um furacão, ajuda o solo a ser fértil”.

“Mas o que faz a árvore forte é a sua raiz. E a raiz de uma planta não pode ajudar outra planta a crescer”.

“Estar junto no mesmo propósito, e deixar que cada um cresça à sua maneira, este é o caminho dos que desejam comungar com Deus”.

A tradição oral

Um capitão da Marinha Britânica comentou com um sábio sufi:

“É perigoso transmitir uma tradição religiosa somente através de histórias. Cada pessoa pode entender de maneira diferente o mesmo texto.”

“Graças a Deus que é assim”, respondeu o sábio. “Porque, desta maneira, podemos mostrar que a verdade tem muitas faces.”

“Mas o senhor não tem medo de que possam interpretar de maneira errada os seus ensinamentos?” insistiu o capitão.

“Uma taça pode conter vinho, água, ou leite - embora continue sendo a mesma taça. Um prato pode ser usado para servir carne, frutas ou queijo - mas continua a ser o mesmo prato”. Uma história será sempre a mesma história, independente da interpretação errada.

“Jesus também utilizou este método com sabedoria, e conseguiu fazer com que sua mensagem resistisse ao tempo e ao mau uso de algumas gerações.”

A solidão do espantalho

Certa vez, passeando por um campo, um homem viu um espantalho, e comentou: “Deves estar cansado de permanecer aí, neste campo solitário, sem nada para fazer”.

O espantalho respondeu: “O prazer de afastar o perigo é muito grande, e eu jamais me canso de fazer isto”.

O homem concordou: “Sim, eu ajo desta maneira, com bons resultados”.

E disse o espantalho: “Mas só vivem espantando coisas aqueles que estão cheios de palha por dentro”.

O homem demorou anos para entender a resposta: quem tem carne e sangue em seu corpo, precisa aceitar algumas coisas que não estava esperando. Mas quem não tem nada dentro, vive afastando tudo que se aproxima - e nem mesmo as bênçãos de Deus conseguem chegar perto.

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