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segunda-feira, 28 de março de 2005

As estratégias do combate

Lidando com o medo

O guerreiro da luz sabe: todo mundo tem medo de todo mundo.

Este medo se manifesta de duas formas: através da agressividade, ou através da submissão. São duas faces do mesmo problema.

Por isso, quando está diante de alguém que lhe inspira temor, o guerreiro se lembra: o outro tem as mesmas inseguranças que ele. Passou por obstáculos parecidos, viveu os mesmos problemas.

Então o guerreiro utiliza o medo como motor, e não como um freio.

Conversando com o Mal

As vezes o Mal persegue o guerreiro. Então, com tranqüilidade, ele o convida para a sua tenda.

O guerreiro pergunta ao Mal: “Você quer me ferir, ou me usar para ferir os outros?”.

O Mal finge não ouvir. Diz que conhece as trevas da alma do guerreiro. Toca em feridas não cicatrizadas, e clama vingança. Lembra que conhece algumas armadilhas e venenos sutis que o ajudarão a destruir seus inimigos.

O guerreiro da luz escuta. Se o Mal se distrai, ele faz com que retome a conversa, e pede detalhes de todos seus projetos.

Depois de ouvir tudo, levanta-se e vai embora. O Mal falou tanto, está tão cansado e tão vazio, que não conseguirá acompanhá-lo.

Prestando atenção

O guerreiro da luz conhece o silêncio que antecede o combate importante.

E este silêncio parece dizer: “As coisas pararam”. É melhor divertir-se um pouco.

Os combatentes sem experiência largam suas armas neste momento, e queixam-se do tédio.

O guerreiro está atento ao silêncio; em algum lugar, algo está acontecendo. Ele sabe que os terremotos destruidores chegam sem aviso. Já caminhou por florestas durante a noite: quando os animais não fazem qualquer ruído, o perigo está próximo.

Enquanto os outros conversam, o guerreiro se adestra no manejo da espada,e presta atenção no horizonte.

Sabendo esperar

De vez em quando, o combate é interrompido. Não adianta provocar a luta; é necessário ter paciência, esperar que as forças entrem novamente em choque.

No silêncio do campo de batalha, o guerreiro escuta as batidas de seu coração. Repara que está tenso. Que tem medo.

O guerreiro faz um balanço de sua vida; vê se a espada está afiada, o coração satisfeito, a fé incendiando a alma. Sabe que a manutenção é tão importante quanto a ação.

Sempre tem algo faltando. E o guerreiro aproveita os momentos em que o tempo se detém, para equipar-se melhor.

Evitando ameaças

Toda vez que uma espada sai da bainha, precisa ser usada. Pode servir para abrir um caminho, ajudar alguém, ou afastar o perigo - mas uma espada é caprichosa, e não gosta de ver sua lâmina exposta sem razão.

Por isso, um guerreiro jamais faz ameaças. Ele pode atacar, defender-se, ou fugir; qualquer uma destas atitudes faz parte do combate.

O que não faz parte do combate é desperdiçar a força de um golpe, falando sobre ele.

Um guerreiro está sempre atento aos movimentos de sua espada. Mas não pode esquecer que a espada também presta atenção aos seus movimentos.

Ela não foi feita para ser usada com a boca.

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