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segunda-feira, 8 de março de 2004

AETERNA DEI SAPIENTIA

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CARTA ENCÍCLICA DE JOÃO XXIII

AETERNA DEI SAPIENTIA

SÃO LEÃO I MAGNO NO XV CENTENÁRIO DA MORTE

Aos veneráveis irmãos patriarcas,
primazes, arcebispos, bispos e outros ordinários
do lugar em paz e comunhão com a Sé Apostólica.

1. A eterna sabedoria de Deus, que "alcança com vigor de um extremo ao outro e governa o universo retamente" (Sb 8,1), parece haver impresso com singular esplendor a sua imagem no espírito de s. Leão I, Sumo Pontífice. Este, com efeito, "grandíssimo entre os grandes",(1) como justamente lhe chamou o nosso predecessor Pio XII, de venerável memória, apareceu dotado, em medida extraordinária, de intrépida fortaleza e de paternal bondade.

2. Por este motivo, nós, chamados pela divina Providência a sentar-nos na cátedra de Pedro, que s. Leão Magno tanto ilustrou com a sabedoria do governo, com a riqueza de doutrina, com a sua magnanimidade e com a sua inexaurível caridade, sentimos o dever, veneráveis irmãos, na circunstância do décimo quinto centenário do seu bem-aventurado trânsito, de lhe evocar as virtudes e os méritos imortais, certos como estamos de que isto contribuirá notavelmente para a vantagem comum das almas e para a exaltação da religião católica. Com efeito, a grandeza desse pontífice não está ligada principalmente ao gesto de intrépida coragem com que, inerme, revestido somente da majestade de sumo sacerdote, no ano de 452 enfrentou o feroz Átila, rei dos Hunos, nas margens do Míncio, e persuadiu-o a se retirar para além do Danúbio. Este foi, indubitavelmente, um gesto nobilíssimo, digno, tanto quanto possível, da missão pacificadora do pontificado romano; mas, na realidade, representa apenas um episódio e um indício de uma vida toda inteira despendida em favor do bem religioso e social, não só de Roma e da Itália, como também da Igreja universal.

SÃO LEÃO MAGNO, PONTÍFICE, PASTOR E DOUTOR DA IGREJA UNIVERSAL

3. À vida e à operosidade de S. Leão bem se podem aplicar as palavras da Sagrada Escritura: "A senda dos justos brilha como a aurora, e vai alumiando até que se faça o dia" (Pr 4,18), bastando que se considerem os três aspectos distintivos e característicos da sua personalidade: o fiel servo da Sé Apostólica, o vigário de Cristo na terra, o doutor da Igreja universal.

Servo fiel da Sé Apostólica

4. "Leão, toscano de nascimento, filho de Quinciano", como nos informa o Liber Pontificalis, (2) nasceu em fins do século IV. Tendo, porém, vivido em Roma desde a primeira juventude, pode justamente chamar a Roma sua pátria, (3) ali onde, ainda jovem, foi agregado ao clero romano, chegando até ao grau de diácono. No período que vai de 430 a 439, exerceu influência considerável nos negócios eclesiásticos, prestando seus serviços ao pontífice Xisto III. Teve relações de amizade com s. Próspero daAquitânia e com Cassiano, fundador da célebre Abadia de s. Vitor, em Marselha; deste, que ele exortara a escrever o De incarnatione Domini (4) contra os Nestorianos, recebeu Leão este elogio verdadeiramente singular para um simples diácono: "Honra da Igreja e do sacro ministério".(5) Enquanto se achava na Gália, ali enviado pelo Papa por sugestão da corte de Ravena, para solucionar o conflito entre o patrício Écio e o prefeito Albino, morreu Xisto III. Foi então que a Igreja de Roma pensou que não se podia confiar o poder de vigário de Cristo a homem melhor do que o diácono Leão, que já se revelara tanto um seguro teólogo como um fino diplomata. Recebeu, pois, ele a sagração episcopal a 29 de setembro de 440, e o seu pontificado foi um dos mais longos da antiguidade cristã, e indubitavelmente um dos mais gloriosos. Morreu em novembro de 461, e foi sepultado no pórtico da basílica de s. Pedro. O Papa s. Sérgio I, no ano 688, mandou transferir os despojos do santo pontífice "para a rocha de Pedro"; depois da construção da nova basílica, foram colocados debaixo do altar que é a ele dedicado.

5. E agora, querendo simplesmente indicar o caráter saliente da sua vida, não podemos deixar de proclamar que bem raramente o triunfo da Igreja de Cristo sobre os seus inimigos espirituais foi tão glorioso como durante o pontificado de s. Leão Magno. Este, em verdade, no correr do século V, brilha no céu da cristandade como um astro resplendente. E nem pode tal afirmação ser, de modo algum, desmentida, especialmente se se considera o campo doutrinário da fé católica; nele, com efeito, o seu nome está ligado simplesmente aos de santo Agostinho de Hipona e de s. Cirilo de Alexandria. Efetivamente, se santo Agostinho, como todos sabem, reivindicou, contra a heresia pelagiana, a absoluta necessidade da graça para viver honestamente e conseguir a salvação eterna, se s. Cirilo de Alexandria, contra as erradas afirmações de Nestório, defendeu a divindade de Jesus Cristo e a divina maternidade de Maria Virgem, de sua parte s. Leão, herdeiro da doutrina dos dois insignes luzeiros da Igreja do Ocidente e do Oriente, domina sobre todos os seus contemporâneos na clara afirmação dessas fundamentais verdades da fé católica. E, assim como santo Agostinho é aclamado na Igreja como doutor da graça, e s. Cirilo como doutor da encarnação, assim também s. Leão é celebrado, sobre todos, como o doutor da unidade da Igreja.

Pastor da Igreja universal

6. Com efeito, basta deitar um rápido olhar à prodigiosa atividade de pastor e de escritor desenvolvida por s. Leão no longo período do seu pontificado, para daí tirar a convicção de haver ele sido o asseverador e o defensor da unidade da Igreja tanto no campo doutrinário como no campo disciplinar. Se, depois, se passa ao campo litúrgico, fácil é notar que o piedosíssimo pontífice promoveu a unidade de culto, compondo, ou ao menos inspirando, algumas das mais elevadas orações, que se acham contidas no chamado Sacramentário Leoniano.(6)

7. Com presteza e autoridade interveio ainda na controvérsia sobre a unidade ou duplicidade de natureza em Jesus Cristo, obtendo o triunfo da verdadeira doutrina relativa à encarnação do Verbo de Deus: fato este que lhe imortalizou seu nome na lembrança dos pósteros. Seja lembrada, a tal respeito, a famosa Carta a Flaviano, bispo de Constantinopla, na qual, com admirável clareza e propriedade, s. Leão expõe a doutrina sobre o mistério da encarnação do Filho de Deus, em conformidade com o ensino dos profetas, do evangelho, dos escritos apostólicos e do "Símbolo da fé".' Carta essa da qual parece oportuno salientarmos as seguintes expressões verdadeiramente escultóricas: "Permanecendo, portanto, íntegras as propriedades de uma e de outra natureza, confluentes na pessoa única, pela majestade divina foi assumida a pouquidão humana, pelo poder a franqueza, pela eternidade a mortalidade; e, com o fim de satisfazer a dívida da nossa condição, a natureza inviolável uniu-se a uma natureza passível, de maneira tal que, como justamente convinha à nossa salvação, o único e insubstituível mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem, pudesse, sim, morrer segundo uma natureza, mas não segundo a outra. Portanto, o Verbo, mesmo assumindo a natureza íntegra e perfeita de verdadeiro homem, nasceu verdadeiro Deus, completo nas suas divinas propriedades, completo outrossim nas nossas". (8)

8. Nem a isso se limitou s. Leão. Com efeito, à carta a Flaviano, na qual mais difusamente expusera "tudo o que a Igreja católica universalmente acreditava e ensinava acerca do mistério da encarnação do Senhor", (9) s. Leão fez seguir a condenação do concílio de Éfeso de 449. Nele, recorrendo à ilegalidade e à violência, procurara-se fazer triunfar a errada doutrina de Eutiques, o qual, "muito inconsiderado e muito ignorante",(10) obstinava-se em querer reconhecer em Jesus Cristo só uma única natureza, a divina. Com todo direito o papa denominou tal concílio um "latrocínio",(11) visto que, contravindo às claras disposições da sé apostólica, ousara por todos os meios "atacar a fé católica"(12) e "reforçar uma execrável heresia".(13)

9. O nome de s. Leão está ligado sobretudo ao célebre concílio de Calcedônia de 451, cuja convocação, conquanto solicitada pelo imperador Marciano, só foi aceita pelo pontífice com a condição de ser o concílio presidido pelos seus enviados.(14) Esse concílio, veneráveis irmãos, constitui uma das páginas mais gloriosas na história da Igreja católica. Mas não julgamos necessário fazer dele aqui evocação particularizada, de vez que, a essa grandiosa assembléia, no correr da qual triunfaram com igual esplendor a verdadeira fé nas duas naturezas do Verbo encarnado e no primado do magistério do pontífice romano, o nosso predecessor Pio XII dedicou uma das suas mais celebradas encíclicas, no décimo quinto centenário do memorável acontecimento.(15)

10. Não menos evidente apareceu a solicitude de s. Leão pela unidade e pela paz da Igreja quando ele demorou a dar sua aprovação aos atos do concílio. Essa demora, na realidade, não deve ser atribuída nem a negligência nem a qualquer razão de caráter doutrinário, senão que, - como ele próprio depois declarou - com isso pretendeu ele opor-se ao cânone 28, no qual, não obstante o protesto dos legados pontifícios, e no evidente desejo de granjearem a benevolência do imperador de Bizâncio, os padres conciliares haviam reconhecido à Sé de Constantinopla o primado sobre todas as Igrejas do oriente. Esta disposição aparecia a s. Leão como uma aberta afronta aos privilégios de outras Igrejas mais antigas e mais ilustres, reconhecidas mesmo pelos padres do concílio de Nicéia; e, além disto, constituía um prejuízo para o prestígio da própria Sé Apostólica. Este perigo, mais do que nas palavras do cânone 28, fora agudamente entrevisto por s. Leão no espírito que o ditara, como claramente resulta de duas cartas, uma das quais foi a ele dirigida pelos bispos do concílio,(16) e a outra por ele dirigida ao imperador. Nesta última, repelindo as argumentações dos padres conciliares, ela assim adverte: "Uma coisa é a ordenação das coisas do mundo, outra é a ordenação das coisas de Deus; não se terá nenhuma estrutura estável fora dessa pedra que o Senhor colocou como fundamento (Mt 16,18). Prejudica seus próprios direitos aquele que deseja o que lhe não é devido".(17) A dolorosa história do cisma que em seguida separou da Sé Apostólica tantas ilustres Igrejas do oriente cristão está a mostrar claramente, como se deduz da passagem citada, o fundamento dos temores de s. Leão a respeito de futuras divisões no seio da cristandade.

11. Incompleta seria a nossa exposição acerca do zelo pastoral de s. Leão pela unidade da Igreja católica, se não recordássemos também, mesmo rapidamente, a sua intervenção na questão relativa à data da festa de páscoa, como também a sua vigilante solicitude afim de que as relações entre a Sé Apostólica e os príncipes cristãos fossem marcadas de recíproca estima, confiança e cordialidade. Sempre visando à paz da Igreja, ele exortou freqüentemente os próprios príncipes a cooperarem com o episcopado "para a plena unidade católica",(18) de modo a merecerem de Deus, "além da coroa real, também a palma do sacerdócio".(19)

Luzeiro de doutrina

12. Além de pastor vigilantíssimo do rebanho de Cristo e corajoso defensor da fé ortodoxa, s. Leão é celebrado nos séculos como doutor da Igreja, isto é, como expositor e campeão excelentíssimo daquelas verdades divinas de que todo pontífice romano é guardião e intérprete. Isto é confirmado pelas palavras do nosso imortal predecessor Bento XIV, que, na sua bula Militantis Ecclesiae, com a qual proclama s. Leão doutor da Igreja, tece dele este esplêndido elogio: "Pela sua eminente virtude, pela sua sabedoria, pelo seu zelo incansável, mereceu ele dos antigos o apelativo de Magno. A superioridade da sua doutrina, seja em ilustrar os mais altos mistérios da nossa fé e em defendê-los contra a insurreição dos erros, seja em formular normas disciplinares e morais, juntamente com uma singular majestade e riqueza de elocução sacerdotal, a tal ponto ressalta e se distingue, graças aos louvores de tantos homens e à exaltação entusiástica dos concílios, dos padres e dos escritores eclesiásticos, que um pontífice tão sábio absolutamente não deve ser, por fama ou por estima, posposto a nenhum dos santos doutores que floresceram na Igreja".(20)

13. Sua fama de doutor é garantida por suas Homilias e Cartas, que a posteridade nos conservou em número bem relevante. A coletânea das Homilias abrange vários assumos, quase todos ligados ao ciclo da sagrada liturgia. Nesses escritos ele se revela não tanto um exegeta, aplicado à exposição de um determinado livro inspirado, nem um teólogo, amante de profundas especulações em torno das verdades divinas, quanto, mais propriamente, um expositor, fiel, perspícuo e copioso, dos mistérios cristãos, aderente à interpretação transmitida pelos concílios, pelos Padres e sobretudo pelos pontífices seus antecessores. O seu estilo é simples e grave, elevado e persuasivo, digno, simplesmente, de ser julgado um modelo perfeito da eloqüência clássica. Todavia, ele nunca sacrifica à elegância do dizer a exatidão da verdade por exprimir; não fala nem escreve para se fazer admirar, e sim para iluminar as mentes e inflamar os corações à perfeita conformidade da vida prática com as verdades professadas.

14. Nas Cartas, que com base no seu ofício de pastor supremo, endereçou a bispos, príncipes, sacerdotes, diáconos, monges da Igreja universal, s. Leão manifesta dotes excepcionais de homem de governo, isto é, um espírito perspicaz e sumamente prático, uma vontade pronta à ação, firme nas suas bem amadurecidas decisões, um coração aberto à compreensão paternal, repleto daquela caridade que s. Paulo aponta a todos os cristãos como "o caminho melhor" (lCor 12,31). Como não reconhecermos que tais sentimentos de justiça e de misericórdia, de fortaleza unida à clemência, lhe nasciam no coração justamente daquela mesma caridade que o Senhor reclamou de Pedro antes de lhe confiar a guarda dos seus cordeiros e das suas ovelhas? (cf. Jo 21,15-17). Com efeito, ele sempre se esforçou por fazer de si mesmo uma cópia fiel do Bom Pastor, Cristo Jesus, como se deduz da passagem seguinte: "Temos de um lado mansidão e clemência, e, do outro, rigor e justiça. E, já que todos os caminhos do Senhor resultam de misericórdia e de verdade [fidelidade] (Sl 24,10), pela bondade que é própria da Sé Apostólica somos forçados a regular de tal modo as nossas decisões, que, bem ponderada a natureza dos delitos, cuja medida é vária, julgamos que alguns devam ser absolvidos e outros extirpados".(21) Assim, tanto as Homilias como as Cartas constituem um documento eloqüentíssimo do pensamento e dos sentimentos, das palavras e da ação de s. Leão, sempre preocupado em assegurar o bem da Igreja, na verdade, na concórdia e na paz.

O XV CENTENÁRIO LEONIANO E O CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II

15. Veneráveis Irmãos, na iminência do concilio ecumênico Vaticano II, no qual os bispos, unidos em torno do romano pontífice e com ele em íntima comunhão, darão ao mundo inteiro um mais esplêndido espetáculo da unidade católica, é grandemente instrutivo e confortador trazer ao espírito, ainda que rapidamente, a alta idéia que s. Leão teve da unidade da Igreja. Esta evocação será, a um tempo, um ato de homenagem à memória do sapientíssimo pontífice, e, na iminência desse grande acontecimento, um pábulo espiritual para as almas dos fiéis.

A unidade da Igreja no pensamento do santo

16. Antes de tudo s. Leão nos ensina que a Igreja é una, porque um é o seu esposo, Jesus Cristo: "Tal é, com efeito, a Igreja virgem, unida a um só esposo, Cristo, a ponto de não admitir erro algum; de modo que, em todo o mundo, nós gozamos de uma só união, casta, integra".(22) O santo acha, outrossim, que essa admirável unidade da Igreja teve início com o nascimento do Verbo encarnado, como resulta destas expressões: "É, com efeito, o nascimento de Cristo que determina a origem do povo cristão: o natal da Cabeça é também o natal do corpo. Mesmo se cada um dos chamados [à fé] tem a sua vez, se todos os filhos da Igreja estão distribuídos na sucessão dos tempos, todavia o conjunto dos fiéis, nascidos da fonte batismal, assim como com Cristo são crucificados na sua paixão, são ressuscitados na sua ressurreição, são postos à destra do Pai na sua ascensão, assim também com ele são congerados neste nascimento".(23) Desse misterioso nascimento do "corpo da Igreja" (Cl 1,18) participou intimamente Maria, graças à sua virgindade, tornada fecunda por obra do Espírito santo. Com efeito, s. Leão exalta Maria como "Virgem, serva e mãe do Senhor"; (24) "Genitora de Deus" (25) e Virgem perpétua".(26)

17. Além disto, observa ainda s. Leão, o sacramento do batismo não só torna cada cristão membro de Cristo, mas o faz também participante da sua realeza e do seu sacerdócio espiritual: "Com efeito, todos aqueles que foram regenerados em Cristo foram também feitos reis com o sinal da cruz, e sagrados sacerdotes com a unção do Espírito Santo".(27) O sacramento da Confirmação, chamado "santificação dos crismas",(28) corrobora tal assimilação a Cristo Cabeça, enquanto na eucaristia ela acha o seu remate: "Com efeito, a participação no Corpo e no Sangue de Cristo não faz senão transformar-nos naquilo que tomamos; e em tudo, tanto na carne como no espírito, trazemos aquele mesmo no qual fomos mortos, sepultados e ressuscitados".(29)

18. Mas, note-se bem, para s. Leão não pode haver perfeita união dos fiéis com Cristo Cabeça e entre si, como membros de um mesmo organismo vivo e visível, se aos vínculos espirituais das virtudes, do culto e dos sacramentos não se juntar a profissão externa da mesma fé: "Grande sustentáculo é a fé íntegra, a fé verdadeira, à qual nada pode ser acrescentado ou tirado por quem quer que seja; pois que a fé, se não é única, então absolutamente não existe".(30) Entretanto, à unidade da fé é indispensável a união entre os mestres das verdades divinas, isto é, a concórdia dos bispos entre si em comunhão com o pontífice romano e em submissão a ele. "A compacidade de todo o corpo é que dá origem à sua sanidade e à sua beleza; e essa mesma compacidade, se reclama a unanimidade, exige entretanto sobretudo a concórdia dos sacerdotes. Estes têm em comum a dignidade sacerdotal, mas não o mesmo grau de poder; já que, mesmo entre os apóstolos, houve igualdade de honra, mas diferença de poder, enquanto a todos foi comum a graça da eleição, mas a um só foi concedido o direito de preeminência sobre os outros".(31)

O bispo de Roma, centro da unidade visível

19. Centro, pois, e sustentáculo de toda a unidade visível da Igreja católica é o bispo de Roma, como sucessor de s. Pedro e vigário de Jesus Cristo. As afirmações de s. Leão outra coisa não são senão o eco fidelíssimo dos textos evangélicos e da perene tradição católica, como ressalta do passo seguinte: "Em todo o mundo só Pedro é eleito, para ser preposto à evangelização de todas as nações, a todos os apóstolos e a todos os Padres da Igreja; de modo que, embora no meio do povo de Deus haja muitos pastores e muitos sacerdotes, todos porém são governados propriamente por Pedro, como principalmente são governados por Cristo. De maneira grande e admirável, ó diletíssimos, Deus se dignou fazer este homem participante do seu poder; e, se quis que também os outros chefes tivessem algo de comum com ele, tudo o que concedeu aos outros sempre o concedeu por meio dele".(32) Sobre esta verdade, que é fundamental para a unidade católica, isto é, a verdade do vínculo divino, indissolúvel entre o poder de Pedro e o dos outros apóstolos, s. Leão julga oportuno insistir: "Certamente também aos outros apóstolos estendeu-se esse poder (isto é, de desligar e ligar] e foi transmitido a todos os chefes da Igreja; mas não é em vão que se recomenda a uma só pessoa aquilo que a todos os outros deve ser comunicado. Com efeito, este poder é confiado singularmente a Pedro, justamente porque a figura de Pedro está acima de todos aqueles que governam a Igreja".(33)

Prerrogativas do Magistério de s. Pedro e de seus sucessores

20. Mas o santo pontífice não esquece o outro vínculo essencial da unidade visível da Igreja, isto é, o magistério supremo e infalível, reservado pelo Senhor pessoalmente a Pedro e aos seus sucessores: "O Senhor toma cuidado, de modo especial, de Pedro, e roga em particular pela fé de Pedro, como que se a perseverança dos outros estivesse mais garantida se o ânimo do chefe não fosse vencido. Em Pedro, por isso, a fortaleza de todos é protegida, e o auxílio da graça divina segue esta ordem: a firmeza que a Pedro é dada por meio de Cristo é conferida aos apóstolos através de Pedro".(34)

21. Tudo o que com tanta clareza e insistência s. Leão afirma a respeito de s. Pedro assevera-o também de si mesmo, não por estímulo de ambição humana, mas pela íntima persuasão que ele tem de si não menos que o príncipe dos apóstolos, ser o vigário do próprio Jesus Cristo, como se depreende deste trecho dos seus sermões: "Não é para nós motivo de orgulho a solenidade com que, cheio da gratidão a Deus pelo seu dom, festejamos o aniversário do nosso sacerdócio; porquanto com toda sinceridade confessamos que todo o bem por nós praticado no desenvolvimento do nosso ministério é obra de Cristo; e não de nós, que nada podemos sem ele, mas que dele nos gloriamos, de quem deriva toda a eficácia do nosso operar".(35) Com isto, longe de pensar que já agora s. Pedro seja estranho ao governo da Igreja, s. Leão, pelo contrário, gosta de associar à confiança na perene assistência do seu divino Fundador a confiança na proteção de s. Pedro, de quem se professa herdeiro e sucessor, "substituindo-o no encargo". (36) Por isto, aos méritos do apóstolo, mais do que aos seus, atribui ele os frutos do seu ministério universal. O que, entre outras coisas, é claramente provado pela seguinte expressão: "Portanto, se algo de bom operamos ou vemos, se algo obtemos da misericórdia de Deus com as nossas orações cotidianas, isto se deve às obras e aos méritos dele; na sua Sé perdura ainda o seu poder, domina a sua autoridade".(37) Na realidade, s. Leão não ensina nada de novo. Igualmente aos seus predecessores santo Inocêncio I (38) e s. Bonifácio I, (39) e em perfeita harmonia com os bem conhecidos textos evangélicos, por ele mesmo comentados (Mt 16,17-18; Lc 22,31-32; Jo 21,15-17), ele está convencido de haver recebido do próprio Cristo o mandato do supremo ministério pastoral. Afirma, com efeito: "A solicitude que devemos ter para com todas as Igrejas tem origem principalmente num mandato divino".(40)

Grandeza espiritual da Urbe

22. Não devemos, pois, admirar-nos se à exaltação do príncipe dos apóstolos s. Leão gosta de associar a da cidade de Roma. Eis como ele se exprime a respeito dela no seu sermão em honra de s. Pedro e s. Paulo: "São estes, deveras, os heróis por obra dos quais em ti refulgiu, ó Roma, o evangelho de Cristo...; foram eles que te alçaram a esta glória de cidade santa, de povo eleito, de cidade sacerdotal e régia; de modo que, tornada, em virtude da sagrada sede do bem-aventurado Pedro, verdadeiramente cabeça do mundo, estendes o teu império com a religião divina mais do que o estendeste com a dominação humana. Se bem que, realmente, tornada poderosa pelas muitas vitórias, afirmasses por terra e por mar o direito do império, todavia aquilo que as fadigas guerreiras te sujeitaram é menos do que aquilo que a ti submeteu a paz cristã". (41) Lembrando, depois, aos seus ouvintes o esplêndido testemunho prestado por s. Paulo à fé dos primeiros cristãos de Roma, com a seguinte exortação o grande pontífice estimula-os a conservarem isenta de toda mácula de erro a sua fé católica: "Vós, pois, caros a Deus e feitos dignos da aprovaçâo apostólica, vós a quem o beato apóstolo Paulo, doutor das gentes, diz: "A vossa fé é celebrada em todo o mundo", guardai em vós aquilo que sabeis ter sido pensado a vosso respeito por ele, que tão autorizadamente vos exaltou. Nenhum de vós se torne imerecedor deste louvor; de modo que nem mesmo pelo contágio da impiedade de Êutiques possam ser contaminados aqueles que, sob a guia do Espírito Santo, em tantos séculos não conheceram nenhuma heresia".(42)

Vasta ressonância de obra admirável

23. A obra verdadeiramente insigne desenvolvida por s. Leão para salvaguarda dos direitos da Igreja de Roma não foi vã . De fato, graças ao prestígio da sua pessoa, a "cidadela do Apóstolo Pedro" foi louvada e venerada não só pelos bispos do ocidente, presentes nos concílios reunidos em Roma, como também por mais de quinhentos membros do episcopado oriental reunido em Calcedônia, (43) e pelos imperadores de Constantinopla.(44) Até mesmo antes do célebre concílio, Teodoreto, bispo de Ciro, tributara, em 449, ao bispo de Roma e à sua grei privilegiada, estes altos elogios: "A vós cabe o primeiro lugar em tudo, em razão das prerrogativas que honram a vossa Sé. As outras cidades, com efeito, gloriam-se ou da sua grandeza ou do número dos seus habitantes... O Doador de todo bem concedeu-o em superabundância à vossa cidade, já que ela é a maior e a mais ilustre de todas as cidades, governa o mundo, é rica de população... Além disto, possui os sepulcros de Pedro e Paulo, pais comuns e mestres da verdade, que iluminam as almas dos fiéis. Estes dois santíssimos luzeiros tiveram, sim, origem no oriente, e difundiram os seus raios de luz por toda parte; mas, por sua espontânea vontade, sofreram no ocidente o ocaso de sua vida, e daí iluminam agora o mundo. Esses tornaram nobilíssima a vossa Sé; aqui está a culminância dos vossos bens. Porém o Deus deles também agora torna ilustre a sua Sé, fazendo jorrar nela, da vossa santidade, os raios de luz da verdadeira fé". (45)

24. Os exímios louvores que os representantes das Igrejas do oriente tributaram a Leão não faltaram depois da sua morte. De feito, a liturgia bizantina, na festa de 18 de fevereiro, a ele dedicada, exalta-o como "condutor da ortodoxia, doutor exornado de piedade e de majestade, astro do universo, ornamento dos ortodoxos, lira do Espírito Santo". (46) Igualmente significativos são os elogios que ao grande pontífïce tributa o Menológio Gelasiano: "Este nosso pai Leão, admirável pelas suas muitas virtudes, pela sua continência e pureza, sagrado bispo da grande Roma, fez muitas outras coisas dignas das suas virtudes; porém a sua obra refulgiu sobretudo no que diz respeito à verdadeira fé".(47)

Votos pelo retorno dos irmãos separados

25. Apraz-nos, veneráveis irmãos, repetir que o coro de louvores que na antiguidade exalta a santidade do sumo pontífice s. Leão Magno foi concorde tanto no oriente como no ocidente. Oh! torne ele a receber o aplauso de todos os representantes da ciência eclesiástica das Igrejas que não estão em comunhão com Roma. Superado, assim, o doloroso contraste de opiniões acerca da doutrina e da ação pastoral do imortal pontífice, resplandecerá em amplíssima luz a doutrina que eles também professam crer: "Não há senão um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus" (1Tm 2,5).

26. Pois bem: nós, que sucedemos a s. Leão na Sé episcopal de s. Pedro, assim como com ele professamos a fé na origem divina do mandato de universal evangelização e de salvação confiado por Jesus Cristo aos Apóstolos e aos seus sucessores, assim também, igualmente a ele, alimentamos o vivo desejo de ver todas as nações enveredarem pelo caminho da verdade, da caridade e da paz. E, justamente com o fito de tornar a Igreja mais idônea para cumprir nos nossos tempos essa excelsa missão, é que nos propusemos convocar o segundo concílio ecumênico Vaticano, com a confiança de que a imponente reunião da hierarquia católica não só reforçará os vínculos de unidade na fé, no culto e no regime, que são prerrogativas da verdadeira Igreja, (48) como também atrairá o olhar de inúmeros crentes em Cristo, e convidá-los-á a reunir-se em torno do "grande Pastor do rebanho" (Hb 13,20), que a Pedro e aos seus sucessores confiou a perene guarda dele (cf. Jo 21,15-17).

27. O nosso cálido apelo à unidade quer ser, portanto, o eco daquele outro muitas vezes lançado por s. Leão no século V, evocando aquele outro já dirigido aos féis de todas as Igrejas por santo Ireneu, que a Providência divina chamara da Ásia para reger a sé de Leão e para ilustrá-la com seu martírio. De fato, depois de haver reconhecido a ininterrupta sucessão dos bispos de Roma, herdeiros do próprio poder dos dois príncipes dos apóstolos, (49) concluía ele exortando: "É com esta Igreja, por causa da sua preeminente superioridade, que deve estar de acordo cada Igreja, isto é, todos os fiéis que estão no universo; e pela comunhão com ela é que esses féis (ou então: todos os chefes das Igrejas) têm conservado a tradição apostólica".(50)

28. Porém o nosso apelo à unidade quer ser sobretudo o eco da prece dirigida pelo nosso Salvador a seu divino Pai na última ceia: "A fim de que todos sejam um; como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós" (Jo 17,21). Nenhuma dúvida acerca do deferimento desta prece, tal como foi atendido o sacrifício cruento do Gólgota. Acaso o Senhor não afirmou que seu Pai sempre o escuta? (Jo 11,42). Nós, portanto, cremos que a Igreja, pela qual ele rogou e se imolou na Cruz, e à qual prometeu a sua presença perene, sempre foi e continua a ser "una, santa, católica e apostólica", tal como foi instituída.

29. Infelizmente, como no passado, assim também agora devemos, com dor, verificar que a unidade da Igreja não corresponde de fato à comunhão de todos os crentes numa só profissão de fé e numa mesma prática de culto e de obediência. Todavia, é para nós motivo de conforto e de doce esperança o espetáculo dos generosos e crescentes esforços que de várias partes se fazem com o fim de reconstituir aquela unidade, mesmo visível, de todos os cristãos, que dignamente corresponda às intenções, aos mandos e aos votos do Salvador divino. Cônscio de que a unidade, que é sopro do Espírito Santo em tantas almas de boa vontade, só poderá plena e solidamente efetuar-se quando, conforme a própria profecia de Jesus Cristo, "houver um só redil e um só pastor" (Jo 10,16), suplicamos ao nosso mediador e advogado junto ao Pai (cf.1Tm 2,5;1Jo 2,1) que impetre para todos os cristãos a graça de reconhecerem as notas da sua verdadeira Igreja, para que dela se tornem filhos devotos. Oh! digne-se o Senhor de fazer surgir em breve a aurora desse dia bendito de universal reconciliação, quando um imenso coro de amor jubilaste se elevar da única família dos remidos, e estes, entoando hinos à misericórdia divina, cantarem com o Salmista o "Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos!" (Sl 132,1).

30. O amplexo de paz entre os filhos do mesmo Pai celeste, igualmente co-herdeiros do mesmo reino de glória, assinalará a celebração do triunfo do corpo místico de Cristo.

EXORTAÇÃO FINAL

31. Veneráveis Irmãos, o décimo quinto centenário da morte de s. Leão Magno encontra a Igreja católica em dolorosas condições, semelhantes, em parte, às que ela conheceu no século V. Com efeito, quantos sofrimentos nestes tempos afligem a Igreja e repercutem no nosso ânimo paterno, como claramente predissera o divino Redentor!

Vemos que em muitas regiões a "fé do Evangelho" (Fl 1,27) está em perigo, e não faltam tentativas, graças a Deus destinadas, as mais das vezes, a falharem, de desligar do centro da unidade católica, isto é, da Sé romana, bispos, sacerdotes e fiéis. Pois bem: com o fim de conjurar tão graves perigos, confiante invocamos sobre a Igreja militante o patrocínio do santo pontífice que tanto operou, escreveu e sofreu pela causa da unidade católica. E a todos os que pacientemente gemem por amor da verdade e da justiça dirigimos as confortadoras palavras que s. Leão dirigiu ao clero, às autoridades e ao povo de Constantinopla: "Perseverai, pois, no espírito da verdade católica, e por meio de nós recebei a exortação apostólica: `Já que a vós por Cristo foi feita a graça não só de crerdes nele, mas também de por ele padecerdes' (Fl 29)".(51) Finalmente, para todos aqueles que vivem na unidade católica, nós, que, embora indignamente, fazemos na terra as vezes do Salvador divino, fazemos nossa a sua prece pelos seus caros discípulos e por quantos cressem nele: "Pai santo... rogo-te a fim de que eles cheguem à perfeita unidade" (cf. Jo 17,11.20.23). Quer dizer, para todos os filhos da Igreja pedimos a perfeição da unidade, essa perfeição que só a caridade, "que é o vínculo de perfeição" (Cl 3,14), pode dar. Com efeito, pela acesa caridade para com Deus e pelo exercício sempre mais pronto, alegre e generoso de todas as obras de misericórdia para com o próximo é que a Igreja, "templo de Deus vivo" (cf. 2Cor 6,16), se veste, em todos e em cada um de seus filhos, de beleza sobrenatural. Portanto, com s. Leão vos exortamos: "Visto, pois, que todos os fiéis juntos e cada um em particular constituem um só e mesmo templo de Deus, mister se faz que este seja perfeito em cada um como perfeito deve ser no conjunto; porquanto, mesmo se a beleza não é igual em todos os membros, nem os méritos iguais em tão grande variedade de partes, o vínculo da caridade produz, todavia, a comunhão na beleza. Aqueles que um santo amor une, mesmo se não participam dos mesmos dons da graça, gozam, todavia, reciprocamente dos seus bens, e aquilo que eles amam não lhes pode ser estranho, visto ser aumento das próprias riquezas o achar a alegria no progresso dos outros". (52)

32. No término desta nossa carta encíclica, consentido nos seja renovarmos o ardentíssimo voto que irrompia da alma de s. Leão, isto é, de ver todos os remidos pelo Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo, reunidos na mesma Igreja militante, resistirem compactos e intrépidos às potências do mal, que de tantas partes continuam a ameaçar a fé cristã. Porque "então se torna poderosíssimo o povo de Deus, quando na união da santa obediência os corações de todos os fiéis se acham de acordo, e nos acampamentos das hostes cristãs a preparação é semelhante em todas as partes, e as fortificações em toda parte são as mesmas".(53) O príncipe das trevas não prevalecerá quando na Igreja de Cristo reinar o amor: "Visto que as obras do demônio são destruídas com maior poder quando os corações dos homens ardem de caridade para com Deus e para com o próximo".

33. Confortadora das nossas esperanças e auspício das graças divinas seja a bênção apostólica que a todos vós, veneráveis irmãos, e ao rebanho comado ao zelo ardentíssimo de cada um, com grande coração vos concedemos.

Dado em Roma, junto a s. Pedro, a 11 de novembro de 1961, quarto ano do nosso pontificado.

JOÃO PP. XXIII


Notas

1. Cf. Sermão, do dia 12 de outubro de 1952: AAS 44(1952), p. 831.

2. Cf. Ed. Duchesne, I, 238.

3. Cf. Ep. 31, 4, PL 54, 794.

4. PL 59, 9-272.

5. De Incarn. Domini, contra Nestorium libr. VII, PL 50, 9.

6. PL 55, 21-156.

7. Cf. PL 54, 757.

8. PL 54, 759.

9. Cf. Ep. 29, ad Theodosium august.: PL 54, 783.

10. Cf. Ep. 28: PL 54, 756.

11. Cf. Ep. 95, ad Pulcheriam august., 2: PL 54, 943.

12. Cf. Ibid.

13. Cf. Ibid.

14. Cf. Ep. 89, ad Marcianum imper. 2: PL 54, 931; Ep. 103, ad Episcopos Galliarum: PL 54, 988-991.

15. Carta Encicl. Sempiternus Rex, de 8 setembro de 1951: AAS 43(1951), pp. 625-644.

16. Cf. C. Kirch. Enchir. Fontium hist. eccl. antiquae, Friburgi in Br., 4° ed. 1923, n. 943.

17. Ep.104, ad Marcianum imper. 3, PL 54, 995; cf. Ep.106, ad Anatolium, episc. Constant.: PL 54, 995.

18. Ep.114, ad Marcianum imper. 3, PL 54,1022.

19. Ibid.

20. Bento XIV, Const. apost. Militantis Ecclesiae, de 12 de outubro de 1754: Benedicti Pp. XIV Bullarium, t. III, parte II, p. 205 (Opera omnia, vol.18, Prato 1847).

21. Ep.12, ad Episcopos Africanos, 5: PL 54, 652.

22. Ep, 80, ad Anatolium, episc. Constant. 1, PL 54, 213.

23. Serm. 26, in Nativ. Domini, 2, PL 54, 213.

24. Ep. 165, ad Leonem imper. 2, PL 54,1157.

25. Cf. Ibid.

26. Serm. 22, in Nativ. Domini, 2, PL 54,195.

27. Serm. 4, in Nativ.. Domini, l, PL 54,149; cf. Serm. 64, de Passione Domini, 6, PL 54, 357; Ep. 69, 4, PL 54, 870.

28. Serm. 66, de Passione Domini, 2, PL 54, 365-366.

29. Serm. 64, de Passione Domini, 7, PL 54, 357.

30. Serm. 24, in Nativ. Domini, 6, PL 54, 207.

31. Ep.14, ad Anastasium, episc. Thessal., 11, PL 54, 676.

32. Serm. 4, de natali ipsius, 2, PL 54,149-150.

33. Serm. 4, de natali ipsius, 2, PL 54; cf. Serm. 83, in natali S. Petri Apostoli, 2, PL 54, 430.

34. Serm. 4, 3, PL 54,151-152; cf. Serm. 83, PL 54, 451.

35. Serm. 5, de natali ipsius, 4, PL 54,154.

36. Cf. Serm. 3, de nat. ipsius, 4, PL 54,147.

37. Serm. 3, de nat. ipsius, 3, PL 54,146; cf. Serm. 83, in nat. S. Petri Apost. 3, PL 54, 432.

38. Ep. 30, ad Concil. Milev. PL 20, 590.

39. Ep, 13, ad Rufum episc. Thessaliae, de 11 de março de 422, in C. Silva-Tarouca, S.J., Epistolarum Romanorum Pontificum collect. Thessal., Roma 1937, p. 27.

40. Ep. 14, ad Anastasium episc. Thessal., l; PL 54, 668.

41. Serm. 82, in nat. Apost. Petri et Pauli, 1, PL 54, 422-423.

42. Serm. 86, tract. contra haer. Eutychis, 3, PL 54, 468.

43. Mansi, Concil. ampliss. collect. VI, p. 913.

44. Ep. 100, Marciani imper. ad Leonem, episc. Romae, 3, PL 54, 972; Ep. 77, Pulcheriae aug. ad Leonem, episc. Romae, 1, PL 54, 907.

45. Ep. 52, Theodoreti episc. ad Leonem episc. Romae, l, PL 54, 847.

46. Menaia tou ólou eniautou, III, Roma,1896, p. 612.

47. PG 117, 319.

48. Cf. conc. Vat. I, sess. III, cap. 3 de fide: COD 807.

49. Cf. Advers. haeres. 1. III, c. 2, n. 2, PG 7, 848.

50. Ibid.

51. Ep. 50, ad Constantinopolitanos, 2, PL 54, 843.

52. Serm. 48, de Quadrag. 1, PL 54, 298-299.

53. Ep. 88, 2; PL 54, 441-442

54. Ep. 95, ad Pulcheriam august., 2: PL 54, 943.

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