Destaque:

El centenario de las apariciones de la Virgem Maria en Fatima

Rosa Caroline Crespo Fernández Valderi da Silva En su visita al santuario de Fátima en 1982, San Juan Pablo II proclamaba que "a ...

Você escolheria a Monarquia como melhor sistema de governo para o Brasil?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

Observando os outros

A velha em Copacabana

Ela estava no calçadão da Av. Atlântica, com um violão, e uma placa escrita à mão: "Vamos cantar juntos".

Começou a tocar sozinha. Depois chegou um bêbado, uma outra velhinha, e começaram a cantar com ela. Daqui a pouco uma pequena multidão cantava, e outra pequena multidão servia de platéia, batendo palmas no final de cada número.

"Por que faz isto?" perguntei, entre uma música e outra.

"Para não ficar sozinha", disse ela. "Minha vida é muito solitária, como a vida de quase todos os velhos".

Oxalá todos resolvessem seus problemas desta maneira.

O amigo em Sydney

"As vezes a gente se acostuma com o que vê nos filmes e termina esquecendo a verdadeira história", diz um amigo, enquanto olhamos juntos o Porto de Sydney. "Lembra-se da cena mais marcante do filme "Os dez mandamentos? "

Claro que me lembro. Moisés, interpretado por Charlton Heston, em determinado momento levanta seu bastão, as águas se dividem, e o povo hebreu atravessa o mar a pé.

"Na Bíblia é diferente", continua meu amigo. "Deus ordena a Moisés: "Diz aos filhos de Israel que marchem". E só depois que começam a andar é que Moisés levanta o bastão, e o Mar Vermelho se abre".

Só a coragem no caminho faz com que o caminho se manifeste.

O católico e o muçulmano

Eu conversava com um sacerdote católico e um rapaz muçulmano durante um almoço. Quando o garçom passava com uma bandeja, todos se serviam, menos o muçulmano, que fazia o jejum anual prescrito no Alcorão.

Quando o almoço terminou e as pessoas saíram, um dos convidados não deixou de alfinetar: "Veja como os muçulmanos são fanáticos! Ainda bem que vocês não têm nada em comum com eles. "

"Temos sim", disse o padre. "Ele tenta servir a Deus tanto quanto eu. Apenas seguimos leis diferentes".

E concluiu: "Pena que as pessoas só vejam as diferenças que as separam. Se olhassem com mais amor, enxergariam principalmente o que há de comum entre elas e metade dos problemas do mundo seriam resolvidos".

Meu sogro, Christiano Oiticica

Pouco antes de morrer, meu sogro chamou a família:

"Sei que a morte é apenas uma passagem, e quero poder fazer esta travessia sem tristeza. Para que vocês não fiquem inquietos, mandarei um sinal de que valeu a pena ajudar os outros nesta vida". Pediu para ser cremado, as cinzas jogadas no Arpoador, enquanto um gravador tocava suas músicas preferidas.

Faleceu dois dias depois. Um amigo facilitou a cremação em São Paulo, e de volta ao Rio fomos todos para o Arpoador com o rádio, as fitas, o embrulho com a pequena urna de cinzas. Ao chegarmos diante do mar, descobrimos que a tampa estava presa por parafusos. Tentamos abrir, inutilmente.

Não havia ninguém por perto, só um mendigo, que se aproximou. "O que vocês querem?"

Meu cunhado respondeu: "Uma chave de parafuso, porque aqui estão as cinzas do meu pai".

"Ele deve ter sido um homem muito bom, porque acabei de achar isto agora", disse o mendigo.

E estendeu uma chave de parafuso.

Nenhum comentário: