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terça-feira, 16 de setembro de 2003

Sobre os dons do espírito

Michelangelo e a Capela Sixtina, Dom Rafael Llano Cinfuentes, em seu livro A força e a suavidade do Espírito Santo, nos dá uma excelente visão de todo o potencial divino que possuímos mas não utilizamos. Para ilustrar o texto, utiliza exemplos reais, que transcrevo a seguir:
Quando encomendou a pintura da famosa capela, o Papa deu uma série de recomendações a Michelangelo: cenas do Antigo Testamento, profetas, apóstolos... O pintor não ficou muito satisfeito, mas mesmo assim concordou. Começou a fazer o trabalho de acordo com as instruções recebidas, e embora todos elogiassem, ele estava insatisfeito com os resultados.
Um domingo, foi descansar em uma taberna do Trastevere, que tinha fama de servir o melhor vinho de Roma. Pediu um copo, achou a bebida um pouco avinagrada, mas nada disse afinal de contas, o local era conhecido pela qualidade, e talvez seu paladar que estivesse errado! De repente, um homem na mesa ao lado levantou-se e reclamou: "Este vinho não presta!".
O taberneiro pareceu surpreso: "Não é possível, servimos o que há de melhor nesta cidade! Deixe-me experimenta-lo". Bebeu um pouco, olhou para o freguês, puxou uma faca, e disse: "Tem razão. Não merece ser servido aqui." Com a lâmina rasgou os recipientes de couro, e a rua foi inundada por um rio vermelho.
Naquele mesmo instante, Michelangelo teve uma revelação: todos pensavam que a pintura que estava executando era a melhor de Roma, como o vinho daquela taberna. Ele até então não se atrevera a dizer nada, porque era a opinião da maioria, inclusive do Papa! Levantou-se na mesma hora, foi até os murais, apagou tudo e recomeçou de novo. Foi chamado de louco por todos, mas conseguiu criar um mural que até hoje é considerado como um marco na história da arte.
Comenta Dom Rafael: "precisamos ter a valentia de rasgar cortar, queimar, para poder recomeçar e reconstruir".
Santa Teresa em oração
Perguntaram a Santa Teresa do Menino Jesus porque passava tanto tempo na capela de seu convento.
- Rezo.
- E que dizes ao Senhor?
- Nada respondeu ela.
- Como? Que fazes então?
- Amo.
Comenta Dom Rafael: "a mãe ama em silêncio o seu filho. Esta atitude permanente de abertura é um potente radar que capta as insinuações do Divino."
Tenho orgulho do meu coração
Guillomet que o piloto e escritor Saint-Exupéry (autor de O Pequeno Príncipe) cita em seu livro Terra dos Homens, sofreu um acidente aéreo nos Andes chilenos.
Resistiu à tentação de abandonar-se no seu leito de neve, e começou a andar em busca de socorro. Estava no limite de sua resistência, mas pensava em apenas uma coisa: "minha esposa e meus amigos acham que estou andando. Se abandonar-me à sorte, serei um covarde." Este pensamento o encheu de uma energia incrível, que o fez subir e descer montanhas durante três dias e três noites. Quando pensava em desistir, implorava ao coração: "bata mais forte! Eu tenho orgulho de você, não me deixe". Finalmente uma equipe de buscas o encontrou, quase sem forças - mas vivo para contar a história.
Comenta Dom Rafael: "Todos nós, seres humanos, somos elos da mesma corrente. Eu tenho que resistir, para que a corrente inteira não se parta."

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