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terça-feira, 5 de agosto de 2003

Histórias de Nasrudin

Nasrudin, o mestre que se faz de louco, o sábio que finge ser tolo, o personagem central de grande parte dos ensinamentos sufis, é de novo tema desta coluna.
É melhor prevenir
O mullah Nasrudin chamou o seu aluno preferido:
- Vá pegar água no poço.
O menino preparou-se para fazer o que lhe fora pedido. Antes de partir, entretanto, levou um cascudo.
- E não entre em contato com jogadores e pessoas vaidosas, senão terminará ofendendo a Deus!
- Ainda nem saí de casa, e já recebi um cascudo! O senhor está me castigando por algo que não fiz!
- Com as coisas importantes na vida, não se pode ser tolerante - disse Nasrudin. - De que adiantaria castigá-lo depois que já tivesse perdido sua alma?
A tarefa mais difícil
Um dos rapazes que estudava com Nasrudin quis saber:
- Qual é o maior de todos os homens: aquele que conquistou um império? Aquele que teve todas as possibilidades de fazer isso, mas renunciou ao desejo? Ou aquele que impediu que outro o fizesse?
- Não tenho a menor idéia - respondeu o sábio sufi.
- Mas conheço uma tarefa muito mais difícil que as que acaba de citar.
- E qual é?
- Impedi-los de ficar analisando o que os outros fizeram, e tentar ensinar a se preocuparem com aquilo que vocês mesmos podem fazer.
Quando dar e quando receber
Nasrudin passeava pelo mercado, quando um homem se aproximou.
- Sei que és um grande mestre sufi - disse. - Hoje de manhã, meu filho me pediu dinheiro para comprar uma vaca; devo ajudá-lo?
- Esta não é uma situação de emergência. Então, aguarde mais uma semana antes de atender o seu filho.
- Mas tenho condições de ajudá-lo agora; que diferença fará esperar uma semana?
- Uma diferença muito grande - respondeu Nasrudin.
- A minha experiência mostra que as pessoas só dão valor a algo quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não conseguir o que desejam.
O peixe que salvou a vida
Nasrudin passou diante de uma gruta, viu um yogue meditando, e perguntou o que ele procurava em sua busca espiritual.
- Contemplo os animais, e aprendi deles muitas lições que podem transformar a vida de um homem.
- Pois um peixe já salvou minha vida.
O yogue ficou espantado; só um santo pode ter a vida salva por um peixe! Perguntou como tal milagre tinha acontecido, mas Nasrudin quis antes aprender tudo o que o yogue sabia.
O yogue, convencido que estava diante de um grande sábio, ensinou o que aprendera durante todos aqueles anos. No final, implorou:
- Agora que o senhor conhece tudo que a vida me ensinou, gostaria que me contasse como um peixe salvou sua vida.
- É simples - respondeu Nasrudin. - Eu estava quase morrendo de fome quando o pesquei, e graças a ele pude sobreviver três dias.

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