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terça-feira, 3 de junho de 2003

Deus e os homens de muita e pouca fé

O rabino Feldman e a fé que move montanhas
Isaac Asimov, um dos melhores escritores de ficção científica do século XX, é o autor desta deliciosa história:
O rabino Feldman estava tendo muitos problemas com sua congregação; a maioria das pessoas o achava arrogante, intolerante, rigoroso demais com as faltas normais de um ser humano. Desesperados, os fiéis fizeram um apelo ao presidente da associação israelita do estado, que veio até a cidade para resolver o problema.
Depois de escutar todos os participantes da congregação, foi conversar com Feldman:
- Rabino, as coisas não podem continuar assim. Vamos convocar uma assembléia, e resolver as disputas pendentes.
Feldman concordou. Três dias depois, foi convocado um conselho com a presença do presidente, e a de mais dez eruditos em judaísmo. Sentaram-se em torno de uma linda mesa de mogno, e começaram a discutir cada um dos itens em questão; a medida que a reunião avançava, ia ficando cada vez mais claro que o rabino Feldman estava sozinho em suas posições.
Depois de quatro horas de discussão, o presidente disse:
- Penso que já basta; vamos votar, e a maioria decidirá qual o melhor rumo a seguir.
Cada um recebeu um pedaço de papel, votou, e depois de feita a contagem, o presidente tomou de novo a palavra:
- São onze votos contra o senhor, rabino. Teremos que rever definitivamente as posições adotadas.
Feldman levantou-se, demonstrando seu orgulho ferido, e levantando os braços para os céus, disse com voz grave:
- Então vocês pensam que, por causa de uma simples maioria de votos, eu estou errado e o resto está certo? Não, meus senhores, não posso aceitar isso.
"Peço ao Senhor de Israel que mostre sua força, e envie neste momento um sinal, de modo que todos aqui saibam do meu comportamento absolutamente correto!"
No mesmo instante ouviu-se um trovão ensurdecedor. Um raio atingiu a sala, cortando no centro a linda mesa de mogno; todos os que estavam presentes foram atirados ao solo pela força da explosão.
Ouviram-se gritos nas imediações, o lugar ficou cheio de fumaça; quando a poeira começou a baixar, notaram que o rabino Feldman permanecia intocado, erecto, com um sorriso sarcástico nos lábios.
Com muita dificultade o presidente levantou-se, consertou os óculos que pendiam de uma orelha, ajeitou os cabelos despenteados, arrumou a roupa suja de pó, e disse lentamente:
- Está bem: onze votos contra dois. Mas nós ainda temos a maioria, e as regras serão mudadas.
Chamando Deus para um duelo
Um louco conseguiu reunir sua platéia de sempre, em uma das praças de Isfahan.
- Hoje vou lhes mostrar algo muito importante - disse. - Vocês estão acostumados a escutar que Deus é Todo Poderoso, mas eu sou mais forte que ele.
Virou-se para os céus, e bradou:
- Desça daí, encontre-me esta tarde no deserto, e vamos ver quem ganha um duelo!
Dito isso, partiu para o deserto. As pessoas continuaram na praça até o final do dia; quando o sol começou sumir no horizonte, o louco retornou à praça. Estava com um olho roxo, um galo na cabeça, as roupas todas rasgadas. Furioso, gritava com as pessoas:
- Vocês estão achando que Deus venceu o duelo, não é verdade? Pois vou lhes contar o que aconteceu: Ele não agiu de maneira honesta! Estava com medo de mim, por isso enviou um operário de construção, que ao escutar meus gritos no deserto, agrediu-me de maneira impiedosa para me enfraquecer! Se Deus tivesse vindo sozinho, teria levado uma surra!

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