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terça-feira, 23 de julho de 2002

Sobre mestres e caminhos

Escolhendo o próprio destino

"Estou disposto a largar tudo", disse o príncipe ao mestre. "Por favor, me aceite como discípulo".

"Como um homem escolhe seu caminho?", perguntou o mestre.

"Pelo sacrifício", respondeu o príncipe. "Um caminho que exige sacrifício, é um caminho verdadeiro".

O mestre esbarrou numa estante. Um vaso caríssimo despencou, e o príncipe atirou-se ao chão para agarrá-lo. Caiu de mau jeito e quebrou o braço, mas conseguiu salvar o vaso.

"Qual é o maior sacrifício: ver o vaso espatifar-se, ou quebrar o braço para salvá-lo?", perguntou o mestre.

"Não sei", respondeu o príncipe.

"Então como quer orientar sua escolha pelo sacrifício? O verdadeiro caminho é escolhido por nossa capacidade de amá-lo, não de sofrer por ele".

Vivendo de acordo com a verdade

Mahatma Gandhi lutou sua vida inteira, mas conseguiu libertar a Índia do domínio inglês. Quando lhe disseram que era um dos maiores nomes surgidos na História Universal, respondeu:

"Nada tenho de novo para ensinar ao mundo. A verdade e a não-violência são tão antigas quanto as montanhas. Tudo o que tenho feito é tentar praticá-las na escala mais vasta que me é possível. Ao fazer isso, errei algumas vezes e aprendi com meus erros.

"Os que acreditam nas verdades simples que expus, só podem propagá-las se viverem de acordo com elas. Estou absolutamente convencido de que qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, se fizer o mesmo esforço e cultivar a mesma esperança e fé".

Superando os obstáculos

Um famoso mestre sufi foi convidado para dar um curso na Califórnia. O auditório estava repleto às 8 da manhã - hora marcada para começar - quando um dos assistentes subiu ao palco.

"O mestre está acordando agora. Tenham paciência".

O tempo foi passando, e as pessoas abandonando a sala. Ao meio-dia, o assistente voltou ao palco, dizendo que o mestre daria a palestra assim que terminasse de conversar com uma bela menina que encontrara. Grande parte da platéia saiu.

As quatro da tarde, o mestre surgiu - aparentemente alcoolizado. Desta vez, quase todos saíram; ficaram apenas seis pessoas.

"Para vocês eu ensinarei", disse o mestre, parando de representar o papel de bêbado. "Quem deseja percorrer um caminho longo, tem que aprender que a primeira lição é superar as decepções do início".

Isso vai passar

A tradição sufi conta a história de um rei que vivia cercado de sábios. Certa manhã, enquanto conversavam, o rei mostrava-se mais calado que de costume.

"O que passa com Vossa Majestade?" - perguntou um dos sábios.

"Estou confuso", respondeu o rei. "As vezes me deixo dominar pela tristeza, sinto-me impotente diante de minhas tarefas. Outras vezes, fico embriagado com o poder que tenho. Gostaria de um talismã que me ajudasse a estar em paz comigo".

Os sábios - surpresos por tal pedido - ficaram longos meses confabulando. No final, foram até o rei com um presente.

"Gravamos palavras mágicas no talismã. Leia-as em voz alta, sempre que estiver muito confiante, ou triste demais", disseram.

O rei olhou o objeto que havia pedido. Era um simples anel de ouro e prata, mas com uma inscrição:

"Isso vai passar."

Da negação

Josiah Royce (1855-1916), num momento em que morre alguém muito querido, escreve estas palavras:

"Nós morremos enquanto Tu permaneces.

A eternidade é Tua.

E, na eternidade, seremos lembrados não como pontos insignificantes deste mundo real mas como folhas sadias que, em um certo momento, floresceram nos ramos da Árvore da Vida.

Estas folhas caem da árvore, mas não caem no esquecimento, Porque Tu sempre Te lembrarás delas".

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