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terça-feira, 25 de junho de 2002

Reflexões sobre o amor

Os três dias

Mansour Hallaj foi um dos grandes místicos do Islã, e viveu grande parte de sua vida no Iraque. Ele dizia que o homem é uma manifestação de Deus, mas seus trabalhos apresentavam algumas contradições com o que era oficialmente reconhecido na sua época.

Como resultado, terminou sendo acusado de blasfemar contra a religião, e foi condenado à morte.

No dia da sua execução, um dos discípulos perguntou:

- Mestre, o que é o amor?

- Olhe com cuidado tudo que acontecer comigo hoje, amanhã, e depois de amanhã - respondeu Hallaj. - Isso é o amor.

Naquele mesmo dia, ele foi morto.

No dia seguinte, queimaram seu coração.

No terceiro dia, espalharam suas cinzas, e nunca mais puderam recompor o coração de Hallaj.

0 Tao e o amor

Os taoístas contam que, no início dos tempos, o espírito e a matéria lutaram entre si um combate mortal. Finalmente o Espírito triunfou - e a matéria foi condenada a viver para sempre no interior da Terra.

Antes que isto acontecesse, porém, sua cabeça bateu no firmamento, e reduziu a pedaços o céu estrelado.

A deusa Niuka saiu do mar, resplandecente em sua armadura de fogo. Fervendo as cores do arco-íris num caldeirão, foi capaz de recolocar as estrelas em seu lugar, mas não conseguiu encontrar dois pequenos cacos, e o firmamento ficou incompleto.

Esta é a origem do amor: duas almas sempre estão percorrendo a Terra, em busca de sua outra parte. Quando encontram, conseguem encaixar os dois pedaços que faltam no céu, e o Universo inteiro passa a fazer sentido para o casal.

A medida do amor

"Sempre desejei saber se era capaz de amar como o senhor ama", disse o discípulo a um mestre hindu.

"Não existe nada além do amor", respondeu o mestre. É ele que mantém o mundo girando e as estrelas suspensas no céu".

"Sei disso. Mas como vou saber se meu amor é grande o suficiente?"

"Procure saber se você se entrega, ou se você foge de suas emoções. Mas não faça perguntas como esta, porque o amor não é grande nem pequeno; é apenas amor, e não se pode medir um sentimento como se mede uma estrada. Se você tentar dimensioná-lo, estará enxergando apenas seu reflexo, como o da lua em um lago; não estará percorrendo seu caminho".

Reflexão

0 trecho a seguir foi escrito por Emily Brontë, no seu clássico "0 Morro dos Ventos Uivantes" - e descreve o amor da personagem principal por dois homens:

"Doce pássaro da juventude, me perdoa, porque as correntezas de paixões me carregam de um lado para o outro. Neste momento eu devo me entregar aos dois lados, sem tentar entender o que acontece em meu coração..

"Quando estas correntezas enfraquecerem, este doce amor irá permanecer. E mesmo que tudo acabe, basta que o amor sobreviva - e eu sobreviverei também. Entretanto, se tudo permanecer - menos o amor - o Universo passará a ser um estranho para mim."

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